
Apenas 15 dias depois do day-after das presidenciais, começam a puxar para trás os lençóis da cama onde o governo se prepara para o repouso eterno. É certo que, para muitos, o executivo vai deitar-se no leito que preparou para si, mas não deixa de ser curioso perceber que os habituais tarólogos da política já deram o tiro de partida para o (im)paciente voo dos abutres.
Afinal, se o governo está morto, está na hora de se começar a debicar o cadáver. Digo debicar porque há quem considere que ainda não está na hora da refeição. Há que esperar o momento certo e não haver precipitações, até porque pode ser de Belém que venha a certidão de óbito, agora que o segundo mandato parece tudo legitimar.
Uma coisa é certa: o governo pode não ter morrido, mas virou, com toda a certeza, um daqueles sacos de areia em que os boxistas fazem o seu treino, aquilo a que vulgarmente o povo gosta de chamar de 'saco de pancada'. De tal forma, que até há quem, de dentro, aproveite para ajustar contas passadas, escudados pelo legítimo direito à diferença de opinião e liberdade de a expressar.
Agora, é o caminho mais fácil. Aliás, chegou a hora dos fracos sairem de cena de fininho para, na hora do funeral, poderem até alinhar na maledicência ao falecido bem como os oportunistas que, percebendo que terão de colocar na loja o letreiro do 'Volto Já', começam a encher o porquinho mealheiro para o tempo de vacas magras que se avizinham. Há até números que, oportunamente, aparecem nestas alturas libertando apenas comentários do género "Que grande novidade!" A minha dúvida é só esta: esta sondagem reflecte o momento ou um sentimento de leitura mais ampla?
O governo morreu, viva o governo! Porque como dizia a minha avó, atrás de mim virá quem de mim bom fará.
Imagem: "Vulture" ![]()
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A girl é do PSD mas responde (ou devia responder) perante um boy do PS que responde (ou devia responder) perante a tutela (temporariamente) do PS. O exemplo acabado de 35 – trinta e cinco – 35 anos de governação repartida. Se calhar a culpa ainda é do gonçalvismo…
(Geneva Drive na imagem)
(Em stereo)
Volta e meia (ultimamente mais volta que meia) a conversa anima: de quem é a culpa do estado lastimoso a que o país chegou? Do PS porque nos últimos não-sei-quantos-anos esteve não-sei-quantos-anos no poder blá-blá-blá. Nã, nã. A culpa é do PSD porque nos últimos (mais) não-sei-quantos-anos esteve (mais) não-sei-quantos-anos no poder pa-ta-ti pa-ta-ta. E se metermos ao barulho o CDS e o CDS/ PP, ui-ui, então…
Por atacado já levam os dois, que podem ser três, 35 – trinta e cinco – 35 anos de “Cabritinha” e ainda têm a cara de pau de vir perguntar “Mas afinal quem é o pai da criança?”.
Querem lá ver que a culpa é do Gonçalvismo?
Daqui por meia dúzia de meses chega o PEC IV, porque “algo” (que nunca se saberá o quê, como se fossemos todos burros) correu mal no PEC III, que por sua vez já havia sido necessário porque, algo que nunca se soube o quê (continuamos a ser todos burros), correu mal no PEC II.
E o IV Capítulo do PEC vem acompanhado pelo bicho papão FMI e, a União Nacional - com os banqueiros à cabeça e o professor Marcelo a carro-vassoura - que se desdobrou em justificações, apelos, prantos, rezas e mezinhas pela aprovação do Capítulo III, e onde só faltaram as vozes de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, e Pinto da Costa, volta à carga outra vez com os mesmíssimos argumentos em defesa da mesmíssima imperiosidade da aprovação do Capítulo IV. Sem tirar nem pôr.
(Em strereo)

Via Twitter
Gosto quando me provocam nem que seja de forma indirecta. Faz com que me apeteça escrever de novo, coisa que nestes últimos tempos não me tem apetecido devido a várias razões, uma delas o calor que se faz sentir.
Diz o Pedro Machado que é uma hipocrisia atacar a lei da rolha e não atacar a expulsão dos 200 militantes do PS. Sendo que o Pedro Machado é por demais conhecido por empregar palavras sem saber o que elas significam a afirmação não surpreende mas, e numa perspectiva de serviço público, passo a explicar porque é que, no meu entender, a Lei da Rolha e o "Caso dos 200" não têm semelhanças.
Para isso vou utilizar um exemplo simples para que o Pedro Machado consiga compreender (desculpem os restantes leitores do Sarrafada mas por vezes é necessário descer ao (baixíssimo) nível intelectual daqueles que nos provocam).
A "Lei da Rolha" que (ainda) existe no PSD pode ser comparada a um fulano que é sócio de um clube de futebol, que tem as quotas em dia, que vai aos jogos todos e berra que nem um camelo e que apoia a equipa nos bons e nos maus momentos mas que é contra algumas decisões da direcção do clube e faz oposição interna. Devido a isto é expulso do clube e nunca mais o deixam entrar no estádio. Isto, do ponto de vista da liberdade de expressão, é errado e condenável pois a liberdade de expressão não deve ser cerceada nunca.
No "Caso dos 200", do qual Narciso Miranda é a face mais visível devido a uns media sedentos de notícias e sangue durante esta silly season, não é a liberdade de expressão DENTRO do clube de futebol que está em causa.
O caso daqueles militantes assemelha-se a uns fulanos que pagam as quotas do clube, para aproveitar as viagens mais baratas quando o clube se desloca ao estrangeiro, e depois quando lá chegam torcem pelo adversário.
Obviamente deveriam ser expulsos pois quando se entra num clube aceitam-se as regras, sendo uma delas, não irás apoiar o clube adversário. Isto nada tem a ver com liberdade de expressão mas sim com aceitar as regras quando se está dentro de uma organização seja ela de que cariz for. Quando se tira a carta aceitam-se as regras estabelecidas no código da estrada ou não? E quem as não cumpre fica sem cartam certo? Não se percebe porque razão deveria ser diferente.
Aliás, o único erro da direcção do PS foi não ter expulso aqueles militantes de imediato e deixar passar tanto tempo até anunciar a decisão.
Mas o calculismo eleitoral fala (sempre) mais alto, infelizmente.
PS: Pedro Machado, quanto ao pão e ao sal estamos plenamente de acordo.
Se as agências de rating, que é como quem diz os eleitores, resolverem baixar a notação do Partido Socialista já nas próximas eleições, podemos falar em “ataque especulativo”?
(Também lá no outro lado)
«Governo e PSD acordam aumentos do IRS, IRC e IVA» que é como quem diz «Casaram vestidos de Shrek e Fiona»

Inês de Medeiros sente-se vítima de uma cabala demagógica da oposição e, por isso mesmo, decidiu prescindir das ajudas da AR (ou seja, de todos nós) para ir a Paris ao fim-de-semana. Para vice-presidente de uma bancada parlamentar (e logo do partido que está no Governo) Inês de Medeiros mostra pouca visão estratégica ao não ter percebido, de imediato, que isto ia dar bronca e que mais valia nem sequer ter começado todo este caso.
Ao tomar a decisão só depois do CDS ter tomado a iniciativa, não inocente, de propor uma alteração à lei que rege estas coisas, Inês de Medeiros foge para frente.
Os danos para a sua imagem são no entanto irreparáveis. Espera-se apenas que se continue a investigar, se é que alguém o está a fazer, como é possível alguém residir em Paris mas estar recenseada na freguesia de Santa Catarina em Lisboa. Suponho que Inês de Medeiros, de Santa Catarina só conheça o Adamastor onde passa algumas tardes antes de subir a rua da Atalaia até ao Mahjong.
Imagem daqui ao abrigo de uma Licença Creative Commons
De José Lello, o deputado socialista que foi classificado pela sua camarada de partido Ana Gomes como “expert em contabilidade criativa”:
Nota: Está um ponto de interrogação no título do post
O affair Medeiros é antes de tudo mais um problema do sistema e não, como alguns teimam em fulanizar, um problema do Partido Socialista. Um problema de credibilidade. O novel sistema político-partidário tomado de assalto pela ideologia pop music do efémero, do novo e bonito / mastiga e deita fora, onde as caras substituem as ideias. Calhou ser com o Partido Socialista, mas também foi quem mais se pôs a jeito: ele é Carolinas Patrocínios, ele é Luíses Figos, ele é Inêses Medeiros. Azar o deles. Do PS e dos cor-de-rosa.
Como é que um sítio que não tem campo de golfe ganha a organização da Ryder Cup 2018?
Ora deixa-me cá ver: Câmara de Grândola - presidente Carlos Beato; presidente Carlos Beato – PS; PS – Governo; Governo - projectos PIN; projectos PIN - construção civil; construção civil – litoral a saque; litoral a saque – pagam os suspeitos do costume. Desta vez duas vezes.
(Em stereo)
Não sei o que me causa mais estranheza, se a rapidez com que o Governo suspendeu o cônsul honorário em Munique comparativamente com outros casos recentes, se ver um personagem como Ricardo Rodrigues vir, em nome do Partido Socialista, apoiar a decisão do Governo…
(Em stereo)