A girl é do PSD mas responde (ou devia responder) perante um boy do PS que responde (ou devia responder) perante a tutela (temporariamente) do PS. O exemplo acabado de 35 – trinta e cinco – 35 anos de governação repartida. Se calhar a culpa ainda é do gonçalvismo…
(Geneva Drive na imagem)
(Em stereo)
Daqui por meia dúzia de meses chega o PEC IV, porque “algo” (que nunca se saberá o quê, como se fossemos todos burros) correu mal no PEC III, que por sua vez já havia sido necessário porque, algo que nunca se soube o quê (continuamos a ser todos burros), correu mal no PEC II.
E o IV Capítulo do PEC vem acompanhado pelo bicho papão FMI e, a União Nacional - com os banqueiros à cabeça e o professor Marcelo a carro-vassoura - que se desdobrou em justificações, apelos, prantos, rezas e mezinhas pela aprovação do Capítulo III, e onde só faltaram as vozes de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, e Pinto da Costa, volta à carga outra vez com os mesmíssimos argumentos em defesa da mesmíssima imperiosidade da aprovação do Capítulo IV. Sem tirar nem pôr.
(Em strereo)
Nesta imensa hola mexicana que se tornou o apelo ao “sentido de responsabilidade” do PSD para que aprove um Orçamento de Estado que ainda ninguém conhece, só falta ouvir as opiniões de Duarte Lima e Oliveira e Costa.

Isto anda muito mal: A crise que já era para ter terminado não terminou e aproxima-se aquele momento do ano em que se discute Orçamento para aqui e Orçamento para acolá. Em Fevereiro de 2010, no dia da apresentação do Orçamento de Estado de 2010, tivemos o episódio Mário Crespo, os atrasos do costume com a pen - os computadores em Portugal deveriam vir com um selo "Not for Dummies" - e um Orçamento que, como sabemos, ficou apenas pelo papel.
A grande diferença é que na altura o PSD estava em guerra aberta interna e não havia uma liderança.
Com essa liderança - que no entanto não apaziguou a guerra interna - a vontade de querer ser poder tomou conta de uma ala mais dura do PSD que tem contas a ajustar dentro e fora do Partido. Isso ficou mais do que claro no dia do encerramento do Congresso de Carcavelos.
Do outro lado o desespero é total e já vale de tudo num barco que já foi intelectualmente abandonado, sem que tenham avisado os ratos que estão ainda no porão a debitar disparates atrás de disparates.
O problema é que os tais ratos do porão - e só os trato por ratos pois o seu anonimato incentiva a minha imaginação e, sendo um fã incondicional de Douglas Adams, ratos que conspiram fazem parte do meu imaginário - estão a conseguir que o nível de discussão esteja a descer em todas as frentes puxando consigo para o fundo lamacento onde (sobre)vivem, pessoas que deveriam ser perspicazes o suficiente para perceber e evitar a armadilha.
A guerra do "Tu disseste aquilo / Não disse não / Disseste disseste" não ajuda ninguém: nem a decidir nem a ter confiança.
As coisas não estão fáceis e os tempos que correm são complicados. Por isso deixem de olhar para o umbigo, que apenas reflecte o vosso ego, e mostrem que têm as capacidades para ser poder e saber estar no poder.
Para isso, elevem o discurso e deixem lá de apontar os dedos a quem não merece sequer uma leitura em diagonal: lembrem-se de que tudo o que agora escrevem, pode e será usado contra vocês num futuro próximo.
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Imagem: Jim Media com uma licença Creative Commons
1. Meter dinheiro num produto financeiro de um banco privado sem ler todas as condições do contrato.
2. Perder o dinheiro
3. Fazer manifestações, greves de fome, dar beijinhos ao Nuno Melo
4. Reaver o dinheiro (através do Orçamento de Estado e pago por todos os Portugueses)