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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

30
Mar11

Tô voltando, diz ela

Vitriólica

Não sabe ainda como vai ser, desde que levou um coice de uma vaca louca há uns seis anos nunca mais foi a mesma.

Ah, mas quem resiste ao furacão de energia que é a Sôdona Cat (aliás, a distinta Catarina Campos)? Esta mulher é uma verdadeira força da natureza (eu tamém - mas mais prò meditativo, enquanto ela é mais activa), e resolveu reabrir as janelas quase-fechadas deste magnífico blog.

 

Tudo isto pra dizer que tá na altura de sacudir esta capa cinzenta de poeira que se me tem acachapado sobre o cérebro, e soltar a franga (aliás, o Galo) do pensamento - ao qual, disse o Poeta, não há machado que corte a raiz...

 

Tábem, muito bonito mas não diz nada; e depois? Usando esta técnica muita gente ocupou altos cargos dirigentes neste (e provavelmente noutros) país(es). Por esse lado, tudo bem; sou só mais uma, com uma vantagem - saio barata: não preciso de carro com chófer, nem de telemóvel pago, cartão de crédito ou chorudas ajudas de custo.

Ao contrário das empresas e fundações do Estado, vivo os tempos normais como se houvesse crise, e a crise como se fosse outro tempo qualquer. Não gasto mais do que tenho, não compro o que não preciso, não me empenho pra comprar o que não me faz mesmo falta para viver.

Prestações só do carro e da casa, cartão de crédito só pra comprar algumas coisitas na Internet; logo, não tenho culpa nenhuma da porcaria da dívida, mas pago-a em grande como todos os outros portugueses; não sei onde fica Cancún, roupas de marca gosto mais de vê-las no manequim da montra da loja. Jantar fora só se for na varanda, que pra comer mal (e pagar "bem") como na minha casa - já dizia a minha mãe, e eu não podia concordar mais!

 

E prontos, antes que meta os pés pelas mãos e comece a misturar alhos e bugalhos ("Não, não sou a únicaaaa!"), vou parar por aqui com ma citação desse monstro sagrado da representação cinematográfica e da política amaricana chamado Arnold Schwarzenneger:

I'll be back!

14
Abr10

Activismo 2.0: Como colocar 99 rolhas no Telejornal.

FF

Background

 

No passado dia 14 de Março, o PSD reunido em congresso em Mafra, aprovou no seu último dia de trabalhos, uma cláusula nos seus estatutos que limitava a liberdade de expressão dos membros do partido, 60 dias antes de qualquer acto eleitoral em que o partido estivesse envolvido. Esta liberdade de expressão foi limitada por proibir qualquer crítica à direcção do partido e seus dirigentes, sendo que uma das penalizações previstas era a de expulsão.

 

Assim que terminou o congresso de Mafra, os principais candidatos a novos dirigentes do partido vieram a público dizer que a lei não fazia sentido e que se teria que ratificar assim que possível. O facto é que a lei estava aprovada e que limitava a liberdade de expressão dentro de um partido democrático. A lei  foi imediatamente tratada como a "Lei da Rolha" quer pelos jornalistas quer por membros do PSD.

 

No mesmo congresso em Mafra, o PSD reverteu aquilo que era já uma prática comum e não deu acreditação a bloggers (escusando-se na falta de espaço). Dois membros deste blogue deslocaram-se mesmo assim a Mafra, apesar de não termos acreditação, e reportámos via twitter aquilo que estava a acontecer e a que íamos tendo acesso. Após 10h de contactos e de alguma pressão bem humorada junto das diferentes candidaturas conseguimos finalmente entrar no congresso com acreditações fornecidas por elementos das duas candidaturas.

 

Quer o bloqueio aos blogues quer a nossa experiência para entrar no congresso do PSD em Mafra foram na altura relatadas pelo Público e pela TVI Online. No final do congresso os dois elementos deste blogue tinham produzido mais tweets sobre o congresso do que qualquer outra pessoa, mesmo os que estavam no interior do congresso.

 

O Caso da Rolha

 

No passado fim-de-semana o PSD esteve novamente reunido em Congresso, desta vez para aclamar o novo líder Pedro Passos Coelho. A "Lei da Rolha" tinha ficado fora do Congresso, não ia ser discutida e o sentimento geral era o de quanto menos se falasse na lei melhor seria.

 

A liberdade de expressão, em todas as suas formas é algo que me interessa pessoalmente e, mesmo que pense que em Portugal a liberdade de expressão existe, penso que uma lei destas em qualquer partido que se diz democrático não faz sentido. Penso que a cidadania passa por chamar a atenção, na medida das possibilidades de cada um para estes assuntos. Foi por isso mesmo que decidi levar a rolha, literalmente para o congresso. Durante as férias da Páscoa colocaram-se os sobrinhos a pintar o número 31 em 100 rolhas (uma perdeu-se mesmo e continuo a desconfiar do cachorro) e levei-as para Carcavelos. De notar que para este congresso os bloggers receberam uma acreditação equiparada à de jornalistas e que as condições de trabalho foram excelentes.

 

No primeiro dia de Congresso comecei por dar rolhas aos jornalistas que ia encontrado bem como a caras conhecidas do partido e explicar-lhes o porquê da oferta. Alguns aceitaram-na com um sorriso, alguns aceitaram-na porque pensaram que não a poderiam recusar e outros aceitaram-na reconhecendo imediatamente o simbolismo da mesma. O caso de Miguel Relvas que se desatou a rir quando lhe entreguei a rolha e depois a mostrou aos jornalistas da SIC, minutos antes de entrar em directo, é exemplo disso.

 

Por esta altura já o Público e a TVI online tinham referido que se distribuíam rolhas em Carcavelos.

 

Quando se combina um evento político, que está no mínimo morno,  com os media que precisam de notícias, o resultado é uma fórmula vencedora
para quando se quer chamar a atenção para um determinado assunto.

 

Sábado pela manhã, um jornalista da SIC aproximou-se de mim para me fazer uma entrevista, em directo, sobre a distribuição de rolhas. Ao final do dia todas as televisões presentes já me tinham entrevistado (O Mr. Simon não foi doido o suficiente para se meter nisto ;-)), várias rádios já o tinham feito e muitos jornais online tinham pegado na notícia feita pela LUSA.

 

Figuras importantes do partido tinham sido obrigadas pelos jornalistas a falar sobre o assunto e os comentadores políticos presentes estavam também a debater o assunto.

 

O objectivo de trazer a lei da rolha para o congresso estava cumprido.

 

Metodologia

 

Não existe um segredo ou uma fórmula para o que aconteceu em Carcavelos mas alguns pontos deverão ser tomados em conta:

 

  1. Conhecer o público alvo: Entregar uma rolha a um elemento anónimo do partido ou a um dirigente (ou cara conhecida) faz toda a diferença. Procurar aqueles que contam e fazer deles o alvo faz toda a diferença.
  2. Ser específico no objectivo: Esta acção em particular tinha a ver com a liberdade de expressão e nada mais. Focar o discurso no assunto principal e não deixar que o mesmo se disperse é fundamental.
  3. Ser provocador (mas não mal educado): Alguns comentários foram feitos devido aos sorrisos que aparecem nas reportagens de televisão. A verdade é que ninguém gosta de um bully (muito menos um com aspecto de skinhead, certo Nogueira Leite?) Não ser intrusivo e não interromper (regras básicas da boa educação) é fundamental. Esperar o momento certo e avançar é o segredo. Sorrir também não faz mal nenhum.
  4. Ter a atenção dos media: O facto de os jornalistas terem primeiro recebido uma rolha antes que os membros do partido não foi um acaso (nem uma tentativa de manipulação antes que alguém salte em cima). O teaser para esta acção tinha sido lançado no Twitter e no Facebook no dia anterior ao início do congreso através desta foto.
  5. Usar as redes sociais: Por cada rolha que foi entregue foi enviado um tweet a anunciar a entrega. Esses tweets no entanto ficaram diluídos na mesma hashtag usada para o congresso (#psd2010) pelo que uma das lições a tirar é sem dúvida usar uma hashtag só para a acção que se está a fazer. Neste caso #rolha seria o ideal.

 

Em baixo fica um dos clips sobre esta acção. No canal do YouTube do "31 da Sarrafada" podem ser vistos os restantes clips que foram possíveis gravar pelo Franklin Ferrer, a quem quero agradecer publicamente pela ajuda.

 

Um agradecimento também à Sara Marques e ao Luciano Alvarez pelo apoio quer em Mafra quer em Carcavelos.

 

 

 

 

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