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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

12
Nov10

O INPI, o ISCTE e as camisas por engomar

FF

 

Anda por aí tudo a falar do valor de €20.400 pagos pelo INPI ao ISCTE para gerir a sua conta de Twitter. Ao ler a notícia no Correio da Manhã - who else? - fica-se com a sensação de que se pagou essa quantia para proceder à abertura da conta; ao se ler a reacção do INPI fica-se a saber que afinal os €20.400 pagos cobrem o período de um ano e que estão envolvidas duas instituições - o ISCTE e a uma empresa chamada "5ª Potência" - que são responsáveis por criarem os conteúdos e gerirem a conta do INPI bem como produzir uma newsletter mensal.

 

Diz a Alda Telles que do que viu superficialmente "parece-me uma timeline cuidada e diversificada, orientada para os objectivos enunciados, e de quem sabe utilizar a ferramenta." Eu discordo totalmente nesta parte mas não me parece que o valor em causa seja escandaloso: afinal dividindo os €20.400 por duas entidades por ano, dá €850 por mês a cada uma.

 

Se é sabido que anda por aí muito boa gente a fazer uma fortuna com isto das redes sociais e a pagar miseravelmente a quem de facto faz o trabalho também é sabido que preparar conteúdos que consigam gerar o tal do engagement que está tão na moda não é tarefa simples.

 

E aqui a conta do INPI falha total e redondamente, isto é, quem gere de facto a conta falha total e redondamente. Porquê?

 

1.  No último mês a conta do INPI gerou 1 RT - se excluirmos os RTs feitos hoje ao desmentido - o que diz claramente que as poucas pessoas que seguem a conta não acham o conteúdo o interessante o suficiente para o espalharem pela sua respectiva rede.

 

2. Nenhum dos tweets inclui uma ou mais # que os fariam cair no radar de quem não segue a conta mas esteja interessado nas temáticas abordadas.

 

3. Não existe um cuidado - como o exemplo da imagem acima - no que está a ser enviado. O twitter não é um concurso de speed typing especialmente quando se está a ser pago para isso e se está a representar uma instituição ou marca.

 

Este caso do INPI é interessante por duas razões distintas:

 

1. O valor pago pelo serviço não é escandaloso, antes pelo contrário.

2. O INPI adjudicou o serviço a quem não percebe absolutamente nada de Twitter, tornando o preço pago um escândalo.

 

Até pode haver aqui um tacho, um boy ou girl favorecidos - com €850 por mês - mas o que é um facto é que o INPI adjudicou um serviço a ser prestado durante um ano por €20.400. Como no INPI ninguém percebe nada de Twitter - senão não tinha feito outsourcing - os seus responsáveis nem sequer souberam estabelecer objectivos para a conta o que se traduz no número de seguidores da mesma e no seu alcance real após um mês de funcionamento.

 

Isto mal comparado é contratar uma pessoa para nos engomar 100 camisas por €50 e depois as camisas serem entregues todas mal passadas ou queimadas e não podermos fazer nada. O preço até estava em linha com o que praticam outras engomadeiras mas o resultado final custou muito caro.

 

E esse é o facto realmente escandaloso em toda a esta história.

14
Out10

#Austeridade Matosinhos paga €83.000 pelos Xutos&Pontapés. O resto do país paga metade.

FF

 

É mais um caso onde é evidente o desrespeito pelo erário público.

 

A CM de Matosinhos pagou €83.000 por um concerto dos Xutos&Pontapés em Abril do ano passado.


Com os dados disponíveis no BASE, e depois de alguns cálculos apura-se que ao se contratar os Xutos&Pontapés directamente o preço médio é de €38.900 e ao contratar os Xutos&Pontapés através de uma agência o preço médio é de €41.362.

 

Excepto em Matosinhos que gastou €41.638 mais do que poderia ter feito. Isto em refeições escolares dá quanto?

 

Fotografia: Hugo Cadavez (CC by)

 

 

14
Out10

#Austeridade O BASE, o Hipermercado e a lata de sardinhas

FF


Diz o INCI que os contratos "não desapareceram da base de dados. Estarão, assim, a ser rectificados." [Fonte JN].

 

Sobre o facto de o BASE ter estado ontem offline, até hoje de manhã, nem uma palavra.

 

O INCI - ou os seus responsáveis - querem-nos fazer crer que para rectificar dados numa base de dados é necessário desligar a mesma.

 

Isto é o equivalente a que cada vez que um cliente retirasse uma lata de sardinhas num hipermercado o mesmo fosse obrigado a fechar - correndo com todos os outros clientes de lá - até que fosse feita a reposição da dita lata de sardinhas.

 

Como todos sabemos isto não acontece e é por isso que alguém no INCI - ou no MOPTC que o tutela - deveria de imediato esclarecer a razão que levou ao downtime do BASE, apresentando documentos se assim for necessário para o provar.

 

É que de "erros informáticos" estamos todos fartos!

 

Foto: S.Alt (CC by-nc-sa)

14
Out10

Guest Post: "Por estas e por outras" por João Pedro Graça (@apdeites)

31 da Sarrafada

 

 

 

 

 

(Snapshot de 2 ajustes directos que foram retirados do BASE a 13.10.2010)

 

 

O grande "hype" inicial foi em princípios do ano passado. Na semana de 10 a 17 de Janeiro de 2009, não deve ter havido um único órgão de comunicação social que tenha ignorado o assunto, a começar por aquilo que mais chamou a atenção geral: uma fotocopiadora por mais de 6,5 milhões de Euros para a Câmara Municipal de Beja.

Esta e outras espantosas "aquisições" espalharam-se rapidamente pela "blogosfera"; já no dia 13 desse mês, a multimilionária engenhoca bejense era referida, por exemplo, no blog O Insurgente, o qual, por sua vez, referia como fonte um outro blog, com o sugestivo e apropriado nome de "Tirem-me Daqui!".

 

No dia seguinte, 14, já muitas outras verdadeiras pérolas tinham sido descobertas por diversos bloggers, como a "recuperação de um lago existente" adjudicada a uma empresa de materiais de escritório (no blog Blasfémias), um ligeiro de mercadorias pela módica quantia de 1.236.000,00 (verdadeira pechincha, referida no Apdeites) ou os «600 mil Euros para o vinho e quase 150 mil para reparar uma porta» que o blog Bitaites descobriu.

 

Um pouco por todo o lado, em blogs às centenas, nos jornais e nos noticiários, foram surgindo vertiginosamente casos cada vez mais escandalosos de gastos faustosos, alguns deles tão absurdos que depressa se começou a suspeitar ou da fiabilidade dos dados ou do algoritmo de pesquisa que permitia obter tão extraordinários resultados. Ora, os dados provinham todos de um site governamental, o BASE, onde se encontram os "ajustes directos" contratados pela Administração Pública, e a pesquisa era efectuada por um "site" externo, tendo o "motor de busca" sido desenvolvido por uma organização independente, a ANSOL.

 

A iniciativa de criar a rotina de pesquisa surgiu, por parte da ANSOL, porque o site governamental BASE não tinha, naquele tempo, qualquer ferramenta de busca. Como é evidente, a rotina de pesquisa estava correcta, pelo que todas aquelas milionárias adjudicações só poderiam resultar de... erros de digitação!

 

Bastou, aliás, criar uma rotina de pesquisa Google para comprovar a evidência: uma pesquisa não inventa dados, apenas mostra resultados dos dados pesquisados. A necessidade deste simples exercício de tautologia nunca deveria ter surgido, é claro, mas à época não foram poucas as vozes que levantaram suspeições sobre o rigor das pesquisas e sobre as intenções de quem as fazia.

 

Exactamente o mesmo que sucede agora, mais de um ano e meio depois e ao fim de longos meses de um ensurdecedor silêncio sobre a "transparência na Administração Pública" e os escândalos sucessivos dos chamados "ajustes directos".

 

Logo a seguir ao estalar daquela primeira "bronca", repita-se, em Janeiro de 2009, o site governamental esteve encerrado durante semanas (ou meses) para, segundo foi garantido por responsáveis, se "corrigirem" os tais "erros de digitação". E nunca mais ninguém tocou no assunto, daí em diante. Até que...

 

Até que, no passado dia 3, o blog 31 da Sarrafada - a propósito das medidas de austeridade leonina previstas pelo PEC III - descobriu novas e rebrilhantes pérolas no mesmíssimo site do Governo, o agora renovado e supostamente "corrigido" BASE; ainda para mais sabendo que, depois da dita "remodelação" de 2009, agora aquilo até já tem rotinas de consulta e pesquisa próprias e tudo, nem é preciso usar qualquer outra ferramenta (mas nunca fiando).

 

E o que se passou em 2009 repetiu-se exactamente da mesma forma: novas e cada vez mais inacreditáveis adjudicações foram descobertas e denunciadas no Twitter, no Facebook, nos blogs e, por fim, nos jornais, nas estações de rádio e em todos os canais de televisão. O blog 31 da Sarrafada elaborou uma cronologia desta mais recente vaga de escândalos.

 

Claro que os argumentos contra todas estas pesquisas e, principalmente, contra os seus autores, repetem-se agora também da mesma forma, um verdadeiro decalque do sucedido há 19 meses; o contra-ataque dos defensores do indefensável aí está de novo em toda a sua pujança assanhada, com a mesma violência verbal e com as mesmas suspeições, em suma, levantadas contra quem se atreve a exercer os seus direitos e - principalmente - os seus deveres de cidadania.

 

Que são erros de digitação, dizem eles, os indefectíveis do indefensável. Mas... outra vez?Se aquilo não passa de um poço sem fundo, se contém milhares de "erros" e só meia dúzia de coisas correctas, para que diabo serve?

 

Dizem eles que isto é uma "campanha negra" contra o Governo e, em especial, contra José Sócrates, o seu idolatrado anjo, impoluto e virginal. Mas... o que tem Sócrates a ver, por exemplo, com a adjudicação de uma campanha publicitária ao Futebol Clube do Porto por parte da Câmara Municipal de Matosinhos?

 

Que já estão a corrigir aquilo, dizem eles. Mas... corrigir é o mesmo que apagar? Se havia erros, porque retiraram, esconderam, escamotearam apenas, cirurgicamente, alguns dos mais escandalosos casos denunciados pela opinião pública*?

 

Pois bem, assim sendo, agora dizemos nós: todos os cidadãos portugueses têm o direito e o dever de escrutinar a política e os políticos do seu país.

E ainda mais dizemos, nós outros: podem espernear, barafustar e até espumar de raiva; lá nisso, estejam absolutamente à vontade; enquanto o país Portugal não for declarado oficialmente como uma verdadeira República das Bananas, cá estaremos, nós outros, para travar o passo a qualquer espécie de abuso, de qualquer prepotência, de qualquer opulência ou, simplesmente, de qualquer vigarice que faça qualquer político ou governante, da esquerda, da direita ou do centro.

 

Bem, se calhar é abusivo usar nisto aquele pronome, o "nós" que a tantos compromete. Pois. Pensando melhor, falo apenas por mim próprio.

Digo eu, por conseguinte.

 

João Pedro Graça


* O primeiro órgão de comunicação a denunciar os "apagões" na base-de-dados oficial terá sido o Diário dos Açores.

A RTP, entre outros canais que não estiveram pelos ajustes, noticiou o "desaparecimento" de adjudicações.

13
Out10

#Austeridade Software Microsoft na Administração Pública

FF

 

(Imagem em Alta Resolução aqui)

 

 

Os gastos da administração pública em software Microsoft ascenderam aos €17.897.048,84 nos últimos 2 anos. Estes gastos foram realizados entre aquisição de novo software, renovação de licenças e "manutenção" das mesmas.

 

Sendo que existem alternativas em termos de software livre que outros países já adoptaram, e continuam a adoptar,  (França, Noruega, Brasil e Estados Unidos entre outros) é fundamental que o estado Português comece a cortar com a sua dependência da Microsoft e siga as melhores práticas que trazem pelo menos duas vantagens:

 

1. Redução de custos

2. Incentivo ao desenvolvimento de software baseado em tecnologias open-source localmente.

 

Enquanto isso não acontece, não se percebe como é que o estado Português não compra directamente à Microsoft (a única excepção foram os CTT) poupando nas margens dos intermediários.

 

Retirando os €4.96.480 dos CTT (que adquiriu o seu software directamente à Microsoft Irlanda) a CPCIS é responsável por 32% do fornecimento de software Microsoft à administração pública, muito acima da Microsoft Portugal que fornece ao estado Português aproximadamente o mesmo que o El Corte Inglês Informática.

 

Fonte: BASE (apenas Ajustes Directos)

 


 


 

13
Out10

#Austeridade O Livro que não existe

FF

 

O Município de Trancoso adjudicou a "Edição de Obra Bilingue de Promoção Turística de Trancoso" em Abril de 2010, por €44.860,00.

 

O prazo de execução era de 30 dias pelo que seria de esperar que o livro já estivesse à venda no posto de turismo de Trancoso.

 

O problema é que o livro não existe.

 

Num telefonema para o posto de turismo de Trancoso fomos informados de que não sabiam absolutamente nada sobre tal livro e que se o livro existisse este estaria à venda no posto de turismo.

 

Em posterior contacto o vereador João Carvalho (PPD/PSD) informou o posto de turismo que não havia qualquer informação sobre nenhum livro e que o mesmo não tinha sido discutido em Assembleia Municipal.

 

Como pode ser um livro adjudicado - e pago supõem-se - sem conhecimento da Assembleia Municipal?

 

Quantos casos existem semelhantes a este?

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