Este será na melhor das hipóteses um excelente momento de despertar consciências, se não as políticas, pelo menos alguma consciência cívica, tão amorfa entre nós. Cabe-nos a nós TODOS aproveitá-lo
As mudanças radicais não são possíveis no Portugal actual. Mais que não seja por total falta de opções, estando mais perto de um deserto de alternativas como a Líbia do que um Egipto onde um ainda "duvidoso" exército gozava e soube capitalizar bem a credibilidade da opinião pública (aparte existirem já muitos grupos de resistência organizada, o que cá não há e entende-se porque ainda assim a existência de liberdade retira-nos essa necessidade de resistência a algo).
É impossível pedir uma total mudança de regime. Que outros políticos (ou não) teríamos para colocar no lugar dos actuais? Penso contudo que podemos, sim, fazer exigências: que se cumpra a constituição, que o Estado se comporte como uma pessoa de bem, que os políticos e governantes se rejam pelos valores da ética, boa moral, bons costumes, lisura, honestidade; que sirvam o país em nome da causa pública e nenhum outro valor pessoal ou partidário.
A nós, devemo-nos a obrigação de zelar para que assim seja, e fazer o Estado (país, nação, pátria) sentir que reclamaremos se não forem estes os valores pelos quais somos governados.
Eu sou e estou optimista. Não num futuro imediato, mas que me parece estar a chegar mais depressa do que eu pensaria ou poderia esperar.
O mundo move-se rápido para que estas revolução não alastrem mais. Eu acredito que esta revolta é imparável. Que estamos no início de uma mudança de paradigma civilizacional. Que do Médio Oriente alastrará a África, à China, à Europa, com surtos de contestação a começarem a verificar-se em alguns países de leste (como já acontece na Sérvia), Escandinávia (já se verifica na Islândia), Reino Unido (onde penso começará de facto a agitação social em massa na Europa devido a insatisfação de sindicatos, estudantes e, sobretudo, forças armadas, um real e actual problema no UK de onde poderão surgir surpresas já nas próximas semanas, Europa central mais tarde - por influência dos novos fluxos migratórios do Magrebe para a Europa - num efeito cascata que por fim chegará a Espanha e Portugal.
Haverá muito sofrimento nos tempos futuros, sem dúvida. Subida dos preços dos alimentos, fome, agravamento das dificuldades financeiras... mas infelizmente também estou convicto de que só este sofrimento poderá tirar as pessoas do estado de torpor, dos dia-a-dia de luta por (sobre)viver e despoletar a revolta social. Pacífica, assim saibamos nós - todos - ser o exemplo dos valores que defendemos e reclamamos.
Não sei se idealismo meu mas creio de facto que vivemos tempos de mudança. Que o mundo vai mudar. Para melhor. E que cá podemos começar já a exigir mudanças, de atitude, mais que não seja e já seria muito, por parte de todos: políticos, governantes, empresários, banca, finança, justiça mas também nós, cidadãos, que para exigir teremos que estar dispostos a dar algo em troca: o nosso esforço, o nosso empenho. Nada, comparado com exemplos que vemos onde é a própria vida que estão dispostos a dar em troca do direito a uma vida digna.


Ao ler o que escreve Mário Soares no DN sobre o anunciado protesto a que foi dado o (infeliz) nome "Geração à Rasca" fico com a sensação de que há uma outra geração que começa a ficar "à rasca". A que nos deixou o país neste estado e a quem agora pedirmos conta de um passado desperdiçado, de um futuro hipotecado. A que continua a não perceber que são eles quem continua a manter o fascismo/salazarismo vivo não nós. Agradecemos a liberdade a quem no la deu - e não foi o senhor Soares em França ou o senhor Alegre na Argélia, foram os Homens que se revoltaram e tomaram uma atitude, não os que chagaram no dia seguinte para colher os louros e começar a brincar ao "vamos governar um país" e quem mantêm vivos os fantasmas do passado acreditando que ainda nos assustam. Não assustam, nós somos já uma geração de liberdade e por muito que queiram não temos culpa de não termos lutado contra o fascismo ou não termos sido perseguidos pela PIDE... eu peço desculpa por isso, mas tinha 6 anos em 1974.
Agora esta geração começa a perceber que o "perigoso niilismo" de que fala o senhor Soares é o estado actual em que sob a capa da teórica liberdade - que se há a de expressão, muitas outras faltam e opressão estatal é uma realidade - começam os donos de Abril e da liberdade e da moral e de Portugal e dos AllGarves a ficar à rasca, sim, porque tudo o que não se percebe assusta. Assusta o ROCK dos Deolinda, porque se os jovens ouvem, é rock; assustam pessoas que se juntam sem ser em partidos ou sindicatos ou outra qualquer organização infiltrável e controlável; assusta a possibilidade de ter que prestar contas sobre o passado; assusta aquela incerteza de futuro (e se assusta, então sabem o que nós sentimos, só que não sabem que sabem... porque tudo isto, NÓS, é novo para a Geração Soares).
O próprio senhor Soares anda um pouco baralhado, começando por escrever sobre a música de Deolinda e, sem a conhecer opinar, depois conheceu e não gostou do que leu... Temos pena. Já agora ouvia também, partindo do princípio que conseguirá distinguir rock do estilo musical que os Deolinda interpretam (que entretanto o senhor promovei de pop a rock) e depois confundindo o "Protesto da Geração à Rasca", que não é um blogue, é um evento, livre, vai quem quer - o que ele chama de "antidemocráticos" portanto. Com certeza alguém poderá explicar ao senhor a diferença entre um blogue e um protesto e já agora falem-lhe no Facebook e nas redes sociais e ele verá que o mundo tem vindo a mudar desde Abril de 74.
De facto "Não se trata de anarquistas. Nem, muito menos ainda, de marxistas, nem sequer de islâmicos radicais." quem agora recusa calar a indignação (categorizemos assim as pessoas e depois demos vivas à liberdade, não é senhor Soares?). Tampouco somos niilistas. Temos sido até agora, sim, quietos, calados, encarneirados. Agora não queremos mais um país sem rumo. Porque vocês que nos têm governado são perigosos, antidemocratas, niilistas. Parece que esperam que alguém (Alemanha, EUA, URSS, etc.) lhes indique um caminho. Mas qual e quem? A isso respondo: não, muito obrigado! Já tivemos disso 36 longos anos e não queremos mais…
Percebe, senhor Soares? Os "vossos" 48 anos são para nós já quase 37, livres, sim, mas desperdiçados. Ao contrário do que pensa(m), na verdade nós queremos enfim cumprir Abril. Não era essa a ideia?
Não gosto muito de despedidas, até porque todos nós "vivemos" noutro blog qualquer ali ao lado; pelo que isto é simplesmente um "vou para ali e já não estou aqui".
O Sarrafada foi e é um projecto do caraças. Tenho imenso orgulho de ter participado, diverti-me imenso, gostei mesmo muito. Pela minha parte, agradeço aos sarrafeiros, autores e leitores, porque todos são o Sarrafada. E continuarei a ser leitora assídua e entusiasta. Bem haja e até outro lado qualquer :)
Os devidos e merecidos parabéns a toda a equipa do SAPO que faz hoje 5 anos de idade.
Parece que o probleeeeema é que vem aí o fundamentalismo islâmico quando o probleeeema é que 30 anos de governos de partidos da Internacional Socialista não criaram qualidade de vida às populações de forma a afastar o fundamentalismo. Antes pelo contrário. Oligarquias familiares, saque e corrupção, e a função social do Estado inexistente, e habilmente preenchida por movimentos com o Hamas, o Hezbollah ou a Irmandade Muçulmana. Os fundamentalistas aprenderam mais connosco do que nós com eles. E tudo isto é novidade. E o gozo é mesmo esse: estava toda a gente formatada para apontar o dedo aos partidos comunistas e à cumplicidade com os totalitarismos a Leste e eis senão que... os mencheviques conseguem ser mais perversos que os bolcheviques.
E o supra sumo do cinismo é dizer que a Europa pode ter papel determinante no futuro político dos países árabes e do Magrebe pós-revoluções - igual ao que teve nos últimos 30 anos? - quando o nosso secret wish era termos um novo Adriano. Essa é que era.
(Em stereo)
(Imagem via Associated Press)
Então, agora... numa altura em que o Povo, está a tomar o poder pelas suas mãos, assistimos a um golpe de estado no Bloco de Esquerda?
Então as comadres estão chateadas?
Querem ver que qualquer dia ainda tentam definir ideologicamente o BE?
Se calhar deviam ter-se lembrado antes de terem metido tudo dentro da liquidificadora.
Agora que têm um belo batido de tutti-fruti é que se lembram de andar a tentar apanhar os bocadinhos de bananas?

Imagem: "Burn Baby Burn" ![]()
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Personagens como Joe Berardo, que está morto em casa há pelo menos 37 anos sem que o fisco, a vizinhança, ou a comunicação social tenham dado por isso, devem ser estimulados e incentivados a virem a terreiro dizer o que lhes vai na alma como forma de trazer os jovens de volta à política e à contestação.
Falar à geração actual (18/ 20 anos), nascida e criada com a Democracia consolidada, em «“mudar o sistema político”, nem que seja com “um novo género de ditadura» é encher as ruas de jovens, logo no dia seguinte, a levantar as pedras da calçada. Abençoado Berardo!
(Em stereo)
(Imagem)
É muito fácil caricaturar o nosso país. O raio da terra e das suas gentes põe-se mesmo a jeito. Mesmo correndo o perigo de pisar o periogoso e minado terreno das generalizações, há sempre um ou outro aspecto no qual nos revemos enquanto povo.
Lembro-me sempre de como somos enquanto adeptos do futebol, por exemplo. Ou nos sentimos capazes de conquistar o Mundial, independentemente de sabermos ou não se nos qualificamos para a fase final, ou caímos na mais absoluta depressão por pensarmos que não vamos a lado nenhum, quando até empatamos em casa com potências do futebol mundial... tipo a Albânia (mas sempre com a profunda convicção que somos realmente extraordinários).
Correu por aí a ideia que o novo trabalho do grupo, "Parva Que Sou", transformou-se numa espécie de hino de uma geração, supostamente de grandes qualificações literárias, que não consegue entrar no mercado de trabalho. Não tem perspectivas, a não ser continuar a morar em casa dos pais e ir evoluindo na carreira académica até ao máximo permitido (que pode nunca acabar, havendo dinheiro para as pós-graduações). Para espanto de alguns, passo esta música em frente. Mas volto atrás no tempo para lembrar uma outra que serviu de bandeira do grupo no ano passado, chamado "Movimento Perpétuo Associativo". Estão recordados da letra? Agora sim por mil e uma razões, mas logo de seguida agora não por outra quantidade de argumentos esquizofrénicos.
O país anda pelos cabelos com a (des)governação socialista e com o comando técnico socrático. Uma grande maioria da população parece quer vê-lo(s) pelas costas quanto mais não seja pelo simples facto de estar a chegar a hora da rotatividade partidária, da qual já aqui se falou em tempos. Num período de alguma agitação social (greves nos transportes públicos quase todos os dias da últimas duas semanas) de pedidos de demissão de ministros, o povo pensa: agora sim, damos a volta a isto; agora sim, há pernas para andar; agora sim, sentimos um optimismo... E eis que um partido político lança o mote para fazer cair o Governo. O país fica atónito. Moção de censura? Grita-se pelos corredores da Assembleia da República IRRESPONSABILIDADE POLÍTICA. O povo vai lamuriar-se para os fóruns das rádios e das televisões: agora não, que os mercados financeiros não querem; agora não, que ainda há pouco viemos de eleições; agora não, que vai ser expulso um gajo do ídolos e a malta quer mesmo ver!
Os Deolinda podem ficar na história, sim, mas não com hinos de gerações. É com mais um retrato caricaturado de uma sociedade que passa a vida a oscilar entre o desmesurado optimismo do agora sim, vamos em frente e ninguém nos vai parar; agora sim, há fé neste querer e o pessimismo descontextualizado do agora não, que me dói a barriga; agora não, dizem que vai chover; agora não, que joga o Benfica e a malta tem mais que fazer!
E vai-se andando...
A parte, digamos, mais saborosa, é a da criação de uma agência, a "Portugal Music Export". Jobs for the boys como diria o beato.
"Os artistas sonham, o Estado decide e a obra nasce". Faltou dizer “o contribuinte paga”. A vida é bela.
Meanwhile as vozes incómodas dos artistas, os mesmos de sempre, nos sítios do costume, só grandes músicas e a melhor música de todas as estações (e apeadeiros), mais as Deolindas manhosas à procura do “venha a nós o vosso reino” (os bilhetes para a Sombra são mais caros que para o Sol, é por isso que as corridas nocturnas são mais democráticas) ficam macias. Granulação acima de 2000, só para tirar o brilho. Não se morde a quem nos dá de comer, um velho ditado salazarento. A esquerda sempre teve um jeito especial para tratar destes assuntos da kultura.
Pão e circo. Equação perfeita. Não se dera o caso de ir faltando o pão.
(Em stereo)

Apenas 15 dias depois do day-after das presidenciais, começam a puxar para trás os lençóis da cama onde o governo se prepara para o repouso eterno. É certo que, para muitos, o executivo vai deitar-se no leito que preparou para si, mas não deixa de ser curioso perceber que os habituais tarólogos da política já deram o tiro de partida para o (im)paciente voo dos abutres.
Afinal, se o governo está morto, está na hora de se começar a debicar o cadáver. Digo debicar porque há quem considere que ainda não está na hora da refeição. Há que esperar o momento certo e não haver precipitações, até porque pode ser de Belém que venha a certidão de óbito, agora que o segundo mandato parece tudo legitimar.
Uma coisa é certa: o governo pode não ter morrido, mas virou, com toda a certeza, um daqueles sacos de areia em que os boxistas fazem o seu treino, aquilo a que vulgarmente o povo gosta de chamar de 'saco de pancada'. De tal forma, que até há quem, de dentro, aproveite para ajustar contas passadas, escudados pelo legítimo direito à diferença de opinião e liberdade de a expressar.
Agora, é o caminho mais fácil. Aliás, chegou a hora dos fracos sairem de cena de fininho para, na hora do funeral, poderem até alinhar na maledicência ao falecido bem como os oportunistas que, percebendo que terão de colocar na loja o letreiro do 'Volto Já', começam a encher o porquinho mealheiro para o tempo de vacas magras que se avizinham. Há até números que, oportunamente, aparecem nestas alturas libertando apenas comentários do género "Que grande novidade!" A minha dúvida é só esta: esta sondagem reflecte o momento ou um sentimento de leitura mais ampla?
O governo morreu, viva o governo! Porque como dizia a minha avó, atrás de mim virá quem de mim bom fará.
Imagem: "Vulture" ![]()
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Faz hoje 50 anos, ainda não era nascido, que se deram os acontecimentos que levariam a que 14 anos depois caíssem de “pára-quedas” na minha turma na então recém inaugurada escola secundária da Bela Vista em Setúbal, o último grito ao nível das escolas, ainda sem o gueto e sem guetos dentro do gueto como paisagem, um seres vestidos de modo estranho, sempre de camisa e sandálias de sola de pneu de camião, fizesse chuva ou fizesse sol, que tratavam as raparigas por garina e os rapazes por madiê, não sabiam onde parava a família desde que tinham dado à costa em Lisboa, mas moravam num hotel apesar de terem menos dinheiro que eu, não gostavam do Duo Ouro Negro porque era música para enganar europeu e em contrapartida ouviam Osibisa, Miriam Makeba, Fela Kuti, e Jorge Mendes & Brasil 66, umas coisas muuuuuitos boas que me deram a conhecer e das quais nunca mais me esqueci, numas festas que organizavam aos sábados à tarde, farras de seu nome, e para as quais me convidavam. A estrela que “traziam cozida” na banda do casaco dizia “Retornado” mas na realidade eram refugiados porque ninguém retorna a uma terra que não o viu nascer, e vestiam assim porque era o que tinham em cima do pelo no dia da partida. Ainda hoje somos amigos.
(Em stereo)
(Na imagem mapa do império colonial português igual ao que havia na parede da minha sala de aulas na escola primária)

Aviso: este post é uma reciclagem do anterior com um pequeno up-grade!
Sinceramente, não sei se é por causa de uma certa vertigem do fim, mas a verdade é que certos membros do Governo estão a criar práticas muito estranhas para os hábitos da democracia portuguesa. Vamos directamente à novidade.
Então a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, decidiu, por livre iniciativa ir à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura explicar a integração dos teatros S. João e D. Maria II no Opart? A TSF adiantou mesmo que o pedido enviado pela ministra é mesmo uma medida inédita no país. Claro que tinha de ser inédita. Onde já se viu um ministro ir de livre e espontânea vontade prestar esclarecimentos ao parlamento?
Já não bastava os dois directores-gerais na Administração Interna terem pedido a demissão, tinha agora que vir a ministra da Cultura atirar mais lenha para a fogueira em que estão a ser queimados os velhos costumes da casa.
É o que dá convidarem independentes para o executivo.
Corrompem por completo as normais partidárias e furam esquemas que acabam por expor ao ridículo os companheiros de governo. Assim não dá. Aposto que na próximo Conselho de Ministros, Gabriela Canavilhas vai ficar de castigo a um canto da sala e a escrever 100 vezes no seu Magalhães para ser visto no vídeoprojector à frente do restante elenco ministerial (como o Bart Simpson no génerico da série): PROMETO NÃO VOLTAR A TOMAR A INICIATIVA DE IR PRESTAR ESCLARECIMENTOS AO PARLAMENTO. E proibida de usar o copy/paste!
Claro que tamanho sentido de Estado só podia ser aproveitado pela oposição. Como está referido na peça do primeiro link, o PCP aproveitou logo para pedir esclarecimentos em relação à demissão de Jorge Salavisa, precisamente da presidência do conselho de administração do Opart . Está a ver, Gabriela? Dá-se-lhes a mão e a rapaziada quer logo o braço. Que lhe sirva de lição. O sistema funciona de uma determinada maneira há tantos anos por alguma razão é. É que nem lhe valeu os votos contra do PS!
Por isso é que o povo há-de aplicar o respectivo castigo. E se não for por isso, há-de ser por outra razão qualquer. Ou não!
Imagem: "Broken Hope" ![]()
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Democracia não é sinónimo de liberdade. É só sinónimo de liberdade de escolha. Naquele dia.
No fundo todos somos apenas peões. O norte de África entra em modo-manifestação pela democracia, o ocidente capitalista preocupa-se com o que possa resultar com a democracia resultante e a rapaziada mais lírica preocupa-se com a preocupação do ocidente capitalista, porque nestes países, de gente tão budista zen, não há motivo para que o capitalismo se preocupe.
E ninguém se preocupa se em BurakaNumCudeJudas de África, uma ilha isolada, onde os dez habitantes vieram para a praça manifestar a sua vontade de deitar o chefe ao poço e eleger democraticamente o curandeiro. Sabem porquê?
Porque nessa ilha não há petróleo, nem gás natural, nem nada disso, só bananas (e um poço e duas galinhas que são do chefe).
A parte do ocidente capitalista eu entendo. A parte do lirismo ocidental custa-me sempre a alcançar: agora está o mulherio chanata chanel (a palavra chave aqui sendo “chanata”) a aplaudir as mulheres de roupas ocidentais que aparecem nas manifestações. Daqui a nada, estão a criticar que elas sejam obrigadas a cobrir-se com um pano preto enquanto lhes cosem as ditas. E se for a democracia deles a decidir isso, em que ficamos? Não há motivos para preocupação? Em abstracto, no mundo utópico, não. Mas na realidade, a democracia não é sinónimo de liberdade.