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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

14
Fev10

A liberdade de expressão acaba na foto catita

31 da Sarrafada

 Primeiro pensei que era a brincar. Juro. Só podia ser uma brincadeira. Parva, talvez, mas nada que não fosse uma palhaçada; é o mal de não nos levarmos muito a sério, embora levemos algumas coisas sérias muito a sério mesmo.

 

Passo a resumir a história como ela é:

 



Há um grupo de pessoas que resolve fazer  uma petição a favor da liberdade de expressão (no pressuposto de que ela está em risco, coisa com a qual não concordo, mas adiante). A petição é assinada por quase 10 mil pessoas em 3 dias, o que é muito louvável. Claro que se a liberdade de expressão estivesse realmente em risco neste país, era capaz de nem sequer sair a petição, mas isso são outros quinhentos. O passo seguinte foi organizar uma manifestação à porta da AR para entregar a petição. Tudo muito bem até aqui. Incluindo o facto de serem poucos, as assinaturas é que contam e tudo isso, tudo muito bem também.

 

Vai daí, como eram poucos, os media que lá estavam a filmar e tirar fotos, juntamente com os bloggers, provavelmente terão achado que a coisa não merecia prime time e grandes reportagens. Os bloggers, neste caso os deste blog, acharam que se se tinham tirado as fotografias, pois que se publicavam. Porque não? Somos um blog pequeno, era uma manifestação também pequena e organizada, entre outros, pelos nossos inspiradores e vizinhos 31 da Armada, as fotos até eram giras, siga. E toda a gente achou graça e tal NO DIA. Curioso como depois, a frio, a coisa vira. 

 

Sabe-se lá porquê mas, de repente, a nossa humilde foto reportagem, aqui neste blog farrusco que ninguém lê, passou a ser considerada como dossier policial e umas pessoas que não sabemos quem são oferecem-nos algumas amáveis flores sobre o nosso suposto anonimato. Pela parte que me toca, sinto-me ofendida: assino os posts, sou blogger há uma data de anos, estou farta de dizer no twitter "sou eu aqui" aos pulinhos de dedo no ar. Ninguém tem obrigação de saber, como é obvio, mas só não sabe quem nós somos, quem não quer saber (e não sabe usar o google). Tal como não sabemos quem são esses rapazes, mas não os mimamos assim. Se calhar deviamos para sermos considerados muito sérios. Mas há muitas opções para exercer a tal liberdade de expressão: uns fazem manifestações, outros insultam, nós rimo-nos. E provavelmente fizemos tanto pela ManifAR como os outros; publicidade não faltou.

 

A esses meninos, aquilo que há a dizer é o seguinte: isto da liberdade de expressão é uma grande maçada. Porque o chato é que não é como se quer que seja, é como ela é mesmo. Trocado por miúdos, a liberdade de expressão em democracia, é para todos. É aborrecido, é como o topless, há quem fique bem na fotografia, há quem incomode os outros. E a liberdade de expressão não acaba na escrita, imagine-se: prossegue na imagem. Para quem entende que o Sarrafada devia tirar as fotos do online, as mesmas imagens que apareceram na televisão, só há uma resposta: se não estão dispostos a dar a cara pela tal liberdade de expressão que, pelos vistos, não é extensiva a nós, então aquilo tudo era o quê?

 

 

Catarina Campos (continuo a não conseguir entrar no meu user)

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