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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

02
Fev10

O caso BPP

31 da Sarrafada

 Ora bem.

Vamos lá resumir este caso:

 

Algumas pessoas decidem aplicar as suas poupanças num banco privado, calhando este chamar-se BPP; outras pessoas decidem que as suas poupanças são para aplicar noutras instituições, ou compram acções ou certificados de aforro, ou fundos de investimento de maior ou menor risco, ou investem no imobiliário ou guardam as notas no mealheiro debaixo da cama. São decisões de poupança.

 

 

 


A mim sempre me espantou enormemente que as mesmas pessoas que comparam preços do pão e do leite nos supermercados, que compram carros só depois de saberem quanto gasta dos 0 aos 100 km/h e se há opções como airbags e jantes de liga leve, depois peguem no seu dinheiro que tanto lhes custa a ganhar (e que pouparam, entre outras coisas, na diferença entre a manteiga do Continente e do Minipreço) e espetem a coisa num instrumento financeiro só porque o vendedor lhes disse que aquele era mesmo bom. Uma pessoa normal desconfia quando o vendedor de automóveis lhe diz que aquele modelo é o melhor do mundo e vai-se informar melhor. Mas quando é para aplicar poupanças, já qualquer coisa serve. E se der mais, melhor.

 

Há nisto um misto de ignorância profunda e de ingenuidade. A grande maioria das pessoas acha que esses assuntos são complicados e chatos e não quer saber. Não é que a informação não esteja lá, mas a primeira pessoa que já leu aquelas páginas todas de letrinhas minúsculas quando pede um cartão de crédito que meta o dedo no ar. Mas aposto que o manual do carro, já o sabe de cor. São escolhas. Escolhas de conhecimento adquirido que se fazem e que, por vezes, saem muito caras.

 

Voltemos ao caso do BPP. Do que sei, de toda a tinta que correu e vai continuando a correr, o BPP ficou em situação complicada, após ter aplicado os fundos decorrentes de depósitos de clientes, em produtos que foram à vida, digamos. O dinheiro volatilizou-se. Acontece e é dramático, não o nego, como ninguém nega. Estas pessoas ficaram sem as suas poupanças. Estas pessoas, como outras que compraram em alta acções que depois se desvalorizaram, como outras que aplicaram em fundos de investimento cujas unidades depois desceram, enfim, é assim que isto funciona e há azares. Decorrentes da crise, da má gestão, das más escolhas sobre os produtos escolhidos. Agora, porque é que as pessoas escolheram o BPP? Um banco privado pequeno, que dava umas grandes taxas? Ninguém pensou no risco? Ninguém aplica aos produtos financeiros aquela velha máxima "quando a esmola é grande, o pobre desconfia"?

 

É evidente que estas pessoas não têm a culpa toda. Têm apenas na medida das suas escolhas, talvez menos prudentes que outras alternativas. Houve má gestão, provavelmente. Houve uma crise. Sim isso tudo.

 

No entanto, não somos nós todos, através do OE que temos que pagar isto a estas pessoas. Tenho a maior das penas e respeito e reconheço a verdadeira tragédia das suas vidas, nestas circunstâncias. Mas o dinheiro dos contribuintes não pode pagar aquilo que perderam, como não pode pagar as perdas das acções que desceram, como não pode pagar a toda a gente que comprou terrenos caros e afinal o TGV nem vai passar ali. O dinheiro dos contribuintes é ou deveria ser, para pagar despesas públicas que contribuam para o bem de todos e não para pagar o preço de investimentos de privados em escolhas privadas. 

 

Por mais barulho e mais gritos e choros e manifestações que estas pessoas que repito, têm a minha solidariedade, façam, não têm razão. O Estado - nós todos - não tem que pagar esta factura. Sendo muito crua e fria, estas pessoas têm toda a minha solidariedade mas não têm direito ao meu livro de cheques. 

 

Catarina Campos

 

[continuo a colocar posts no geral do Sarrafada porque continuo sem me lembrar da password do user CC]

 

 

 

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    catarina campos 02.02.2010

    Obrigada pelo seu comentário, Augusto Bastos. Pode parecer muito frio, mas é isso mesmo: as pessoas têm que assumir as suas responsabilidades nas suas decisões individuais e não se virarem para o Estado, cada vez que dá para o torto.
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