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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

05
Dez10

Da estupidez

FF

De resto, isto mostra a política no seu esplendor. Não sabemos nada sobre a fonte de informação nem sobre os financiamentos da Wikileaks. Sobre Julian Assange ou sobre quem o ajuda. A diplomacia americana sofreu os efeitos de um devastador Katrina. Nunca mais será a mesma e levará anos para se reerguer. Estão afectadas as relações com dezenas de países, queimadas fontes de informação e até prejudicados aliados e amigos. Os interesses americanos foram profundamente afectados. Jose Luis Zapatero e Silvio Berlusconi saem humilhados, Hamid Karzai ou Vladimir Putin são arrasados. Isto, em apenas uma semana, pois faltam 249 mil documentos. A internet vai perder brevemente as liberdades de que ainda dispõe.

 

 

 

O tudólogo Luís Naves escreve no Albergue este chorrilho de disparates sem sequer parar para respirar e ao fazê-lo tenta lançar a suspeição sobre o fundador da WikiLeaks, Julian Assange.  A táctica é bem conhecida e tem sido aplicada pelo spin norte-americano nos últimos dias.

 

Não sabe nada sobre os financiamentos da WikiLeaks? Eu explico, Luís: a WikiLeaks é financiada pela comunidade de activistas e hackers que existem por esse mundo fora, a mesma que recolheu $200000 quase de um dia para o outro para financiar o projecto diaspora*.

 

 

Não sabe quem é Julian Assange? Eu explico, Luís: Julian Assange é alguém que através do seu modus operandi conseguiu que as pessoas que acham que algo está muito mal dentro das organizações onde trabalham, confiassem nele para ele colocar no domínio público informações que provam, sem lugar para dúvidas, as mentiras que se andaram a contar à opinião pública.

 

O Luís, no seu post, como tudólogo que é, está todo preocupado com os interesses Americanos, com Zapatero, com Berlusconi, com Karzai, com Putin. Nem uma referência a Sócrates ou a Luís Amado até é de espantar. Está preocupado com tudo, menos com a verdade.

 

Na sua imensa sabedoria, ao Luís Naves escapa-lhe apenas um pormenor, devido ao vento que se faz sentir por certo: Se os dirigentes mundiais não tivessem feito o que fizeram não teriam nada a temer. Fizeram-no a coberto da impunidade que acharam que tinham e tiveram azar pois a informação foi passada a Julian Assange que teve a coragem de a colocar em domínio público.

 

Luís Naves diz que ainda não viu ninguém olhar para isto do ponto de vista de Hillary ou de Obama. Eu também ainda não vi ninguém por cá a denunciar os ataques aos servidores da WikiLeaks por parte do governo norte-americano. Aparentemente cada um fala do que quer o que para o Luís Naves deve ser uma chatice mas é um dos princípios fundamentais da Internet: a liberdade de expressão.

 

Por último Luís Naves diz que a Internet vai perder as liberdades de que ainda dispõe. Não sabia que o tudólogo Luís Naves andava metido nas negociações do ACTA e da Neutralidade da Internet. O argumento que apresenta, a ameaça é em tudo similar à do Departamento de Estado Norte Americano que mandou as Universidades Americanas avisarem os seus alunos que falarem do caso Wikileaks e CableGate no Twitter ou no Facebook poderia ser prejudicial para o seu futuro: é a política da ameaça e do medo. E eu digo-lhe Luís Naves: Assim não!!

 

 

Imagem: "A Donkey for Lisa"  AttributionNoncommercialShare Alike Alguns direitos reservados por Zanthia

2 comentários

  • A acusação de "tabloidismo" tem vindo de mão dada com a lavagem por "inocuidade" (esta normalmente no mesmo parágrafo onde se pede a cabeça do mensageiro pela "gravidade" de tudo). Mas não surpreende que alguma imprensa incomodada e acomodada se agarre à confusão do valor de dados com o valor de algum jornalismo que deles faz.

    É assim que, quando a vocação e a capacidade são de tabloidismo e press release, se explora por um lado e se acusa por outro que o tabloidismo seja da essência dos dados. Incomoda que haja quem saiba mais?
    http://www.craigmurray.org.uk/archives/2010/11/prince_andrew_n.html
    "The problem with the wikileaks method of releasing the documents through mainstream media outlets, is that they are then interpreted for the public by a lazy and incompetent group of "Journalists" whose arses have grown plump on the rewards of retailing spoonfed propaganda."

    É assim que jornalismo inócuo, demasiado cansado para visitar arquivos, arruma os dados como inócuos. Incomoda que haja memória?
    http://oinsurgente.org/2010/12/03/gostar-de-se-fazer-de-parvo/
    "E eis senão quando a memória fica curta e já parece que muita gente se esqueceu (naturalmente por nada a ver com os envolvidos visados) da extraordinary rendition, subitamente promovida a libertação-estão-a-ver de prisioneiros."

    É a puxar violações para cima da mesa sem fazer muito trabalho de casa que depois resta à salvação da superioridade o puxar de galões. Incomoda que na esperada terra de cegos alguns saiam do jardim murado?
    http://www.rawstory.com/rs/2010/12/sweden-assange-sex-without-condom/
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