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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

10
Mar11

Liga Europa: Bloco Central ou desfibrilador

Pedro Figueiredo
 
O meu primeiro pensamento foi fazer greve à Liga Europa. Por nenhuma razão em especial, apenas porque estava (e estou!) preguiçoso para escrever. Provavelmente, mais valia ficar-me pelo direito à greve, ainda que sem motivação justificativa. Até porque ando atrasado nas minhas leituras e ainda não acabei a edição 2000 do Expresso, prestes a fazer 15 dias. É a vida. E a minha greve até poderia servir de antevisão ao que depois de amanhã se vai passar na manifestação, com todo o crédito que a geração à rasca possa ter. Seria, no entanto, um mero oportunista.
 
Mas não seria o único.
 
 
Porém, houve algo na revista especial comemorativa da edição 2000 do Expresso que me chamou a atenção: os mega processos judiciais que marcaram estes 38 anos de vida do semanário. No fundo, todos eles faces ocultas de ajustes políticos (internos ou adversários) que servem, quase exclusivamente, para marcar uma vergonhosa agenda partidária de vinganças iniciadas por alguma caixa de pandora aberta em desespero de causa de alguém. Nem vale a pena citar os nomes dos processos, muito menos os visados, já que todos são do conhecimento público. A seguir foi o efeito bola de neve. Ou como diz o anúncio das batatas fritas Pringles: quando se faz pop, já não há stop!

 
O problema é que a justiça deixou-se instrumentalizar. Por culpa das fugas de informação. Sofreu com isso. Degradou ainda mais o que já tinha de pouco abonatório, pela demora nas apreciações dos processos: a sua imagem pública. Perdeu a justiça, ganhou a imprensa. Os portugueses dividiram-se ainda mais e parece-me que não é com divisões que se chega a algum lado. Mourinho, de Madrid, diria que mais do que animar a malta, o que é preciso é blindar o balneário, mas sabem lá os políticos o que isso significa.
 
 
Os tempos são outros, é certo, mas também a referida revista falava do Bloco Central promovido por Mário Soares e Mota Pinto (1983). Os tempos podiam ser outros, mas a crise não era tão grave como a actual. E desta vez não há escudo para desvalorizar. Esta semana foram mais mil milhões em dívida com juros a bater recorde . De que vale a procura ser maior que a oferta, se estamos a ser esfolados no mercado? É o próprio secretário de Estado do Tesouro que o diz: estes juros são insustentáveis. Como diria o nosso sarrafeiro de Setúbal: NO SHIT?!

 
Ao contrário do que já vi escrito em blogs e mesmo na imprensa, parece-me que a única situação viável (e já a curto prazo) é tão-só os únicos dois partidos do eixo da governação entenderem-se e fazerem um pacto de regime. Pensarem o país com perspectiva de futuro, ouvir quem têm de ouvir e fazer as reformas que se arrastam há anos. Sobretudo no próprio Estado, já que é ele o mais obeso (a despesa pública em 2009 representou 51% do PIB).
 
Parece aquele gordo a quem o médico diz que se não emagrecer terá certamente um AVC. Jura que vai fazer um esforço, mas chega ao restaurante e depois de comer uma feijoada e lambusar-se com um pudim abade de priscos, mete adoçante no café com um sorriso de vitória pela consciência das medidas restritivas que tomou.
 
 
Assim, mais vale arranjar um daqueles desfibriladores portáteis que há nos estádios de futebol. A qualquer momento, o país precisará de tratamento de choque.
 
03
Mar11

Liga Europa: Puxões e empurrões

Pedro Figueiredo
 
 
Não houve ninguém que não tivesse apelidado a ida de José Sócrates e Teixeira de Santos à Alemanha como um autêntico voo ao castigo. 
 
Onde estava desta vez Ana Gomes para se queixar de viagens aéreas com destino à tortura? Puxões de orelhas, avisou-se logo. Ainda o homem não tinha aterrado em Berlim e já as tinha quentes. Deve ter dado jeito, para o frio que deve fazer por lá. Espanta-me, por vezes, a linguagem demasiado taberneira para este tipo de situações. Nesta taberna, aceita-se. Não em restaurantes gourmet. Podemos estar, geograficamente falando, atirados para o canto da Europa, mas as orelhas de burro, para já, só encaixaram na cabeça dos gregos e dos irlandeses.
 
Continuo a achar que o homem está a fazer um esforço para que não sejamos os clientes seguintes. A azáfama é tanta que ao toque da corneta, lá foram (duvido que na low cost Air Berlin) mostrar os TPC's, nem que para isso tivesse sido preciso apressar os resultados do mês. Só espero que não tenham colocado a informação numa pen! Até isso já devem ter aprendido.
 
 
Pelos vistos, não houve puxão de orelhas (sabe-se lá o que fizeram nos 45 minutos que durou o encontro), mas o nosso Primeiro puxou dos galões dos 800 anos de história e da não subserviência. Por pouco não dizia que ainda a germânia era uma terra de bárbaros e de guerras tribais e nós já tínhamos as nossas fronteiras definidas. Não disse, mas imagino que pensou. Assim como os alemães também devem ter ficado com a ideia que os papéis, sarcasticamente, se inverteram. Para eles, somos nós agora os bárbaros, que andamos em constantes guerras tribais. Coincidências. Mas gostei da exaustiva repetição «O meu país..., o meu país..., o meu país...». Gostava que o tivesse dito com o punho fechado a bater no coração. Pinderiquices estéticas.
 
 
Dos puxões aos empurrões.
 
 
Não há outra explicação: há hospitais que empurram doentes para outros hospitais. O ping sem pong entre São Marcos (Braga) e São João (Porto) é lamentável, não tanto como a troca de acusações entre os respectivos conselhos de administração e direcções clínicas. Dá aquela triste ideia de se varrer a poeira para baixo da carpete, só que desta vez... para a do vizinho. Linguagem taberneira, eu sei. Para defesa da honra (que se lixem os doentes), a questão vai parar aos tribunais.  Um factor curioso nesta equação é que o hospital bracarense é gerido ao abrigo de uma PPP. Antes isso que um KKK. Digo eu.
 
03
Mar11

Qual é afinal a Geração à Rasca?

arcebisposarrafeiro


Ao ler o que escreve Mário Soares no DN sobre o anunciado protesto a que foi dado o (infeliz) nome "Geração à Rasca" fico com a sensação de que há uma outra geração que começa a ficar "à rasca". A que nos deixou o país neste estado e a quem agora pedirmos conta de um passado desperdiçado, de um futuro hipotecado. A que continua a não perceber que são eles quem continua a manter o fascismo/salazarismo vivo não nós. Agradecemos a liberdade a quem no la deu - e não foi o senhor Soares em França ou o senhor Alegre na Argélia, foram os Homens que se revoltaram e tomaram uma atitude, não os que chagaram no dia seguinte para colher os louros e começar a brincar ao "vamos governar um país" e quem mantêm vivos os fantasmas do passado acreditando que ainda nos assustam. Não assustam, nós somos já uma geração de liberdade e por muito que queiram não temos culpa de não termos lutado contra o fascismo ou não termos sido perseguidos pela PIDE... eu peço desculpa por isso, mas tinha 6 anos em 1974.

Agora esta geração começa a perceber que o "perigoso niilismo" de que fala o senhor Soares é o estado actual em que sob a capa da teórica liberdade - que se há a de expressão, muitas outras faltam e opressão estatal é uma realidade - começam os donos de Abril e da liberdade e da moral e de Portugal e dos AllGarves a ficar à rasca, sim, porque tudo o que não se percebe assusta. Assusta o ROCK dos Deolinda, porque se os jovens ouvem, é rock; assustam pessoas que se juntam sem ser em partidos ou sindicatos ou outra qualquer organização infiltrável e controlável; assusta a possibilidade de ter que prestar contas sobre o passado; assusta aquela incerteza de futuro (e se assusta, então sabem o que nós sentimos, só que não sabem que sabem... porque tudo isto, NÓS, é novo para a Geração Soares).

O próprio senhor Soares anda um pouco baralhado, começando por escrever sobre a música de Deolinda e, sem a conhecer opinar, depois conheceu e não gostou do que leu... Temos pena. Já agora ouvia também, partindo do princípio que conseguirá distinguir rock do estilo musical que os Deolinda interpretam (que entretanto o senhor promovei de pop a rock) e depois confundindo o "Protesto da Geração à Rasca", que não é um blogue, é um evento, livre, vai quem quer - o que ele chama de "antidemocráticos" portanto. Com certeza alguém poderá explicar ao senhor a diferença entre um blogue e um protesto e já agora falem-lhe no Facebook e nas redes sociais e ele verá que o mundo tem vindo a mudar desde Abril de 74.

De facto "Não se trata de anarquistas. Nem, muito menos ainda, de marxistas, nem sequer de islâmicos radicais." quem agora recusa calar a indignação (categorizemos assim as pessoas e depois demos vivas à liberdade, não é senhor Soares?). Tampouco somos niilistas. Temos sido até agora, sim, quietos, calados, encarneirados. Agora não queremos mais um país sem rumo. Porque vocês que nos têm governado são perigosos, antidemocratas, niilistas. Parece que esperam que alguém (Alemanha, EUA, URSS, etc.) lhes indique um caminho. Mas qual e quem? A isso respondo: não, muito obrigado! Já tivemos disso 36 longos anos e não queremos mais…

Percebe, senhor Soares? Os "vossos" 48 anos são para nós já quase 37, livres, sim, mas desperdiçados. Ao contrário do que pensa(m), na verdade nós queremos enfim cumprir Abril. Não era essa a ideia?

 

02
Mar11

Despedida e tal

Catarina Campos

Não gosto muito de despedidas, até porque todos nós "vivemos" noutro blog qualquer ali ao lado; pelo que isto é simplesmente um "vou para ali e já não estou aqui".

 

O Sarrafada foi e é um projecto do caraças. Tenho imenso orgulho de ter participado, diverti-me imenso, gostei mesmo muito. Pela minha parte, agradeço aos sarrafeiros, autores e leitores, porque todos são o Sarrafada. E continuarei a ser leitora assídua e entusiasta. Bem haja e até outro lado qualquer :)

 

 

02
Mar11

|| Como diria o "camarada" Ilyich: “Aprender, aprender, aprender sempre!”

Mr Simon

 

 

 

 

 

Parece que o probleeeeema é que vem aí o fundamentalismo islâmico quando o probleeeema é que 30 anos de governos de partidos da Internacional Socialista não criaram qualidade de vida às populações de forma a afastar o fundamentalismo. Antes pelo contrário. Oligarquias familiares, saque e corrupção, e a função social do Estado inexistente, e habilmente preenchida por movimentos com o Hamas, o Hezbollah ou a Irmandade Muçulmana. Os fundamentalistas aprenderam mais connosco do que nós com eles. E tudo isto é novidade. E o gozo é mesmo esse: estava toda a gente formatada para apontar o dedo aos partidos comunistas e à cumplicidade com os totalitarismos a Leste e eis senão que... os mencheviques conseguem ser mais perversos que os bolcheviques.

 

E o supra sumo do cinismo é dizer que a Europa pode ter papel determinante no futuro político dos países árabes e do Magrebe pós-revoluções - igual ao que teve nos últimos 30 anos? - quando o nosso secret wish era termos um novo Adriano. Essa é que era.

 

(Em stereo)

 

(Imagem via Associated Press)

 

 

 

 

 

 

 

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