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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

16
Jan11

|| “Sugestões para fugir à distracção” (o meu ditador é melhor que o teu)

Mr Simon

 

 

 

 

 

Porque fica mesmo em frente da Itália que é uma das frentes da Europa, e ao lado da Argélia que é ao lado de Marrocos que é como quem diz mesmo aqui mesmo ao lado, ou pela mais importante de todas que é porque vive lá gente que também é filha de Deus, como sói dizer-se, e mais o caos e o vazio de poder e o fundamentalismo, motivos por (quase) todos conhecidos e já milhares de vezes e(a)nunciados e que não vale a pena aqui e agora estar de novo a e(a)nunciar, não podia estar mais de acordo com o que escreve Ferreira Fernandes no Diário de Notícias. Eu teria acrescentado mais uma: José Sócrates que andou a vender e a comprar investimento e parcerias no Magrebe, teceu rasgados elogios ao terrorista de Estado ditador tunisino do partido há 23 anos no poder, e que pertence à Internacional Socialista, do Partido Socialista português, do PSOE de Zapatero e do Labour de Miliband, entre outros.

 

As FARC na Festa do Avante! e o Bernardino Soares na Coreia do Norte. Pois.

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 

15
Jan11

|| O triunfo da vontade

Mr Simon

 

 

 

 

 

Mesmo que sejam pouco mais que uma centena, como hoje em Famalicão e na Póvoa do Varzim, sobe para cima do carro. Passa a imagem, para as televisões e perante os jornalistas mansos amorfos, do candidato submerso numa maré de povo. E assim se cria uma maré-cheia. É dos livros.

 

Desde Nuremberga em 1934 que já foi tudo inventado.

 

(Imagem)

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

13
Jan11

Liga Europa: Vão sonhando, pá!

Pedro Figueiredo

 

 

 

 

 

 

 

Tudo começou aqui...


 

Bom, na verdade não foi bem aqui, já que o vídeo original do sem-abrigo norte-americano com a voz que encantou o Mundo já se deve ter perdido pelo TuTubo*.

 

Vi-o no dia em que a SIC Notícias passou o pequeno filme de cerca de dois minutos e a contabilidade foi verdadeiramente assombrosa. Se não repare-se: quando, à hora do almoço, vi pela primeira vez a notícia, a informação era que já tinha ultrapassado as 3 milhões de visualizações. Fui à Internet pouco depois e vi que já ia nas 3,5 milhões. No trabalho, ao final da tarde, mostrei a uns colegas e o contador já marcava 5,3 milhões. Ao final da noite, já em casa outra vez, voltei a ver e já ia nos 7,1 milhões. É esta a velocidade a que corre a informação nos dias de hoje. À conta disso, tal como o próprio Ted Williams desejou, choveram propostas de trabalho e, da noite para o dia, o homem deixou de ser sem-abrigo para passar a ser uma estrela, conhecido não só no seu país como no resto do Mundo.

 

Não consigo imaginar o mesmo a acontecer em Portugal. Aliás, provavelmente em mais lado nenhum aconteceria um episódio destes. Só mesmo nos Estados Unidos ou não fosse aquilo a Terra das Oportunidades. E dos sonhos. Há duas semanas, uma das personagens da política norte-americana a ser entrevistada no 60 Minutes foi o republicano John Boehner, o novo presidente da Câmara dos Representantes.

Basicamente, o homem que, agora, tem o poder de baralhar as contas de Barack Obama. No entanto, a imagem que passou para o público foi a de um pieguinhas, de lágrima fácil, que se emociona com a mesma rapidez com que Ted Williams passou de pedinte num cruzamento de auto-estrada à voz mais requisitada da América. Diz Boehner, sem lenço para se assoar, que quer continuar a fazer o povo acreditar no milagroso 'American Dream'

 

 

 

Não precisa de se esforçar muito. Ted Williams que o diga. Porém, imagino que se o homem com a preciosa voz se fizesse à estrada e andasse a bater de porta em porta à procura de trabalho, duvido que alguém estivesse minimamente interessado nos seus dotes vocais. Era o preconceito vestido com a nova roupa da moda, chamada crise. Mas os milhões de visualizações no TuTubo e o interesse da imprensa deram um empurrãozinho. Quem não gosta de uma boa história da Gata Borralheira? Então quando há verdadeiro talento envolvido, o argumento passa a ser hollywoodesco.

 

Este caso podia ser analisado dos mais variados pontos de vista, mas para mim só há um que interessa. Independentemente de se ter passado nos Estados Unidos e correndo o risco de ser considerado um lírico, a lição pode ser válida para todos, salvaguardando as respectivas dimensões: é preciso não deixar nunca de sonhar. Ou como diria JM Barrie na obra do Peter Pan, BASTA ACREDITAR.

 

Imagem: "Peter Pan" NoncommercialNo Derivative Works Alguns Direitos Reservados por toddwshaffer

06
Jan11

Liga Europa: Quem disse que (ainda) não há alternativa?

Pedro Figueiredo

 

É fácil sentirmo-nos perdidos nos tempos que correm. Por muitas certezas - e nunca podem ser assim tantas - que possamos ter em relação ao que queremos da vida, há sempre o factor aleatório a entrar na equação, no qual devemos incluir tudo aquilo cujo desfecho não está nas nossas mãos, apesar de nos afectar directa ou indirectamente.
Há um sentimento de injustiça a invadir as pessoas. Digo eu, pela quantidade de notícias que deviam fazer corar qualquer um com os níveis mínimos de dignidade e moral. Há quem as considere, simplesmente, estrume onde cresce a flor do humor, bem aproveitadas para a denuncia ser servida em moldes caricaturais. Sempre a houve e isso é saudável. Mas a verdade é que a real dimensão dessas notícias tem custos e a factura vai sempre parar às mesmas moradas.
Não vou aqui descrever os casos porque, para além da lista já ir demasiado extensa (e pelos vistos não vai parar tão cedo), o propósito deste texto não é esse. Portanto, conversa da treta de lado e vamos ao tópico revolucionário do dia. Curiosamente, apanhado de um pequeno apontamento do habitual espaço semanal de Nuno Rogeiro na revista Sábado, denominado Relatório Minoritário.
O título é giro e vai dar jeito mais à frente: "Despertares violentos"
Rogeiro escreve que a grande questão que tem agitado os "cientistas sociais" nos últimos dois anos é uma pergunta simples, mas com resposta complexa: porque é que, face à crise global do capitalismo (ou do capitalismo global) -  adorei o trocadilho! - não houve ainda revoluções nem revoltas internacionais em grande escala e consequências?
E passo a transcrever as conclusões pela delícia da terminologia:
"Pode dizer-se que o falhanço - às vezes sangrento - do socialismo (real ou imaginário) impede que este se erga como alternativa. Pode dizer-se que a existência de sistemas eleitorais livres, e tribunais independentes, e imprensa indiscreta e poderosa, retira motivos e apetites aos candidatos a revolucionários. Pode dizer-se que a colectivização das lideranças, ou a sua fragilidade, impede que haja fúrias concentradas num chefe absoluto, senhor dos triunfos e das desgraças. Pode dizer-se que, de séculos de barbárie, os povos se cansaram da morte: mesmo a Al-Qaeda, dez anos depois do 11 de Setembro, é uma marca em crise. Mas há atrocidades (e reguadas) que não se prevêem, nem anunciam"
No fundo, por mais descontente que possa andar o povo, a verdade é que parece não haver alternativa ao status quo em vigor ou ao sistema de pelo qual as sociedades modernas se regem. Como disse Churchill, a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.
Pegando no título escolhido por Nuno Rogeiro e na parte final do seu texto, sabe-se lá quando haverá um despertar violento? Há reguadas que não se prevêem e não é preciso recuar muito no tempo para se perceber que a régua já deu sinais de vida.
Confesso-me totalmente contra qualquer tipo de violência. Detesto armas e acho que a força só faz perder a razão. Mas nem todos pensam como eu e acredito que haja muito boa gente arrependida do romantismo de Abril se ter manifestado com cravos nas pontas das G-3.
Yo no credo en brujas, pero que las hay, las hay!

 

 

04
Jan11

Carta Aberta à ACAPOR por Marcos Marado

31 da Sarrafada

Carta Aberta à ACAPOR


Este texto foi escrito noutro contexto, para explicar, em privado, a minha opinião sobre este assunto a um amigo. Perdoe-se, por favor, o carácter informal do texto, e a fraca formatação.

 

Actualização: esta carta aberta entra agora em consideração com a informação extra disponibilizada no artigo do Jornal Público][1].


A ACAPOR anuncia no seu site[2] que vai "apresentar 1000 denúncias por pirataria online". Várias pessoas me têm perguntado a minha opinião sobre este anúncio, apesar de ele já ter sido comentado amplamente pela Internet fora. Ainda assim, aqui fica a minha análise do anúncio da ACAPOR:

 

1) não há em lado nenhum o texto da denúncia para poder analizar;

 

(2,3,4) "A esmagadora maioria dessas denúncias (970) reportam-se a utilizadores da internet, com IP nacional, que estiveram a partilhar, sem a devida autorização, obras cinematográficas, cometendo assim o crime de usurpação de direitos, punido pela legislação portuguesa com pena até 3 anos de prisão." -> Como é que eles têm provas que aqueles IPs estavam a partilhar sem autorização essas obras? Como é que eles inferem que isso é prova de crime de usurpação? Segundo o artigo d'O Público, eles denunciam mesmo - como dizem - utilizadores, mas sim apenas endereços IP. Mesmo que tenham provas que um crime foi cometido a partir de determinado IP, conseguir-se-à daí inferir que o crime foi efectuado por determinada pessoa?

 

5) "As restantes 30 denúncias estão relacionadas com o crime de violação de correspondência ou telecomunicações e envolvem cidadãos que partilharam e-mails da nossa Associação, e-mails esses que tinham sido ilegalmente subtraídos da nossa página WEB numa operação internacional auto-denominada “Operação Payback” realizado pelo grupo Anonymous." - o crime de violação de correspondência ou telecomunicações foi cometido, poder-se-à alegar, por quem fez essa violação, e não por quem partilhou esses e-mails...

 

6) "A ACAPOR compromete-se ainda a realizar, todos os meses, 1000 (mil) denúncias crime com o mesmo substrato colocando desta feita um ponto final na impunidade reinante neste tipo de crime." - como é que eles vão obter essas 1000 provas? E como é que podem ter a certeza disso?

 

7) "A partir de hoje a população portuguesa passa a tomar consciência de que os actos ilícitos cometidos através da internet, em concreto os uploads/downloads ilegais, estão a ser vigiados e denunciados e assim será por tempo indeterminado." -> o que são "downloads ilegais"?

 

8) "Não deixamos no entanto de lamentar que, estando em causa um crime público, tenha que ser uma entidade privada a assumir o impulso processual e que, até à data, absolutamente nada tenha sido feito pelas entidades competentes para reduzir os 50 milhões downloads que são feitos anualmente por clientes das operadoras nacionais de internet." -> quando um cliente de uma operadora nacional efectua um download, qual é o "crime público" que está a ser cometido?

 

9) "A indústria do audiovisual está a ser pilhada na internet." -> Ah sim? O que é que foi pilhado à dita indústria do audiovisual?

 

10) "A ACAPOR convida todos os senhores jornalistas a comparecerem na Procuradoria-Geral da República, no próximo dia 5 de Janeiro de 2011 pelas 10 horas da manhã, afim de testemunharem a entrega destas 1000 denúncias e poderem igualmente colocar todas as questões que entenderem relevantes aos representantes da Associação." -> Pena que só esteja disponível a ouvir os jornalistas, e que continuem a ignorar as pertitentes questões que foram levantadas aqui, agora mesmo, em 10 simples pontos.

 

[1] http://www.publico.pt/Tecnologia/acapor-entrega-quartafeira-mil-queixas-na-pgr-por-pirataria-na-net_1473400
[2] http://www.acapor.pt/site/index.php?option=com_content&view=article&id=70:acapor-apresenta-1000-denuncias-por-pirataria-online&catid=1:latest-news&Itemid=55


Esta é a opinião pessoal de Marcos Marado. Se quiser comentar, esteja à vontade para entrar em contacto comigo. Este texto é disponibilizado com uma licença Creative Commons Atribuição 2.5 Portugal.

03
Jan11

|| 2011, rewind/ fast forward button

Mr Simon

 

 

 

 

 

A época exigia que cantássemos

E cortava-nos a língua.

A época exigia que fluíssemos

E repetia mentiras.

A época exigia que dançássemos

E dava-nos calças de ferro.

E no fim de tudo a época recebeu

O tipo de merda que exigiu.

 

Ernest Hemingway, Der Querschnitt Magazin, Fevereiro de 1925

 

(Em stereo)

 

(Imagem)

 

 

 

 

 

 

 

 

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