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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

09
Dez10

No Natal o "31 da Sarrafada" ganhou o @Calvas

31 da Sarrafada

É com enorme satisfação que anunciamos a entrada na equipa do "31 da Sarrafada" do João Calviño, mais conhecido por Calvas e que será visualmente identificado pelo avatar que vêm acima. O Calvas é do Benfica, fã da Apple e viajante por esse mundo fora.

 

O resto vão descobrir a pouco e pouco.

 

Por aqui o Natal celebrou-se mais cedo e esperamos que gostem do presente.

09
Dez10

Liga Europa: Mártir das Pátrias

Pedro Figueiredo

 

É o assunto do momento. Não há tweet, blog, link, site, jornal, televisão, rádio, agência de informação que não fale da WikiLeaks e do seu fundador, o australiano Julian Assange. É quase uma epidemia à escala planetária, a qual a OMS (Organização Mundial da Saúde) não previu e para a qual não arranjou a vacina correspondente. É praticamente impossível não se esbarrar com o assunto, a não ser que se seja concorrente das casas dos segredos ou dos big brothers deste mundo.

Aliás, o assunto assume proporções desta dimensão porque as pessoas adoram segredos. Por coscuvilhice ou, simplesmente, por gostarem de conhecer a verdade (toda a verdade!), o certo é que a publicação de documentos oficiais abriu uma espécie de caixa de pandora que levou a liberdade de expressão a um nível, provavelmente, nunca antes visto. Embora me cause alguma espécie o facto de não saber (ainda não vi esclarecida essa dúvida) qual é o verdadeiro motivo da missão de Assange, não me interessa se o que faz está certo ou errado, enquadrado ou não na preciosa segurança de Estado dos países directamente envolvidos nas denúncias. Os Estados Unidos podem estar mais na ordem do dia e serem os que mais têm a perder com o contínuo sucesso da WikiLeaks, mas até isso é sintomático. É o preço de se ser o polícia do Mundo.

Por que haveriam de estar fora do escrutínio público mundial? Assange é o Ricardo Araújo Pereira dos norte-americanos: esmiúça os segredos de Estado. E quem advoga a irresponsabilidade na publicação de tão sensíveis informações, também deveria estar preocupado com a realidade que os conteúdos revelam. Maquiavélico é pensar-se que todos os meios justificam os fins.

Aliás, Assange conseguiu provar a prática leninista do governo de Washington: a verdade é tão preciosa que devia ser racionada. Racionar até racionaram, mas o problema é que nada parece estar estar a salvo, a não ser quem realmente matou John F. Kennedy. Como se não bastasse, e inspirados por essa figura ímpar do Partido Socialista português, de seu nome Jorge Coelho, os norte-americanos pensaram: «Quem se mete com os Estados Unidos, leva!» E na primeira oportunidade, Assange viu-se a braços com uma denúncia (curiosa coincidência) de abuso sexual a duas suecas. Numa decisão extraordinária, entregou-se às autoridades britânica em Londres. Ao saber da novidade, o secretário de Estado da Defesa norte-americano, Robert Gate, comentou: «Ainda não sei disso, mas a mim parece-me uma boa notícia».

Será mesmo assim?

Detido e sem possibilidade de pagar fiança (explicado pelo juiz com o perigo sério de fuga) Assange parece-me estar no bom caminho para se tornar uma espécie de mártir das pátrias em nome da liberdade de expressão. Só que este mártir não se vai entalar na porta do castelo pela honra e muito menos deixar-se crucificar. O martírio terá um preço e a uma das facturas já foi enviada ao pagador atempadamente, antes mesmo da detenção: o Bank of America. Como dizia um amigo meu, deve haver alguns engravatados fechados em autênticas Panic Rooms à espera que caia a desgraça. Ainda não foi divulgada qualquer informação, mas a verdade é que no dia em que Assange referiu o nome do Bank of America, as acções do banco caíram 36 cêntimos de dólar.

O cerco aperta-se à WikiLeaks. O Departamento de Estado começou a ladrar e houve quem tivesse medo de ser mordido. A PayPal cortou a possibilidade de se fazer pagamentos à organização e a seguir foram as cadeias Visa e Mastercard a fazerem o mesmo. Mas há o reverso da medalha. Em resposta aos inúmeros ataques cibernéticos que o site das revelações tem sofrido, quase da noite para o dia, o número de mirrors multiplicou-se como cogumelos. A última contagem ia em 1298, ontem ao final do dia. Até o Bloco de Esquerda se juntou ao movimento e alojou uma réplica da WikiLeaks em Portugal!

Um novo desafio parece surgir ao mais falado site dos últimos tempos. Com o seu fundador atrás das grades, conseguirá a WikiLeaks sobreviver à orfandade? Qual é o peso de Assange no movimento? Será mesmo ele o 'mensageiro' como se auto-proclama? Irão retrair-se as fontes com os últimos acontecimentos?

Uma coisa é certa. Na faculdade, aprendi algo que cada vez mais se afigura como verdade inquestionável e que, a meu ver, resume tudo o que possa ter a ver com a WikiLeaks: INFORMAÇÃO É PODER.

 

08
Dez10

Quem são os hackers?

FF

 

 

Nos últimos dias, e devido ao caso WikiLeaks e Cablegate, muito se tem lido que "os hackers fizeram isto", "os hackers fizeram aquilo", mandaram um banco Suíço abaixo, mandaram a Mastercard abaixo, etc.

 

Mas afinal quem são estes hackers?

 

 

Os hackers responsáveis pelos recentes ataques aos sites de empresas que de algum modo romperam as relações comerciais com a WikiLeaks são milhões de utilizadores da Internet, espalhados por todo o mundo e que são, na sua maioria frequentadores de um site de seu nome 4Chan.

 

Com um interface tenebroso, de uma complexidade estrutural que muitos poucos sites na Internet se podem gabar de ter, o 4Chan é a sala de estar de milhões de adolescentes que partilham tudo o que agarram na Internet.

 

Mas o 4Chan é mais do que um forum para adolescentes, o 4Chan é um corpo orgânico que se define enquanto entidade como "Anon" - que é a abreviatura de Anónimo - e que consegue mobilizar uma massa de gente que funciona como uma pessoa apenas.

 

Quando um website entra em confronto com um membro do 4Chan entra em confronto com milhões  de pessoas e ninguém os pode parar.

 

Estes são os  hackers, adolescentes que querem participar e pertencer a um grupo que consegue - sempre que quer - estar nas capas dos jornais de todo o mundo mas isso não lhes interessa. O que eles querem é ser parte de alguma coisa.  Dentro do 4Chan, existem instruções e pequenos programas que permitem a qualquer pessoa participar num ataque de "Denial of Service" (DoS) a um determinado site ou estrutura de sites. O espírito de missão, a alegria da missão cumprida, o companheirismo - valores que se perderam para muitos na vida offline - fazem do 4Chan um recreio do tamanho do mundo para milhões de adolescentes.

 

Quem são afinal os hackers? Os hackers são os vossos filhos.

 

Imagem:"My Little Linux Hacker"  AttributionNoncommercialShare Alike Alguns direitos reservados por jaffry, grace and eliza

08
Dez10

|| A “bondade” da proposta

Mr Simon

 

 

 

 

«Governo propõe aos sindicatos que as minutas dos contratos de trabalho explicitem que o salário de uma pessoa está directamente ligado à sua produtividade ou à qualidade do trabalho.»

 

Aditamentos à proposta:

 

a)      Com excepção do senhor primeiro-ministro, dos ministros, e restantes membros do Governo.

b)      Com excepção do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos

c)      Com excepção das administrações dos hospitais públicos EPE

d)      Com excepção dos funcionários públicos da Região Autónoma dos Açores (e da Madeira, que também são filhos de Deus)

e)      Com excepção dos professores, quer sejam ou não afectos à Fenprof.

f)        Todos os casos omissos nas alíneas anteriores (funcionalismo público e sector empresarial do Estado) serão tratados consoante a filiação partidária ou simpatia política, por esta ordem.

 

Por ser precisamente o que já acontece no sector privado (salário vs. produtividade), José Sócrates e a ministra Helena André têm a noção do ridículo da proposta, ou perderam definitivamente o contacto com o dia-a-dia do país que governam e vivem numa espécie de realidade paralela, uma Twilight Zone?

 

(Na imagem Corontation Carpet Factory via Times)

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 

06
Dez10

Oh Afonso desculpa lá, mas... (ainda sobre a WikiLeaks)

FF

 

 

"nota: tenho notado que, mais uma vez e nestas questões, é preciso relembrar a definição de argumentum ad hominem se aplica a todas as partes e costuma desclassificar quem a ele recorre."

 

O membro do "31 da Armada" e do "Albergue Espanhol" que mais uso faz do argumentum ad hominen vem a terreiro falar sobre a Wikileaks. Pelos vistos o argumentum ad hominem pode ser usado  para umas questões e para outras não. E quem decide é o Afonso. Para onde mando o requerimento?

 

Depreendo pelo teu post  - e corrige-me Afonso se estiver errado - que és daqueles que acredita que Guantanamo é essencial para a segurança do planeta; que as violações das convenções de Genebra são essenciais para a segurança do planeta; que os abusos feitos em prisões Iraquianas são essenciais para manter a segurança no planeta. Eu não acredito nisso, tal como não acredito que um massacre de inocentes traga seja o que ford de positivo não olhando a quem o faz ou não. Pura e simplesmente está errado.

 

Eu penso que o que é um local estratégico de segurança para os Estados Unidos não o é, imediatamente, para o resto do mundo. E isto não é ser anti-americano. É apenas pensar pela minha cabeça e achar que, tal como todos os países, os Estados Unidos têm coisas fantásticas e depois têm outras péssimas.

 

Ainda está por provar, Afonso, além das demissões que têm sido anunciadas directamente ligadas ao "Cablegate", que efeitos nefastos na segurança mundial pode a revelação destes documentos ter trazer. As responsabilidades políticas que estão a ser tiradas advêm não de uma coisa muito simples: foram cometidos erros gravíssimos e quem os cometeu terá que assumir responsabilidades.

 

Penso que continuar a  discussão centrada no argumentum ad hominem contra o Julian Assange em vez de olhar para os factos é errado também, e por isso acho que o Luís Naves esteve completamente ao lado na sua análise.

 

Ou os factos só interessam quando é para atacar o Governo?

 

PS: Afonso, faltou-te colocar um link nos hackers. Estás a vontade para apontar para o meu blog http://wikileaks.thezargon.org

 

Imagem: "Justice" Statue at the Elks National Memorial - Chicago sob uma licença Creative Commons por TRAFFIK [US]

05
Dez10

Da estupidez

FF

De resto, isto mostra a política no seu esplendor. Não sabemos nada sobre a fonte de informação nem sobre os financiamentos da Wikileaks. Sobre Julian Assange ou sobre quem o ajuda. A diplomacia americana sofreu os efeitos de um devastador Katrina. Nunca mais será a mesma e levará anos para se reerguer. Estão afectadas as relações com dezenas de países, queimadas fontes de informação e até prejudicados aliados e amigos. Os interesses americanos foram profundamente afectados. Jose Luis Zapatero e Silvio Berlusconi saem humilhados, Hamid Karzai ou Vladimir Putin são arrasados. Isto, em apenas uma semana, pois faltam 249 mil documentos. A internet vai perder brevemente as liberdades de que ainda dispõe.

 

 

 

O tudólogo Luís Naves escreve no Albergue este chorrilho de disparates sem sequer parar para respirar e ao fazê-lo tenta lançar a suspeição sobre o fundador da WikiLeaks, Julian Assange.  A táctica é bem conhecida e tem sido aplicada pelo spin norte-americano nos últimos dias.

 

Não sabe nada sobre os financiamentos da WikiLeaks? Eu explico, Luís: a WikiLeaks é financiada pela comunidade de activistas e hackers que existem por esse mundo fora, a mesma que recolheu $200000 quase de um dia para o outro para financiar o projecto diaspora*.

 

 

Não sabe quem é Julian Assange? Eu explico, Luís: Julian Assange é alguém que através do seu modus operandi conseguiu que as pessoas que acham que algo está muito mal dentro das organizações onde trabalham, confiassem nele para ele colocar no domínio público informações que provam, sem lugar para dúvidas, as mentiras que se andaram a contar à opinião pública.

 

O Luís, no seu post, como tudólogo que é, está todo preocupado com os interesses Americanos, com Zapatero, com Berlusconi, com Karzai, com Putin. Nem uma referência a Sócrates ou a Luís Amado até é de espantar. Está preocupado com tudo, menos com a verdade.

 

Na sua imensa sabedoria, ao Luís Naves escapa-lhe apenas um pormenor, devido ao vento que se faz sentir por certo: Se os dirigentes mundiais não tivessem feito o que fizeram não teriam nada a temer. Fizeram-no a coberto da impunidade que acharam que tinham e tiveram azar pois a informação foi passada a Julian Assange que teve a coragem de a colocar em domínio público.

 

Luís Naves diz que ainda não viu ninguém olhar para isto do ponto de vista de Hillary ou de Obama. Eu também ainda não vi ninguém por cá a denunciar os ataques aos servidores da WikiLeaks por parte do governo norte-americano. Aparentemente cada um fala do que quer o que para o Luís Naves deve ser uma chatice mas é um dos princípios fundamentais da Internet: a liberdade de expressão.

 

Por último Luís Naves diz que a Internet vai perder as liberdades de que ainda dispõe. Não sabia que o tudólogo Luís Naves andava metido nas negociações do ACTA e da Neutralidade da Internet. O argumento que apresenta, a ameaça é em tudo similar à do Departamento de Estado Norte Americano que mandou as Universidades Americanas avisarem os seus alunos que falarem do caso Wikileaks e CableGate no Twitter ou no Facebook poderia ser prejudicial para o seu futuro: é a política da ameaça e do medo. E eu digo-lhe Luís Naves: Assim não!!

 

 

Imagem: "A Donkey for Lisa"  AttributionNoncommercialShare Alike Alguns direitos reservados por Zanthia

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