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31 da Sarrafada

31 da Sarrafada

18
Nov10

Diálogos (Im)possíveis

FF

Aníbal: "Estou aqui enrascado... que diacho vou eu oferecer ao Obama?"

Maria: "Um galo de Barcelos..."

Aníbal: "Já têm uns 40 lá na Casa Branca..."

Maria: "Deixa lá ver, ele não têm um cão de água português?"

Aníbal: "Tem..."

Maria: "Manda fazer uma escultura do cão, assim quando ele morrer já têm a escultura para o recordar"

Aníbal: "Grande ideia Maria, um bocadinho mórbida, mas grande ideia"

Maria: "Já podemos voltar a ver a novela?"

 

Cavaco vai oferecer escultura de "Bo" a Obama

18
Nov10

Liga Europa: O Tollan é nosso e há-de ser

Pedro Figueiredo

 

 

Não preciso de dizer mais nada. Lembram-se todos, com certeza, do porta-contentores inglês que encalhou a 16 de Fevereiro de 1980 no Tejo, mesmo em frente ao ministério da Marinha (ele há com cada coincidência!) e que, dois dias depois, virou-se ainda mais, ficando de casco (vermelho) à mostra, tornando-se um perigo para a navegação. Mas, como sempre, os portugueses têm uma apetência especial para ver coisas boas na desgraça e até houve quem ficasse com o naufragado navio na memória como um dos monumentos nacionais de eleição. Aliás, descobri até que parte do material do famoso navio serve de decoração a um bar chamado "A Casa do Leme".

 

A coisa também não era para menos. Foram três anos (acabou por ser removido somente a 2 de Dezembro de 1983, após várias tentativas falhadas) que aquela peça metálica, mais parecida com um futurista parque de skate, esteve à vista de todos, chegando mesmo a alimentar as tardes de muitos reformados. Grande parte da terceira idade lisboeta perdeu largas horas sentada nos bancos de pedra do muro do Terreiro do Paço junto ao rio a mandar os seus palpites sobre a melhor forma de virar e remover facilmente o navio. Isto, claro está, durante as várias tentativas infrutíferas que iam sendo feitas. Imaginam-se os comentários: «Obviamente que assim não vão a lado nenhum...»

 

Por fim, lá veio uma equipa do estrangeiro para finalmente tirar dali o que já era visto como uma vergonha nacional. Havia mesmo quem dissesse que o barco, dali, já não saía.

 

Lembrei-me do Tollan, por associação de ideias à discussão do último Orçamento de Estado e da possível entrada do FMI. Mais outra parvoíce como outra qualquer. Está visto que, por mais voltas que a democracia portuguesa dê, a alternância de poder está no mesmo ponto em que se encontrava a monarquia no final dos seus tempos. O rotativismo de então, entre regeneradores e progressistas, só deu lugar ao actual rotativismo entre socialistas e social-democratas. Qual é a diferença? Não pagamos adiantamentos ao rei, mas pagamos (e bem) os adiantamentos (a fundo perdido) que outros fizeram para construirem resorts de luxo em Cabo Verde.

 

Enquanto isso, o país, encalhado, assiste a tentativas de virar a situação (e só lá vai mesmo com uma rotação de 180 graus), cheia de 'reformados' (não em bancos de pedra, mas nas cadeiras das televisões, em talk shows) a mandar os seus palpites em como seria simples e eficaz dar a volta à desgraça, quando a solução poderá ter mesmo de chamar novamente a rapaziada de fora (FMI) para dar conta do recado.

 

Ninguém se entende. Trocam-se acusações (olha que novidade!), trocam-se carros topo de gama como quem contrata assessores, trocam-se robalos por favores, trocam-se frutas por arbitragens, trocam-se nacionalidades e até o país pela Europa. Por prestígio, apenas. Trocas e baldrocas de quem faz orelhas moucas ao que se passa fora dos gabinetes de São Bento. Às vezes até fico na dúvida se sabem mesmo o que se passa ou se pensam que o povo é sereno e é só fumaça!

 

O Tollan continua encalhado, meus caros. E pelo andar da carruagem vai continuar assim por muito tempo.

 

Já agora, deixo um excerto d'Os Maias, que ando a reler, muito curioso...

 

O Cohen colocou uma pitada de sal à beira do prato, e respondeu, com autoridade, que o empréstimo tinha de se realizar «abruptamente». Os empréstimos em Portugalconstituíam hoje uma fonte de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministros era esta - «cobrar imposto» e «fazer o empréstimo». E assim havia de continuar...

Carlos não entendia nada de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.

- Num golpezinho muito seguro, e muito directo - disse Cohen sorrindo - Ah, sobre isso, ninguém tem ilusões, meu caro senhor. Nem os próprios ministros da Fazenda!... A bancarrota é inevitável: é como quem faz uma soma...

 

Foto de ALFREDO CUNHA/LUSA PRT Lisboa LUSA © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A

12
Nov10

O INPI, o ISCTE e as camisas por engomar

FF

 

Anda por aí tudo a falar do valor de €20.400 pagos pelo INPI ao ISCTE para gerir a sua conta de Twitter. Ao ler a notícia no Correio da Manhã - who else? - fica-se com a sensação de que se pagou essa quantia para proceder à abertura da conta; ao se ler a reacção do INPI fica-se a saber que afinal os €20.400 pagos cobrem o período de um ano e que estão envolvidas duas instituições - o ISCTE e a uma empresa chamada "5ª Potência" - que são responsáveis por criarem os conteúdos e gerirem a conta do INPI bem como produzir uma newsletter mensal.

 

Diz a Alda Telles que do que viu superficialmente "parece-me uma timeline cuidada e diversificada, orientada para os objectivos enunciados, e de quem sabe utilizar a ferramenta." Eu discordo totalmente nesta parte mas não me parece que o valor em causa seja escandaloso: afinal dividindo os €20.400 por duas entidades por ano, dá €850 por mês a cada uma.

 

Se é sabido que anda por aí muito boa gente a fazer uma fortuna com isto das redes sociais e a pagar miseravelmente a quem de facto faz o trabalho também é sabido que preparar conteúdos que consigam gerar o tal do engagement que está tão na moda não é tarefa simples.

 

E aqui a conta do INPI falha total e redondamente, isto é, quem gere de facto a conta falha total e redondamente. Porquê?

 

1.  No último mês a conta do INPI gerou 1 RT - se excluirmos os RTs feitos hoje ao desmentido - o que diz claramente que as poucas pessoas que seguem a conta não acham o conteúdo o interessante o suficiente para o espalharem pela sua respectiva rede.

 

2. Nenhum dos tweets inclui uma ou mais # que os fariam cair no radar de quem não segue a conta mas esteja interessado nas temáticas abordadas.

 

3. Não existe um cuidado - como o exemplo da imagem acima - no que está a ser enviado. O twitter não é um concurso de speed typing especialmente quando se está a ser pago para isso e se está a representar uma instituição ou marca.

 

Este caso do INPI é interessante por duas razões distintas:

 

1. O valor pago pelo serviço não é escandaloso, antes pelo contrário.

2. O INPI adjudicou o serviço a quem não percebe absolutamente nada de Twitter, tornando o preço pago um escândalo.

 

Até pode haver aqui um tacho, um boy ou girl favorecidos - com €850 por mês - mas o que é um facto é que o INPI adjudicou um serviço a ser prestado durante um ano por €20.400. Como no INPI ninguém percebe nada de Twitter - senão não tinha feito outsourcing - os seus responsáveis nem sequer souberam estabelecer objectivos para a conta o que se traduz no número de seguidores da mesma e no seu alcance real após um mês de funcionamento.

 

Isto mal comparado é contratar uma pessoa para nos engomar 100 camisas por €50 e depois as camisas serem entregues todas mal passadas ou queimadas e não podermos fazer nada. O preço até estava em linha com o que praticam outras engomadeiras mas o resultado final custou muito caro.

 

E esse é o facto realmente escandaloso em toda a esta história.

11
Nov10

Liga Europa: Pornografia económico-financeira

Pedro Figueiredo

 

 

Quando eu andava a estudar e fazia parte da redacção do Jornal Universitário, houve uma camarada minha que tinha para fazer um trabalho para a última página sobre um simpósio de astronomia promovido pela universidade. Uma daquelas iniciativas que tínhamos mesmo que cobrir, para garantirmos a continuidade dos apoios (leia-se verbas!) dados pela reitoria. O problema é que o assunto era uma tremenda seca, ninguém ia ler, e era logo para a última página que, ao contrário do que o comum dos leitores pode pensar, é a mais nobre num jornal... a seguir à primeira, claro!

 

O assunto foi discutido entre todos, mas não havia volta a dar. A malta universitária tinha mesmo que levar com aquela 'encomenda' e na última página. Recordo que a tiragem do jornal, na altura, fazia corar de vergonha muitos diários de hoje. Mas em frente. A Paula, aluna de Psicologia e responsável pela reportagem, tranquilizou-nos de uma forma desconcertante. «Não se preocupem que eu tenho uma solução». Ficámos de pé atrás. Porém, demos o benefício da dúvida. Na verdade, a reportagem foi bastante comentada e grande parte do universo estudantil a leu, ou pelo menos o primeiro parágrafo. A foto era uma constelação de estrelas e o título era «Sexo, sexo, sexo». Assim mesmo. Três vezes a palavra sexo. Depois começava: «Agora que já despertámos a tua atenção, teve lugar no auditório o simpósio de astronomia...» e por aí fora.

 

O título deste post não utiliza a mesma técnica (nota do editor: mas a imagem sim), até porque aquilo a que assisti no programa Negócios da Semana da semana passada não é mais do que a revelação de uma autêntica pornografia económico-financeira no que diz respeito às tão faladas (má fama e, pelo vistos, péssimo proveito para o Estado, logo para os contribuintes portugueses) parcerias público-privadas. Os convidados foram Carlos Moreno (juiz do Tribunal de Contas) e Ventura Leite (economista ligado ao Partido Socialista).

 

O rumo da conversa chegou a um tal ponto que a certa altura José Gomes Ferreira (jornalista) diz o seguinte a Ventura Leite: «O senhor, que é socialista, diz isso do governo socialista?» Ao que o economista responde: «É evidente. Antes de ser socialista sou patriota e português e foi assim que me comportei no parlamento. O actual governo não tem condições para gerir o país neste momento difícil da pátria». Aqui sim, meu caros, o programa cativou-me. Percebi que Sócrates só pode mesmo ser de direita, porque se tivesse ao menos uma costela de esquerda, este Ventura Leite tinha o mesmo fim que o 'renovador' Carlos Brito teve no PCP. Fiquei para ver o que viria a seguir, pois a coisa prometia. Até pensei na nossa sarrafeira Catarina Campos e nas suas magníficas crónicas do mundo financeiro público e privado trocado por miúdos.

 

O melhor estava para vir. As cenas picantes da pornografia vieram logo a seguir. Denunciou o indignado Ventura Leite: «É preciso dizer aos accionistas das grandes empresas que este esforço que está a ser pedido aos portugueses tem de ser repartido por todos. Não é admisível que a EDP tenha uma cláusula de garantia de lucros aos seus accionistas no caso dos consmidores reduzirem o consumo para se defenderem da crise. Há uma cláusula que permite aumentar o tarifário que permite compensar os accionsitas dessas perdas. Isto é uma coisa absurda». Neste momento fiquei sério. Pensei: «Alto lá e pára o baile. Então se todos os meus vizinhos gastarem menos electricidade para poupar dinheiro na factura, a EDP pode aumentar o tarifário (que também me afecta a mim) só para recuperar as perdas de receita dos accionistas? Mas desde quando é que existem no mundo negócios com lucros garantidos? Pelos vistos, a electricidade passou a ser um refrigerante, que a malta pode cortar em casa e viver sem ela e eu ainda não dei conta disso...». José Gomes Ferreira nem sabia dessa cláusula e até perguntou duas vezes como é que a coisa funcionava mesmo...

 

Mas o hard-core de 3.º escalão não demorou. Desta vez pela boca de Carlos Moreno: «É claro que é possível renegociar [as parcerias público-privadas], mas é necessário e urgente parar. É que há concessões neste preciso momento a renegociar para que seja aumentado, mesmo com esta crise, o volume de negócio. Há concessões com portagens reais que estão a ter prejuízos e estão a renegociar para passarem a ser subconcessionárias das Estradas de Portugal, que passará a receber as portagens e depois, por sua vez, pagará uma renda fixa próxima das revisões optimistas pela disponibilidade e pelo serviço. Estou a falar, por exemplo, da Douro Litoral e da Litoral Centro». Nova paragem cerebral. Minha, claro. «Alto lá outra vez! Então o sector privado entra num negócio, a coisa corre mal, passa o prejuízo para o Estado, mas assegura-se que mantém a sua rendazinha fixa, como se aquilo desse lucro?» Lembrou José Gomes Ferreira e muito bem «Então, o que é feito do risco?»

 

Não há risco nenhum, meus caros. O povo paga. Não passa nas auto-estradas? Não tem mal, paga indirectamente nos impostos, como se lá passasse e está tudo feito.

 

Olha, aumenta-se o IVA do leite 'achocolatado', parafraseando Assunção Cristas. «Mas isso pode ser impedido?», perguntou José Gomes Ferreira. «Eu sozinho não posso, mas todos juntos podemos», respondeu Carlos Moreno.

 

Pronto, está aberto o caminho para uma nova revolução, pensei. Afinal, o Tridente ainda vai fazer jeito. Só espero que, desta vez, usem cravos, mas de ferro, para selar os contentores que se usem para enviar para o exílio os actores deste filme pornográfico. Pode ser que a excitação, um dia destes, acabe...

 

Imagem por Lucky Girl Lefty via Flickr sob uma licença Creative Commons

04
Nov10

Bamo lá acalmar essa franga macro-financeira

Catarina Campos

 

É um facto que estamos ali a uns meros 26 p.b dos fatídicos 7% de preço da dívida publica, que é o número-chave para o FMI vir logo a correr e essa coisada toda, de acordo com o MF que, como todos nós sabemos, nunca se engana (só acima de € 800 milhões de erratas), donde o que ele diz sobre a meta dos 7% claro que se aplica, certo?

 

E também claro que toda a gente sabe que a subida da taxa de juro da dívida foi por causa de ter passado um péssimo OE na AR: ou seja, apesar de ter passado, os mercados, esses mauzões, olharam para Portugal e disseram "aquilo mesmo assim não vai lá, portanto carrega nos gajos!". Até pode ser possível que isto não vá lá e os mercados mauzões carreguem para ter uns ganhos melhores, porque não são sensíveis - feios! - aos apelos do nosso MF, para que deixem de ser mercados e sejam bonzinhos só connosco, só agora, porque estamos precisadinhos.

 

Não obstante, desenganem-se os comentadores "the doom day is upon us". Estar está, mas não é por causa disso. Calha é que, coincidindo com a aprovação por passagem administrativa do OE na AR, do lado de lá do Atlântico, naturalmente animado pela notícia que agora o Obama já mandava menos, desde que terça feira perdeu o Congresso para os republicanos, o FED resolveu dar um valente empurrão no consumo (curiosamente os EUA, tendo aquela dimensão toda que funciona com uma grande dose de consumo interno, quando querem empurrar a economia, empurram o consumo que aumenta a produção que cria mais riqueza e por aí fora). Vai daí, empurrou com o anúncio da compra de 600 mil milhões de dólares, baixando dessa forma as taxas de juro, o que vem permitir uma maior facilidade de endividamento para gastar em consumo interno e etc etc, como já expliquei antes.

 

Entretanto os mercados internacionais, fartinhos de estarem parados a olhar para o Canal Parlamento a passar na Reuters, olharam para o ecrã do lado e viram uma coisa que lhes pareceu simpática. De repente, as acções começaram a subir. Ora ele há dois mercados (até há muitos mais, mas para efeitos de simplificação, consideremos só dois): a Bolsa de acções e o mercado obrigacionista. E os recursos para investir, sendo sempre escassos, por muitos que sejam, metem-se no cesto que está a pagar mais. E hoje o cesto que estava a dar era o das acções. Maiores compras de acções, menos procura de obrigações (entre as quais as da dívida portuguesa), daí que as obrigações desvalorizam e os juros sobem. Não foi só a dívida portuguesa que sofreu, mas como está débil, sofreu mais.

 

É a porra do bater de asas da borboleta, embora o FED seja mais uma louva-a-deus com asas e a teoria do caos funciona sempre. Já a umbiguice de achar que foi só por causa de nós, sinceramente para os mercados internacionais, nós não somos nada senão uma forma de ter algumas mais-valias. E se fossem vocês lá a clicar nas ordens de compra e venda fariam exactamente a mesma coisa.

 

 

[imagem de Toban Black sob uma licença CC]

04
Nov10

Liga Europa: In Vino Veritas

Pedro Figueiredo

 

 

 

Lembro-me que no início da década de 1990, veio cá ao burgo um iluminado (e não, não estou a ser irónico), de seu nome Michael Porter, como consultor do governo de sua excelência, o professor Anibal Cavaco Silva. Basicamente, veio dizer-nos a que é que a malta se tinha de agarrar para sermos competitivos no mecado global que estava a surgir à força toda.

 

Para além do tabu, surgiu, então na altura, algo a que o povo já se pode ter esquecido, que era uma coisa muito bonita chamada clusters. Admito que me pareceu mais uma marca de bolachas e até pensei que seria esse o salto que a fábrica Nacional pudesse dar para competir com a Cuetara e com a Kraft (da Oreo). Mas não. Clusters eram apenas e tão-só as áreas estratégicas nas quais valia a pena investir, se quisessemos sonhar, sequer, em andar lá fora à turra e à massa com os ciganos do Mundo.

 

E quando digo que Porter era iluminado, é porque era mesmo. O homem tem um MBA e um doutoramento em economia empresarial pela Universidade de Harvard, onde é professor, embora tivesse tirado a licenciatura em Princeton, mas em engenharia mecânica e aeroespacial. Não é, propriamente, um tipo saído das Novas Oportunidades. No entanto, as suas conclusões pareceram-me um bocadinho curso técnico-pofissional... tirado à noite. Então veio o homem de tão longe, estudou tanto o nosso país, levou uma parte dos nossos (escassos) recursos financeiros para dizer o que o país inteiro sabia? Bom, podem dizer que foi uma espécie de ovo de colombo da economia nacional, mas mesmo assim é fraquinho. Imaginem que Porter concluiu que, um dos nossos clusters, era o mar. Quem haveria de dizer. Até os habitantes do Quirguistão devem saber isso, já que não o têm.

 

Mas vamos ao que interessa, que o lençol já vai longo.

 

Pois outro dos clusters que Porter assinalou foi o vinho. No entanto, parece-me que ninguém com responsabilidade no assunto leu o relatório do homem. Porque, qual não é o meu espanto, quando na minha ronda internacional, deparo-me com esta pérola. A verdade no vinho, meus caros.

 

Lá longe, nessa pobre e sem expectativas de crescimento localidade chamada Hong Kong, esperam e desesperam por vinho português. Mas não é um vinho qualquer. Pelos vistos, zurrapa já mandamos nós para lá. Por isso é que as nossas quotas de mercado (180.000 litros por ano), quando comparadas com as da França (7.560.000) e com as da Austrália (6.660.000), tornam-se como as figuras dos políticos a queixarem-se da perda de poder compra: patéticas.

 

Austrália? Por amor de Deus! Quer dizer, então agora vamos passar a ser grandes exportadores de material de surf? É isso? Cada macaco no seu galho, companheiros.

 

Tudo isto porquê? Bom, se os pedintes de Hong Kong reclamam o melhor das nossas uvas, é sinal que na relação de negócio entre Porter e Portugal, só um ficou a lucrar. E quem contou as notas por último foi ele e não nós. Ficamos contentes com a enorme revelação económica que fez, mas como já todos sabíamos, pelos vistos, deixou-se estar como estava.

 

Até compreendo que os portugueses queiram ficar com o melhor que a terra nos dá e mandar os restos lá para. O Mateus Rosé até pode ser, ainda, um sucesso de vendas (conhecem lá os bifes outra coisa), mas a globalização traz, também, gostos mais refinados.

 

Portanto, rapaziada do Douro, de Palmela, do Dão, do Ribatejo e do Alentejo, que sei que frequentam (e muito) este blogue, apanhem o próximo avião para Hong Kong e tornem-se ricos. É que quanto mais pomada vocês colocarem à mesa dos chineses, mais hipótese temos deles nos comprarem títulos da dívida pública. Qualquer dia, só mesmo bem atascados é que alguém o faz.

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