Espólio Sarrafeiro
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Não sabe ainda como vai ser, desde que levou um coice de uma vaca louca há uns seis anos nunca mais foi a mesma.

Ah, mas quem resiste ao furacão de energia que é a Sôdona Cat (aliás, a distinta Catarina Campos)? Esta mulher é uma verdadeira força da natureza (eu tamém - mas mais prò meditativo, enquanto ela é mais activa), e resolveu reabrir as janelas quase-fechadas deste magnífico blog.

 

Tudo isto pra dizer que tá na altura de sacudir esta capa cinzenta de poeira que se me tem acachapado sobre o cérebro, e soltar a franga (aliás, o Galo) do pensamento - ao qual, disse o Poeta, não há machado que corte a raiz...

 

Tábem, muito bonito mas não diz nada; e depois? Usando esta técnica muita gente ocupou altos cargos dirigentes neste (e provavelmente noutros) país(es). Por esse lado, tudo bem; sou só mais uma, com uma vantagem - saio barata: não preciso de carro com chófer, nem de telemóvel pago, cartão de crédito ou chorudas ajudas de custo.

Ao contrário das empresas e fundações do Estado, vivo os tempos normais como se houvesse crise, e a crise como se fosse outro tempo qualquer. Não gasto mais do que tenho, não compro o que não preciso, não me empenho pra comprar o que não me faz mesmo falta para viver.

Prestações só do carro e da casa, cartão de crédito só pra comprar algumas coisitas na Internet; logo, não tenho culpa nenhuma da porcaria da dívida, mas pago-a em grande como todos os outros portugueses; não sei onde fica Cancún, roupas de marca gosto mais de vê-las no manequim da montra da loja. Jantar fora só se for na varanda, que pra comer mal (e pagar "bem") como na minha casa - já dizia a minha mãe, e eu não podia concordar mais!

 

E prontos, antes que meta os pés pelas mãos e comece a misturar alhos e bugalhos ("Não, não sou a únicaaaa!"), vou parar por aqui com ma citação desse monstro sagrado da representação cinematográfica e da política amaricana chamado Arnold Schwarzenneger:

I'll be back!


sinto-me:
música: Tô voltaaaando

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 00:33
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Background

 

No passado dia 14 de Março, o PSD reunido em congresso em Mafra, aprovou no seu último dia de trabalhos, uma cláusula nos seus estatutos que limitava a liberdade de expressão dos membros do partido, 60 dias antes de qualquer acto eleitoral em que o partido estivesse envolvido. Esta liberdade de expressão foi limitada por proibir qualquer crítica à direcção do partido e seus dirigentes, sendo que uma das penalizações previstas era a de expulsão.

 

Assim que terminou o congresso de Mafra, os principais candidatos a novos dirigentes do partido vieram a público dizer que a lei não fazia sentido e que se teria que ratificar assim que possível. O facto é que a lei estava aprovada e que limitava a liberdade de expressão dentro de um partido democrático. A lei  foi imediatamente tratada como a "Lei da Rolha" quer pelos jornalistas quer por membros do PSD.

 

No mesmo congresso em Mafra, o PSD reverteu aquilo que era já uma prática comum e não deu acreditação a bloggers (escusando-se na falta de espaço). Dois membros deste blogue deslocaram-se mesmo assim a Mafra, apesar de não termos acreditação, e reportámos via twitter aquilo que estava a acontecer e a que íamos tendo acesso. Após 10h de contactos e de alguma pressão bem humorada junto das diferentes candidaturas conseguimos finalmente entrar no congresso com acreditações fornecidas por elementos das duas candidaturas.

 

Quer o bloqueio aos blogues quer a nossa experiência para entrar no congresso do PSD em Mafra foram na altura relatadas pelo Público e pela TVI Online. No final do congresso os dois elementos deste blogue tinham produzido mais tweets sobre o congresso do que qualquer outra pessoa, mesmo os que estavam no interior do congresso.

 

O Caso da Rolha

 

No passado fim-de-semana o PSD esteve novamente reunido em Congresso, desta vez para aclamar o novo líder Pedro Passos Coelho. A "Lei da Rolha" tinha ficado fora do Congresso, não ia ser discutida e o sentimento geral era o de quanto menos se falasse na lei melhor seria.

 

A liberdade de expressão, em todas as suas formas é algo que me interessa pessoalmente e, mesmo que pense que em Portugal a liberdade de expressão existe, penso que uma lei destas em qualquer partido que se diz democrático não faz sentido. Penso que a cidadania passa por chamar a atenção, na medida das possibilidades de cada um para estes assuntos. Foi por isso mesmo que decidi levar a rolha, literalmente para o congresso. Durante as férias da Páscoa colocaram-se os sobrinhos a pintar o número 31 em 100 rolhas (uma perdeu-se mesmo e continuo a desconfiar do cachorro) e levei-as para Carcavelos. De notar que para este congresso os bloggers receberam uma acreditação equiparada à de jornalistas e que as condições de trabalho foram excelentes.

 

No primeiro dia de Congresso comecei por dar rolhas aos jornalistas que ia encontrado bem como a caras conhecidas do partido e explicar-lhes o porquê da oferta. Alguns aceitaram-na com um sorriso, alguns aceitaram-na porque pensaram que não a poderiam recusar e outros aceitaram-na reconhecendo imediatamente o simbolismo da mesma. O caso de Miguel Relvas que se desatou a rir quando lhe entreguei a rolha e depois a mostrou aos jornalistas da SIC, minutos antes de entrar em directo, é exemplo disso.

 

Por esta altura já o Público e a TVI online tinham referido que se distribuíam rolhas em Carcavelos.

 

Quando se combina um evento político, que está no mínimo morno,  com os media que precisam de notícias, o resultado é uma fórmula vencedora
para quando se quer chamar a atenção para um determinado assunto.

 

Sábado pela manhã, um jornalista da SIC aproximou-se de mim para me fazer uma entrevista, em directo, sobre a distribuição de rolhas. Ao final do dia todas as televisões presentes já me tinham entrevistado (O Mr. Simon não foi doido o suficiente para se meter nisto ;-)), várias rádios já o tinham feito e muitos jornais online tinham pegado na notícia feita pela LUSA.

 

Figuras importantes do partido tinham sido obrigadas pelos jornalistas a falar sobre o assunto e os comentadores políticos presentes estavam também a debater o assunto.

 

O objectivo de trazer a lei da rolha para o congresso estava cumprido.

 

Metodologia

 

Não existe um segredo ou uma fórmula para o que aconteceu em Carcavelos mas alguns pontos deverão ser tomados em conta:

 

  1. Conhecer o público alvo: Entregar uma rolha a um elemento anónimo do partido ou a um dirigente (ou cara conhecida) faz toda a diferença. Procurar aqueles que contam e fazer deles o alvo faz toda a diferença.
  2. Ser específico no objectivo: Esta acção em particular tinha a ver com a liberdade de expressão e nada mais. Focar o discurso no assunto principal e não deixar que o mesmo se disperse é fundamental.
  3. Ser provocador (mas não mal educado): Alguns comentários foram feitos devido aos sorrisos que aparecem nas reportagens de televisão. A verdade é que ninguém gosta de um bully (muito menos um com aspecto de skinhead, certo Nogueira Leite?) Não ser intrusivo e não interromper (regras básicas da boa educação) é fundamental. Esperar o momento certo e avançar é o segredo. Sorrir também não faz mal nenhum.
  4. Ter a atenção dos media: O facto de os jornalistas terem primeiro recebido uma rolha antes que os membros do partido não foi um acaso (nem uma tentativa de manipulação antes que alguém salte em cima). O teaser para esta acção tinha sido lançado no Twitter e no Facebook no dia anterior ao início do congreso através desta foto.
  5. Usar as redes sociais: Por cada rolha que foi entregue foi enviado um tweet a anunciar a entrega. Esses tweets no entanto ficaram diluídos na mesma hashtag usada para o congresso (#psd2010) pelo que uma das lições a tirar é sem dúvida usar uma hashtag só para a acção que se está a fazer. Neste caso #rolha seria o ideal.

 

Em baixo fica um dos clips sobre esta acção. No canal do YouTube do "31 da Sarrafada" podem ser vistos os restantes clips que foram possíveis gravar pelo Franklin Ferrer, a quem quero agradecer publicamente pela ajuda.

 

Um agradecimento também à Sara Marques e ao Luciano Alvarez pelo apoio quer em Mafra quer em Carcavelos.

 

 

 

 

Publicação bílingue


sinto-me: Esclarecido

Uma Sarrafada de: FF às 13:07
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