Espólio Sarrafeiro
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011

 

Este será na melhor das hipóteses um excelente momento de despertar consciências, se não as políticas, pelo menos alguma consciência cívica, tão amorfa entre nós. Cabe-nos a nós TODOS aproveitá-lo
As mudanças radicais não são possíveis no Portugal actual. Mais que não seja por total falta de opções, estando mais perto de um deserto de alternativas como a Líbia do que um Egipto onde um ainda "duvidoso" exército gozava e soube capitalizar bem a credibilidade da opinião pública (aparte existirem já muitos grupos de resistência organizada, o que cá não há e entende-se porque ainda assim a existência de liberdade retira-nos essa necessidade de resistência a algo).

É impossível pedir uma total mudança de regime. Que outros políticos (ou não) teríamos para colocar no lugar dos actuais? Penso contudo que podemos, sim, fazer exigências: que se cumpra a constituição, que o Estado se comporte como uma pessoa de bem, que os políticos e governantes se rejam pelos valores da ética, boa moral, bons costumes, lisura, honestidade; que sirvam o país em nome da causa pública e nenhum outro valor pessoal ou partidário.
A nós, devemo-nos a obrigação de zelar para que assim seja, e fazer o Estado (país, nação, pátria) sentir que reclamaremos se não forem estes os valores pelos quais somos governados.

Eu sou e estou optimista. Não num futuro imediato, mas que me parece estar a chegar mais depressa do que eu pensaria ou poderia esperar.
O mundo move-se rápido para que estas revolução não alastrem mais. Eu acredito que esta revolta é imparável. Que estamos no início de uma mudança de paradigma civilizacional. Que do Médio Oriente alastrará a África, à China, à Europa, com surtos de contestação a começarem a verificar-se em alguns países de leste (como já acontece na Sérvia), Escandinávia (já se verifica na Islândia), Reino Unido (onde penso começará de facto a agitação social em massa na Europa devido a insatisfação de sindicatos, estudantes e, sobretudo, forças armadas, um real e actual problema no UK de onde poderão surgir surpresas já nas próximas semanas, Europa central mais tarde - por influência dos novos fluxos migratórios do Magrebe para a Europa - num efeito cascata que por fim chegará a Espanha e Portugal.

Haverá muito sofrimento nos tempos futuros, sem dúvida. Subida dos preços dos alimentos, fome, agravamento das dificuldades financeiras... mas infelizmente também estou convicto de que só este sofrimento poderá tirar as pessoas do estado de torpor, dos dia-a-dia de luta por (sobre)viver e despoletar a revolta social. Pacífica, assim saibamos nós - todos - ser o exemplo dos valores que defendemos e reclamamos.

Não sei se idealismo meu mas creio de facto que vivemos tempos de mudança. Que o mundo vai mudar. Para melhor. E que cá podemos começar já a exigir mudanças, de atitude, mais que não seja e já seria muito, por parte de todos: políticos, governantes, empresários, banca, finança, justiça mas também nós, cidadãos, que para exigir teremos que estar dispostos a dar algo em troca: o nosso esforço, o nosso empenho. Nada, comparado com exemplos que vemos onde é a própria vida que estão dispostos a dar em troca do direito a uma vida digna.

 



Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 11:02
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011
 
O meu primeiro pensamento foi fazer greve à Liga Europa. Por nenhuma razão em especial, apenas porque estava (e estou!) preguiçoso para escrever. Provavelmente, mais valia ficar-me pelo direito à greve, ainda que sem motivação justificativa. Até porque ando atrasado nas minhas leituras e ainda não acabei a edição 2000 do Expresso, prestes a fazer 15 dias. É a vida. E a minha greve até poderia servir de antevisão ao que depois de amanhã se vai passar na manifestação, com todo o crédito que a geração à rasca possa ter. Seria, no entanto, um mero oportunista.
 
Mas não seria o único.
 
 
Porém, houve algo na revista especial comemorativa da edição 2000 do Expresso que me chamou a atenção: os mega processos judiciais que marcaram estes 38 anos de vida do semanário. No fundo, todos eles faces ocultas de ajustes políticos (internos ou adversários) que servem, quase exclusivamente, para marcar uma vergonhosa agenda partidária de vinganças iniciadas por alguma caixa de pandora aberta em desespero de causa de alguém. Nem vale a pena citar os nomes dos processos, muito menos os visados, já que todos são do conhecimento público. A seguir foi o efeito bola de neve. Ou como diz o anúncio das batatas fritas Pringles: quando se faz pop, já não há stop!

 
O problema é que a justiça deixou-se instrumentalizar. Por culpa das fugas de informação. Sofreu com isso. Degradou ainda mais o que já tinha de pouco abonatório, pela demora nas apreciações dos processos: a sua imagem pública. Perdeu a justiça, ganhou a imprensa. Os portugueses dividiram-se ainda mais e parece-me que não é com divisões que se chega a algum lado. Mourinho, de Madrid, diria que mais do que animar a malta, o que é preciso é blindar o balneário, mas sabem lá os políticos o que isso significa.
 
 
Os tempos são outros, é certo, mas também a referida revista falava do Bloco Central promovido por Mário Soares e Mota Pinto (1983). Os tempos podiam ser outros, mas a crise não era tão grave como a actual. E desta vez não há escudo para desvalorizar. Esta semana foram mais mil milhões em dívida com juros a bater recorde . De que vale a procura ser maior que a oferta, se estamos a ser esfolados no mercado? É o próprio secretário de Estado do Tesouro que o diz: estes juros são insustentáveis. Como diria o nosso sarrafeiro de Setúbal: NO SHIT?!

 
Ao contrário do que já vi escrito em blogs e mesmo na imprensa, parece-me que a única situação viável (e já a curto prazo) é tão-só os únicos dois partidos do eixo da governação entenderem-se e fazerem um pacto de regime. Pensarem o país com perspectiva de futuro, ouvir quem têm de ouvir e fazer as reformas que se arrastam há anos. Sobretudo no próprio Estado, já que é ele o mais obeso (a despesa pública em 2009 representou 51% do PIB).
 
Parece aquele gordo a quem o médico diz que se não emagrecer terá certamente um AVC. Jura que vai fazer um esforço, mas chega ao restaurante e depois de comer uma feijoada e lambusar-se com um pudim abade de priscos, mete adoçante no café com um sorriso de vitória pela consciência das medidas restritivas que tomou.
 
 
Assim, mais vale arranjar um daqueles desfibriladores portáteis que há nos estádios de futebol. A qualquer momento, o país precisará de tratamento de choque.
 
Imagem: "Lifepak 20eAttribution Some rights reserved by Physio-Control, Inc.


Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 17:57
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Quinta-feira, 3 de Março de 2011
 
 
Não houve ninguém que não tivesse apelidado a ida de José Sócrates e Teixeira de Santos à Alemanha como um autêntico voo ao castigo. 
 
Onde estava desta vez Ana Gomes para se queixar de viagens aéreas com destino à tortura? Puxões de orelhas, avisou-se logo. Ainda o homem não tinha aterrado em Berlim e já as tinha quentes. Deve ter dado jeito, para o frio que deve fazer por lá. Espanta-me, por vezes, a linguagem demasiado taberneira para este tipo de situações. Nesta taberna, aceita-se. Não em restaurantes gourmet. Podemos estar, geograficamente falando, atirados para o canto da Europa, mas as orelhas de burro, para já, só encaixaram na cabeça dos gregos e dos irlandeses.
 
Continuo a achar que o homem está a fazer um esforço para que não sejamos os clientes seguintes. A azáfama é tanta que ao toque da corneta, lá foram (duvido que na low cost Air Berlin) mostrar os TPC's, nem que para isso tivesse sido preciso apressar os resultados do mês. Só espero que não tenham colocado a informação numa pen! Até isso já devem ter aprendido.
 
 
Pelos vistos, não houve puxão de orelhas (sabe-se lá o que fizeram nos 45 minutos que durou o encontro), mas o nosso Primeiro puxou dos galões dos 800 anos de história e da não subserviência. Por pouco não dizia que ainda a germânia era uma terra de bárbaros e de guerras tribais e nós já tínhamos as nossas fronteiras definidas. Não disse, mas imagino que pensou. Assim como os alemães também devem ter ficado com a ideia que os papéis, sarcasticamente, se inverteram. Para eles, somos nós agora os bárbaros, que andamos em constantes guerras tribais. Coincidências. Mas gostei da exaustiva repetição «O meu país..., o meu país..., o meu país...». Gostava que o tivesse dito com o punho fechado a bater no coração. Pinderiquices estéticas.
 
 
Dos puxões aos empurrões.
 
 
Não há outra explicação: há hospitais que empurram doentes para outros hospitais. O ping sem pong entre São Marcos (Braga) e São João (Porto) é lamentável, não tanto como a troca de acusações entre os respectivos conselhos de administração e direcções clínicas. Dá aquela triste ideia de se varrer a poeira para baixo da carpete, só que desta vez... para a do vizinho. Linguagem taberneira, eu sei. Para defesa da honra (que se lixem os doentes), a questão vai parar aos tribunais.  Um factor curioso nesta equação é que o hospital bracarense é gerido ao abrigo de uma PPP. Antes isso que um KKK. Digo eu.
 
Imagem:"German Sausages"  AttributionShare Alike Alguns Direitos Reservados por -l.i.l.l.i.a.n-


Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 17:45
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Ao ler o que escreve Mário Soares no DN sobre o anunciado protesto a que foi dado o (infeliz) nome "Geração à Rasca" fico com a sensação de que há uma outra geração que começa a ficar "à rasca". A que nos deixou o país neste estado e a quem agora pedirmos conta de um passado desperdiçado, de um futuro hipotecado. A que continua a não perceber que são eles quem continua a manter o fascismo/salazarismo vivo não nós. Agradecemos a liberdade a quem no la deu - e não foi o senhor Soares em França ou o senhor Alegre na Argélia, foram os Homens que se revoltaram e tomaram uma atitude, não os que chagaram no dia seguinte para colher os louros e começar a brincar ao "vamos governar um país" e quem mantêm vivos os fantasmas do passado acreditando que ainda nos assustam. Não assustam, nós somos já uma geração de liberdade e por muito que queiram não temos culpa de não termos lutado contra o fascismo ou não termos sido perseguidos pela PIDE... eu peço desculpa por isso, mas tinha 6 anos em 1974.

Agora esta geração começa a perceber que o "perigoso niilismo" de que fala o senhor Soares é o estado actual em que sob a capa da teórica liberdade - que se há a de expressão, muitas outras faltam e opressão estatal é uma realidade - começam os donos de Abril e da liberdade e da moral e de Portugal e dos AllGarves a ficar à rasca, sim, porque tudo o que não se percebe assusta. Assusta o ROCK dos Deolinda, porque se os jovens ouvem, é rock; assustam pessoas que se juntam sem ser em partidos ou sindicatos ou outra qualquer organização infiltrável e controlável; assusta a possibilidade de ter que prestar contas sobre o passado; assusta aquela incerteza de futuro (e se assusta, então sabem o que nós sentimos, só que não sabem que sabem... porque tudo isto, NÓS, é novo para a Geração Soares).

O próprio senhor Soares anda um pouco baralhado, começando por escrever sobre a música de Deolinda e, sem a conhecer opinar, depois conheceu e não gostou do que leu... Temos pena. Já agora ouvia também, partindo do princípio que conseguirá distinguir rock do estilo musical que os Deolinda interpretam (que entretanto o senhor promovei de pop a rock) e depois confundindo o "Protesto da Geração à Rasca", que não é um blogue, é um evento, livre, vai quem quer - o que ele chama de "antidemocráticos" portanto. Com certeza alguém poderá explicar ao senhor a diferença entre um blogue e um protesto e já agora falem-lhe no Facebook e nas redes sociais e ele verá que o mundo tem vindo a mudar desde Abril de 74.

De facto "Não se trata de anarquistas. Nem, muito menos ainda, de marxistas, nem sequer de islâmicos radicais." quem agora recusa calar a indignação (categorizemos assim as pessoas e depois demos vivas à liberdade, não é senhor Soares?). Tampouco somos niilistas. Temos sido até agora, sim, quietos, calados, encarneirados. Agora não queremos mais um país sem rumo. Porque vocês que nos têm governado são perigosos, antidemocratas, niilistas. Parece que esperam que alguém (Alemanha, EUA, URSS, etc.) lhes indique um caminho. Mas qual e quem? A isso respondo: não, muito obrigado! Já tivemos disso 36 longos anos e não queremos mais…

Percebe, senhor Soares? Os "vossos" 48 anos são para nós já quase 37, livres, sim, mas desperdiçados. Ao contrário do que pensa(m), na verdade nós queremos enfim cumprir Abril. Não era essa a ideia?

 



Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 10:04
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Não gosto muito de despedidas, até porque todos nós "vivemos" noutro blog qualquer ali ao lado; pelo que isto é simplesmente um "vou para ali e já não estou aqui".

 

O Sarrafada foi e é um projecto do caraças. Tenho imenso orgulho de ter participado, diverti-me imenso, gostei mesmo muito. Pela minha parte, agradeço aos sarrafeiros, autores e leitores, porque todos são o Sarrafada. E continuarei a ser leitora assídua e entusiasta. Bem haja e até outro lado qualquer :)

 

 



Uma Sarrafada de: Catarina Campos às 20:46
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Imagem daqui



Uma Sarrafada de: FF às 17:57
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Os devidos e merecidos parabéns a toda a equipa do SAPO que faz hoje 5 anos de idade. 

 



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 17:51
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Parece que o probleeeeema é que vem aí o fundamentalismo islâmico quando o probleeeema é que 30 anos de governos de partidos da Internacional Socialista não criaram qualidade de vida às populações de forma a afastar o fundamentalismo. Antes pelo contrário. Oligarquias familiares, saque e corrupção, e a função social do Estado inexistente, e habilmente preenchida por movimentos com o Hamas, o Hezbollah ou a Irmandade Muçulmana. Os fundamentalistas aprenderam mais connosco do que nós com eles. E tudo isto é novidade. E o gozo é mesmo esse: estava toda a gente formatada para apontar o dedo aos partidos comunistas e à cumplicidade com os totalitarismos a Leste e eis senão que... os mencheviques conseguem ser mais perversos que os bolcheviques.

 

E o supra sumo do cinismo é dizer que a Europa pode ter papel determinante no futuro político dos países árabes e do Magrebe pós-revoluções - igual ao que teve nos últimos 30 anos? - quando o nosso secret wish era termos um novo Adriano. Essa é que era.

 

(Em stereo)

 

(Imagem via Associated Press)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 00:23
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Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Então, agora... numa altura em que o Povo, está a tomar o poder pelas suas mãos, assistimos a um golpe de estado no Bloco de Esquerda?

Então as comadres estão chateadas? 

Querem ver que qualquer dia ainda tentam definir ideologicamente o BE? 

Se calhar deviam ter-se lembrado antes de terem metido tudo dentro da liquidificadora.

 

Agora que têm um belo batido de tutti-fruti é que se lembram de andar a tentar apanhar os bocadinhos de bananas?



Uma Sarrafada de: calvas às 16:25
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
 
Numa destas manhãs ouvi, na M80 (imagine-se), um daqueles apontamentos económico-políticos para básicos (como eu) lavrado por Camilo Lourenço. Disse, com uma semana de antecedência, aquilo que o presidente do Millennium BCP veio dizer e que é uma constatação óbvio: com estes juros da dívida, é mais fácil alimentar um burro a pão-de-ló! Com um financiamento externo destes, duvido até se a Cetelem ou a Mediatis não fariam um preço mais em conta a Teixeira dos Santos. Até lhes renovavam a frota de carros ministeriais outra vez, tipo surpresa num ovo kinder.
 
Publicidades à parte, o esforço do nosso Primeiro em retardar ao máximo a entrada dos bulldozers da finança mundial é meritório. É pena é ter sido preciso atiçarem o orgulho nacional - com o fantasma do FMI - para os merceeiros do Terreiro do Paço tirarem o lápis da orelha e fazerem as contas com mais atenção. Ainda falta saber se tamanha travadela, como lhe chamou o Expresso, foi à custa da despesa ou da receita, isto é, se temos ABS ou se com esta chuva que não passa, os travões de servo-freio não bloquearam as rodas e não estamos em pleno bailado para despiste.
 
Mas bom esforço na mesma, Zé. Parece-me é que esses autênticos bond road-shows que fez nos últimos tempos, a que o Expresso tão humoristicamente até comparou às milhas que poderia ter acumulado se tivesse cartão Victoria (TAP) - que já valia uma ida e volta a Nova Iorque à borla! -, mais não foram do que visitas de cortesia, boas para aprofundar as relações internacionais. A não ser que tenha implorado pela compra de títulos. Se assim for, so long Marianne!
 
Camilo Lourenço falou ainda no discurso arrumadinho do homem que quer ocupar o lugar de Primeiro. Demasiado arrumadinho, nas palavras do especialista. Tem percebido que o novo manda-chuva da São Caetano à Lapa tem tido margem de manobra para actuar, querendo vê-lo mexer-se quando a pressão começar a apertar. Que é como quem diz, quando o calor começar a fazer-se sentir na cozinha. E ainda segundo o Expresso, parece que o forno já está ligado. E a uma temperatura tão alta que não será difícil alguém sair queimado antes do prato ser servido aos portugueses. Não é preciso mandar calar ninguém, porque para isso já houve quem tivesse sugerido fechar a democracia por seis meses e deu-se mal. Basta, como diz a nossa querida sarrafeira Catarina Campos, mandar sossegar a franga dos militantes mais entusiasmados. É que a minha avó também tinha um ditado popular para estas ocasiões: cadela apressada, pare crias cegas e o Ensaio sobre a Cegueira já paga direitos de autor.

 

Imagem: "Burn Baby BurnAttributionNoncommercialNo Derivative Works Alguns Direitos Reservados por Abstract Gourmet



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 16:29
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

 

 

 

 

 

Personagens como Joe Berardo, que está morto em casa há pelo menos 37 anos sem que o fisco, a vizinhança, ou a comunicação social tenham dado por isso, devem ser estimulados e incentivados a virem a terreiro dizer o que lhes vai na alma como forma de trazer os jovens de volta à política e à contestação.

 

Falar à geração actual (18/ 20 anos), nascida e criada com a Democracia consolidada, em «“mudar o sistema político”, nem que seja com “um novo género de ditadura» é encher as ruas de jovens, logo no dia seguinte, a levantar as pedras da calçada. Abençoado Berardo!

 

(Em stereo)

 

(Imagem)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 18:28
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

 

 

 

 

É muito fácil caricaturar o nosso país. O raio da terra e das suas gentes põe-se mesmo a jeito. Mesmo correndo o perigo de pisar o periogoso e minado terreno das generalizações, há sempre um ou outro aspecto no qual nos revemos enquanto povo.

 

Lembro-me sempre de como somos enquanto adeptos do futebol, por exemplo. Ou nos sentimos capazes de conquistar o Mundial, independentemente de sabermos ou não se nos qualificamos para a fase final, ou caímos na mais absoluta depressão por pensarmos que não vamos a lado nenhum, quando até empatamos em casa com potências do futebol mundial... tipo a Albânia (mas sempre com a profunda convicção que somos realmente extraordinários).

 

Correu por aí a ideia que o novo trabalho do grupo, "Parva Que Sou", transformou-se numa espécie de hino de uma geração, supostamente de grandes qualificações literárias, que não consegue entrar no mercado de trabalho. Não tem perspectivas, a não ser continuar a morar em casa dos pais e ir evoluindo na carreira académica até ao máximo permitido (que pode nunca acabar, havendo dinheiro para as pós-graduações). Para espanto de alguns, passo esta música em frente. Mas volto atrás no tempo para lembrar uma outra que serviu de bandeira do grupo no ano passado, chamado "Movimento Perpétuo Associativo". Estão recordados da letra? Agora sim por mil e uma razões, mas logo de seguida agora não por outra quantidade de argumentos esquizofrénicos.

 

O país anda pelos cabelos com a (des)governação socialista e com o comando técnico socrático. Uma grande maioria da população parece quer vê-lo(s) pelas costas quanto mais não seja pelo simples facto de estar a chegar a hora da rotatividade partidária, da qual já aqui se falou em tempos. Num período de alguma agitação social (greves nos transportes públicos quase todos os dias da últimas duas semanas) de pedidos de demissão de ministros, o povo pensa: agora sim, damos a volta a isto; agora sim, há pernas para andar; agora sim, sentimos um optimismo... E eis que um partido político lança o mote para fazer cair o Governo. O país fica atónito. Moção de censura? Grita-se pelos corredores da Assembleia da República IRRESPONSABILIDADE POLÍTICA. O povo vai lamuriar-se para os fóruns das rádios e das televisões: agora não, que os mercados financeiros não querem; agora não, que ainda há pouco viemos de eleições; agora não, que vai ser expulso um gajo do ídolos e a malta quer mesmo ver!

 

Os Deolinda podem ficar na história, sim, mas não com hinos de gerações. É com mais um retrato caricaturado de uma sociedade que passa a vida a oscilar entre o desmesurado optimismo do agora sim, vamos em frente e ninguém nos vai parar; agora sim, há fé neste querer e o pessimismo descontextualizado do agora não, que me dói a barriga; agora não, dizem que vai chover; agora não, que joga o Benfica e a malta tem mais que fazer!

 

E vai-se andando...



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 23:30
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

 

 

 

 

 

A parte, digamos, mais saborosa, é a da criação de uma agência, a "Portugal Music Export". Jobs for the boys como diria o beato.

 

"Os artistas sonham, o Estado decide e a obra nasce". Faltou dizer “o contribuinte paga”. A vida é bela.

 

Meanwhile as vozes incómodas dos artistas, os mesmos de sempre, nos sítios do costume, só grandes músicas e a melhor música de todas as estações (e apeadeiros), mais as Deolindas manhosas à procura do “venha a nós o vosso reino” (os bilhetes para a Sombra são mais caros que para o Sol, é por isso que as corridas nocturnas são mais democráticas) ficam macias. Granulação acima de 2000, só para tirar o brilho. Não se morde a quem nos dá de comer, um velho ditado salazarento. A esquerda sempre teve um jeito especial para tratar destes assuntos da kultura.

 

Pão e circo. Equação perfeita. Não se dera o caso de ir faltando o pão.

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 22:41
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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

 

 

 

 

 

Isto está errado. Está mais do que errado… É uma loucura.

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 09:06
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

 

Apenas 15 dias depois do day-after das presidenciais, começam a puxar para trás os lençóis da cama onde o governo se prepara para o repouso eterno. É certo que, para muitos, o executivo vai deitar-se no leito que preparou para si, mas não deixa de ser curioso perceber que os habituais tarólogos da política já deram o tiro de partida para o (im)paciente voo dos abutres.

 

Afinal, se o governo está morto, está na hora de se começar a debicar o cadáver. Digo debicar porque há quem considere que ainda não está na hora da refeição. Há que esperar o momento certo e não haver precipitações, até porque pode ser de Belém que venha a certidão de óbito, agora que o segundo mandato parece tudo legitimar.

 

Uma coisa é certa: o governo pode não ter morrido, mas virou, com toda a certeza, um daqueles sacos de areia em que os boxistas fazem o seu treino, aquilo a que vulgarmente o povo gosta de chamar de 'saco de pancada'. De tal forma, que até há quem, de dentro, aproveite para ajustar contas passadas, escudados pelo legítimo direito à diferença de opinião e liberdade de a expressar.

 

Agora, é o caminho mais fácil. Aliás, chegou a hora dos fracos sairem de cena de fininho para, na hora do funeral, poderem até alinhar na maledicência ao falecido bem como os oportunistas que, percebendo que terão de colocar na loja o letreiro do 'Volto Já', começam a encher o porquinho mealheiro para o tempo de vacas magras que se avizinham. Há até números que, oportunamente, aparecem nestas alturas libertando apenas comentários do género "Que grande novidade!" A minha dúvida é só esta: esta sondagem reflecte o momento ou um sentimento de leitura mais ampla?

 

O governo morreu, viva o governo! Porque como dizia a minha avó, atrás de mim virá quem de mim bom fará.

 

Imagem: "VultureAttributionNoncommercialShare Alike Some rights reserved by kahunapulej



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 19:41
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

(Alerta de conteúdos: alertam-se as pessoas mais sensíveis que este post contém Deolinda)

Cada vez estou mais convencido de que há dois portugais. Ou três. O real, o imaginado e o desejado. Aparentemente nenhum deles é grande coisa mas tem o inconveniente de pôr as pessoas a viverem realidades diferentes e, pior, a ver as coisas de forma diferente. Ou pior, a não ver.

Quando no meu portugal vejo aparecer uma música de que as pessoas se apropriam, pelo tanto que se revêm nas palavras, logo vem o outro Portugal, o que não, que música de intervenção é Zeca Afonso, aparentemente começou e acabou com ele, privilégio eternamente reservado, assim à democrata. Piora se um qualquer Louçã se atreve a uma referência à dita canção, porque aos 'zecas' junta-se mais um portugal, o do preconceito, o da ideia feita, onde qualquer verdade, se dita na voz de Francisco Louçã ou de Paulo Portas passa de imediato a tenebrosa demagogia, a palavra mágica dos tempos correntes para ignorar verdades.

No meu portugal há um Estado absolutista que me impõe regras que nem deviam ser legais. Que me obriga a passar recibos verdes online,. Que me obriga e entregar o IRS online. Mas que depois não é capaz de me deixar votar online, pois se nem ainda chegou à fase de conseguir condições técnicas de eu conseguir saber o meu novo número de eleitor online para poder votar! (porque no meu portugal eu sou obrigado a pagar um cartão de cidadão - a cidadania paga-se - e um novo número de eleitor mas o meu portugal não tem quaisquer obrigações para comigo, nem de me informar em devido tempo que novo número de eleitor Comprei).

No meu portugal o serviço de internet não é gratuito e o Estado obriga-me a pagar por um. No meu portugal ter conta num banco custa dinheiro e o Estado obriga-me a ter uma (obriga, sim, porque o cheque do "reembolso" do IRS, o dinheiro que durante o ano fui emprestando ao estado e que este me faz o favor de devolver mas sem juros, o que não vale no sentido inverso, não pode ser levantado, tem que ser depositado).
No meu portugal eu desconto todos os meses para a segurança social, mesmo que esteja há 4 meses sem ganhar 1€ que seja. Porque eu não desconto só sobre o que ganho ou quando ganho (sim, recibos verdes, claro), há outros portugueses deste portugal que o fazem, mas também não é muito melhor, descontam sobre o pouco que ganham quando têm emprego regular e deixam de descontar quando estão desempregados. Não é grande vantagem.

O portugal imaginado chama a isto progresso, Choque Tecnológico, vamos ser o primeiro e-País. Sendo assim tem lógica que sejamos nós a primeira aplicação ai-Povo. O Portugal desejado neste momento não se sabe muito bem onde anda, parece que se tem que perguntar a uma senhora alemã.

Ah! mas eu também estou a falar mal do governo... Quem disse? Eu nem falei em governo! Você é que pensou nisso, eu só falei em Estado. O Estado livre este em que vivo desde os 6 anos. Teve muitos governos, já. Todos juntos pouco mais conseguiram que fazer o melhor que puderam e souberam para não estragar muito. Não, eu estou a falar de como é duro viver num país absurdo, só isso, nem estou a falar de política, estou a falar da vida real, do dia-a-dia. Os políticos, esses não vivem no portugal dos recibos verdes, dos descontos para a reforma que não vai haver.

O meu portugal revolta. Parece que revolta a todos mas de formas diferentes. A uns causa revolta a classe política, assim, por inteiro; a outros causa revolta viver num país em "que para ser escravo é preciso estudar"; ainda a outros causa maior revolta que uma música possa estar a espelhar essa revolta (ainda se fosse do Zeca...). Mas como é que se revolta uma "geração sem remuneração"? "Vão sem mim que eu vou lá ter" que agora estou aqui no conforto do sofá a ver a revolução no Egipto na Aljazeera porque hoje somos todos egípcios!

Somos todos egípcios o CARA...ças! Eu não sou! Não sou porque me recuso a, com a minha passividade, insultar um povo que agiu, em vez de calar em angustia a revolta; agiu, quando percebeu que não se chega a lado nenhum com cantigas, nem com palavras; agiu, quando em vez de escrever desabafos estéreis (assim como este), levantou o AlCú do al-sofah e decidiu fazer alguma coisa: pedir um Egipto para eles.
Nós temos lá tempo e paciência de exigir um Portugal com P maiúsculo (ou mesmo um Egipto com Pê) para nós! isso envolve manifs e assim. E nas manifs há muita gente. E depois não há lugar para estacionar o carro.

 


sinto-me:

Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 09:48
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

 

 

 

 

 

Faz hoje 50 anos, ainda não era nascido, que se deram os acontecimentos que levariam a que 14 anos depois caíssem de “pára-quedas” na minha turma na então recém inaugurada escola secundária da Bela Vista em Setúbal, o último grito ao nível das escolas, ainda sem o gueto e sem guetos dentro do gueto como paisagem, um seres vestidos de modo estranho, sempre de camisa e sandálias de sola de pneu de camião, fizesse chuva ou fizesse sol, que tratavam as raparigas por garina e os rapazes por madiê, não sabiam onde parava a família desde que tinham dado à costa em Lisboa, mas moravam num hotel apesar de terem menos dinheiro que eu, não gostavam do Duo Ouro Negro porque era música para enganar europeu e em contrapartida ouviam Osibisa, Miriam Makeba, Fela Kuti, e Jorge Mendes & Brasil 66, umas coisas muuuuuitos boas que me deram a conhecer e das quais nunca mais me esqueci, numas festas que organizavam aos sábados à tarde, farras de seu nome, e para as quais me convidavam. A estrela que “traziam cozida” na banda do casaco dizia “Retornado” mas na realidade eram refugiados porque ninguém retorna a uma terra que não o viu nascer, e vestiam assim porque era o que tinham em cima do pelo no dia da partida. Ainda hoje somos amigos.

 

(Em stereo)

 

(Na imagem mapa do império colonial português igual ao que havia na parede da minha sala de aulas na escola primária)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 20:07
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

 

 

Aviso: este post é uma reciclagem do anterior com um pequeno up-grade!

 

Sinceramente, não sei se é por causa de uma certa vertigem do fim, mas a verdade é que certos membros do Governo estão a criar práticas muito estranhas para os hábitos da democracia portuguesa. Vamos directamente à novidade.

 

Então a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, decidiu, por livre iniciativa ir à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura explicar a integração dos teatros S. João e D. Maria II no Opart? A TSF adiantou mesmo que o pedido enviado pela ministra é mesmo uma medida inédita no país. Claro que tinha de ser inédita. Onde já se viu um ministro ir de livre e espontânea vontade prestar esclarecimentos ao parlamento?

 

Já não bastava os dois directores-gerais na Administração Interna terem pedido a demissão, tinha agora que vir a ministra da Cultura atirar mais lenha para a fogueira em que estão a ser queimados os velhos costumes da casa.

 

É o que dá convidarem independentes para o executivo.

 

Corrompem por completo as normais partidárias e furam esquemas que acabam por expor ao ridículo os companheiros de governo. Assim não dá. Aposto que na próximo Conselho de Ministros, Gabriela Canavilhas vai ficar de castigo a um canto da sala e a escrever 100 vezes no seu Magalhães para ser visto no vídeoprojector à frente do restante elenco ministerial (como o Bart Simpson no génerico da série): PROMETO NÃO VOLTAR A TOMAR A INICIATIVA DE IR PRESTAR ESCLARECIMENTOS AO PARLAMENTO. E proibida de usar o copy/paste!

 

Claro que tamanho sentido de Estado só podia ser aproveitado pela oposição. Como está referido na peça do primeiro link, o PCP aproveitou logo para pedir esclarecimentos em relação à demissão de Jorge Salavisa, precisamente da presidência do conselho de administração do Opart . Está a ver, Gabriela? Dá-se-lhes a mão e a rapaziada quer logo o braço. Que lhe sirva de lição. O sistema funciona de uma determinada maneira há tantos anos por alguma razão é. É que nem lhe valeu os votos contra do PS!

 

Por isso é que o povo há-de aplicar o respectivo castigo. E se não for por isso, há-de ser por outra razão qualquer. Ou não!

 

Imagem: "Broken HopeAttributionNoncommercialShare Alike Alguns Direitos Reservados por janhamlet



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 14:36
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Uma Sarrafada de: FF às 11:58
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

Democracia não é sinónimo de liberdade. É só sinónimo de liberdade de escolha. Naquele dia.

 

No fundo todos somos apenas peões. O norte de África entra em modo-manifestação pela democracia, o ocidente capitalista preocupa-se com o que possa resultar com a democracia resultante e a rapaziada mais lírica preocupa-se com a preocupação do ocidente capitalista, porque nestes países, de gente tão budista zen, não há motivo para que o capitalismo se preocupe.

 

E ninguém se preocupa se em BurakaNumCudeJudas de África, uma ilha isolada, onde os dez habitantes vieram para a praça manifestar a sua vontade de deitar o chefe ao poço e eleger democraticamente o curandeiro. Sabem porquê?

 

Porque nessa ilha não há petróleo, nem gás natural, nem nada disso, só bananas (e um poço e duas galinhas que são do chefe).

 

A parte do ocidente capitalista eu entendo. A parte do lirismo ocidental custa-me sempre a alcançar: agora está o mulherio chanata chanel (a palavra chave aqui sendo “chanata”) a aplaudir as mulheres de roupas ocidentais que aparecem nas manifestações. Daqui a nada, estão a criticar que elas sejam obrigadas a cobrir-se com um pano preto enquanto lhes cosem as ditas. E se for a democracia deles a decidir isso, em que ficamos? Não há motivos para preocupação? Em abstracto, no mundo utópico, não. Mas na realidade, a democracia não é sinónimo de liberdade.



Uma Sarrafada de: Catarina Campos às 00:22
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