Espólio Sarrafeiro
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

 

Percebo que o momento da política nacional dava vários olhares críticos, mas decidi fazer uma pausa. O pedido de ajuda externa é suficientemente grave e humilhante para quem, ao longo destes anos, teve a responsabilidade de ir encontrando soluções para um problema que parece histórico e afecta como as marés. É a constatação de que, de facto, a carta de um governador romano a César, já nessa altura estava certíssima, agora com uma actualização vergonhosa: estranho povo que não se governa e é obrigado a deixar-se governar.
 
A minha reflexão desta semana vai para outro estranho povo. Fico pasmado com o abnegado estoicismo dos japoneses, registado na sequência dos tristes acontecimentos de Fukushima. Eles, mais do que ninguém, deveriam conhecer os malefícios do nuclear, anos após (não muitos) de Hiroshima e Nagasaki, vendido e distribuído em forma de energia em nome do progresso. E ninguém tem dúvidas do progresso do Japão. Renascido de verdadeiras cinzas da II Guerra Mundial, voltou ao grupo das mais fortes economias mundiais, criando e produzindo o que de mais avançado tecnologicamente surge no mundo.
 
De todos os países com centrais nucleares, tenho a certeza que o Japão não estava no topo das preocupações de ninguém. Alguém imaginaria a catástrofe que se abateu por ali? O caso torna-se ainda mais estranho quando não se conhecem manifestações de pânico, fugas em massa, protestos por claras opções políticas que trouxeram, mais uma vez, a desgraça ao povo japonês. Não consigo entender a aparente passividade (sabe-se lá o que vai na alma daquela gente...) com que a população encara a sua sorte, quando muitos devem perceber que o pior está ainda para vir.
 
O que pensará, agora, por exemplo, Mira Amaral em defesa da energia nuclear? Aplique-se o princípio das agências de rating: passou de seguríssima e limpa para razoavelmente segura e aceitavelmente asseada (com tendência negativa).

 

Imagino que os amantes das estatísticas dirão logo a correr que os ganhos continuam a ser exponencialmente vantajosos. Quantas centrais nucleares existirão no Mundo? Quantos acidentes ocorrem? A relação pode determinar uma eficácia tremenda, isto se não levarmos em linha de conta os prejuízos que as centrais originam de cada vez que há um "azar". E não me refiro a custos materiais e sim humanos. E naturais. Quem vai comer peixe do mar de Fukushima, com níveis de iodo radioactivo superiores em cinco milhões de vezes ao que é normal? Pouco saboroso sushi...
 
Para os mais esquecidos (confesso que nem tinha conhecimento!), a minha camarada sarrafeira Vitriólica deu-me uma preciosa ajuda ao lembrar o que Portugal protagonizou quando se começou a falar em energia nuclear por aqui, na década de 1970. Ferrel, em Peniche, é um nome que pode avivar algumas memórias, mas há também os gritos de alerta da Lena d'Água ou a intervenção mais doce e terna do Fausto.

 

Não me recordo dos japoneses protestarem contra o que quer que seja. Mas como cantava bem a Lena d'Água: mais vale ser activo hoje do que radioactivo amanhã. Agora é fácil perceber que há protestos que não são estéreis: Nuclear? Não, obrigado


sinto-me: Activo com rádio na Radar FM

Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 01:05
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1 comentário:

Rui Saraiva @ 07:15

27/11/11

Não costumo visitar o seu blogue. E a única vez que visitei, o que vi não foi muito atractivo. Porém antes de pensar escrever sobre o Japão, convido-lhe a vir cá e estudar mais sobre esta sociedade, antes de apresentar a sua opinião.

Sobre os protestos anti-energia nuclear em Tóquio: http://www.huffingtonpost.com/2011/09/19/nuclear-power-protests-tokyo-japan_n_969385.html

e se tiver interesse em ler este artigo: http://www.opendemocracy.net/rui-faro-saraiva/post-fukushima-japanese-energy-policy

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