Espólio Sarrafeiro
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011
 
O meu primeiro pensamento foi fazer greve à Liga Europa. Por nenhuma razão em especial, apenas porque estava (e estou!) preguiçoso para escrever. Provavelmente, mais valia ficar-me pelo direito à greve, ainda que sem motivação justificativa. Até porque ando atrasado nas minhas leituras e ainda não acabei a edição 2000 do Expresso, prestes a fazer 15 dias. É a vida. E a minha greve até poderia servir de antevisão ao que depois de amanhã se vai passar na manifestação, com todo o crédito que a geração à rasca possa ter. Seria, no entanto, um mero oportunista.
 
Mas não seria o único.
 
 
Porém, houve algo na revista especial comemorativa da edição 2000 do Expresso que me chamou a atenção: os mega processos judiciais que marcaram estes 38 anos de vida do semanário. No fundo, todos eles faces ocultas de ajustes políticos (internos ou adversários) que servem, quase exclusivamente, para marcar uma vergonhosa agenda partidária de vinganças iniciadas por alguma caixa de pandora aberta em desespero de causa de alguém. Nem vale a pena citar os nomes dos processos, muito menos os visados, já que todos são do conhecimento público. A seguir foi o efeito bola de neve. Ou como diz o anúncio das batatas fritas Pringles: quando se faz pop, já não há stop!

 
O problema é que a justiça deixou-se instrumentalizar. Por culpa das fugas de informação. Sofreu com isso. Degradou ainda mais o que já tinha de pouco abonatório, pela demora nas apreciações dos processos: a sua imagem pública. Perdeu a justiça, ganhou a imprensa. Os portugueses dividiram-se ainda mais e parece-me que não é com divisões que se chega a algum lado. Mourinho, de Madrid, diria que mais do que animar a malta, o que é preciso é blindar o balneário, mas sabem lá os políticos o que isso significa.
 
 
Os tempos são outros, é certo, mas também a referida revista falava do Bloco Central promovido por Mário Soares e Mota Pinto (1983). Os tempos podiam ser outros, mas a crise não era tão grave como a actual. E desta vez não há escudo para desvalorizar. Esta semana foram mais mil milhões em dívida com juros a bater recorde . De que vale a procura ser maior que a oferta, se estamos a ser esfolados no mercado? É o próprio secretário de Estado do Tesouro que o diz: estes juros são insustentáveis. Como diria o nosso sarrafeiro de Setúbal: NO SHIT?!

 
Ao contrário do que já vi escrito em blogs e mesmo na imprensa, parece-me que a única situação viável (e já a curto prazo) é tão-só os únicos dois partidos do eixo da governação entenderem-se e fazerem um pacto de regime. Pensarem o país com perspectiva de futuro, ouvir quem têm de ouvir e fazer as reformas que se arrastam há anos. Sobretudo no próprio Estado, já que é ele o mais obeso (a despesa pública em 2009 representou 51% do PIB).
 
Parece aquele gordo a quem o médico diz que se não emagrecer terá certamente um AVC. Jura que vai fazer um esforço, mas chega ao restaurante e depois de comer uma feijoada e lambusar-se com um pudim abade de priscos, mete adoçante no café com um sorriso de vitória pela consciência das medidas restritivas que tomou.
 
 
Assim, mais vale arranjar um daqueles desfibriladores portáteis que há nos estádios de futebol. A qualquer momento, o país precisará de tratamento de choque.
 
Imagem: "Lifepak 20eAttribution Some rights reserved by Physio-Control, Inc.


Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 17:57
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3 comentários:

Carlos Lopes @ 14:03

18/3/11

20 valores para o seu post. Espero que não leve a mal...

Pedro Figueiredo @ 17:05

18/3/11

Porque haveria de levar a mal? Nem que desse zero valores, os estilos de escrita são sempre discutíveis. Os conteúdos é que devem ser factuais, como procuro sempre que o sejam. Obrigado pelo retorno :)

Miguel @ 00:11

20/4/11

Portugal é o 7º país da UE-27 com maior peso da despesa pública no PIB. Antes de nós vêm:

Suécia (56.6%), França (55.6%), Dinamarca (54.9%), Bélgica (52.9%), Finlândia (52.9%) e Áustria (51.9%).

Isto diz-lhe alguma coisa, caro Figueiredo? É que estes serão tão só os países com os melhores serviços públicos da Europa (haverá outros certamente, mas sabe-se que estes figuram no "top"). Não consta que por lá se ache o Estado "obeso".

Perante isto, pergunto: até quando vai continuar a diabolizar-se o peso da despesa pública, ao invés de se focar as discussões na eficácia dessa despesa? Um Estado "caro" não é necessariamente um fardo. Os exemplos da Dinamarca ou da Suécia são claros exemplos do contrário. Um Estado "caro" deve significar um Serviço Público de qualidade (Justiça, Educação, Saúde), pois se eu pago bem, exijo o melhor. O que se passa em Portugal não é um problema do peso do Estado, mas antes do que o Estado faz com esse dinheiro... ou, trocando por miúdos, a que bolsos vai parar o nosso dinheiro, com o aval dos nossos "representantes".

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