Espólio Sarrafeiro
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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Ontem falei do Eça de Queirós que é um senhor que já morreu há muito tempo e escrevia romances muito bem escritos e é um dos escritores que melhor usaram, trataram e respeitaram a nossa Língua Portuguesa. Eu acho que a nossa língua é muito bonita. E os senhores linguistas dizem que é muito variada e muito rica.
Mas afinal é assim como o nosso país: é muito rico para os ricos e é pouco rico para os que não são ricos. Quer dizer que quem não tem bons empregos não tem boas condições para morar, e para viver e tratar-se quando está doente.

Voltando à Língua Portuguesa: o Camões e o Eça, mais o Padre António Vieira escreviam muito bem e tudo e hoje quase que não se fala deles, é só uma coisa tipo "fast-read" que dizem que é "light" porque a gente lê e não fica com nada dentro da cabeça. Como aquelas comidas da "nouvelle cuisine" que é meia folha de alface e um jaquinzinho e dá cá cinco contos e fica com uma barrigada de fome.
Pois a literatura é muito importante na vida das pessoas porque nem só de pão vive o homem, e deve ter sido por isso que aquele senhor ministro que manda na RTP queria que eu fizesse uma viagem à volta do mundo para poder despedir o "Acontece" e o Carlos Pinto Coelho que eu só conheço da televisão mas parecia ser muito simpático e ter educação. E depois vem aquele ministro meio careca e baixinho, e pronto: já não há dinheiro para o "Acontece" porque a Catarina Furtado é mais bonita que o "Senhor Acontece" e fica melhor na televisão. É verdade: eu gosto muito da Catarina, mas desculpe lá - é que hoje todos querem ser artistas e aparecer na televisão e na "Caras" e na "TV 7 Dias" e depois dizem que não disseram o que dizem que disseram, e afinal não namoravam e eram só amigos.
E como eu ia a dizer todos querem ser artistas ou famosos e o que interessa é ir ao ginásio e à cabeleireira e à estilística comprar um vestido da última moda e parecer bem mas é tudo só por fora. E depois a gente vê na televisão e é uma vergonha quase-senhores-engenheiros que não sabem a tabuada e é bem feito que sejam enganados pelo homem da mercearia porque não sabem contar o troco.
Vamos todos ser famosos e ler o Eça não interessa nada porque ele até já morreu e tá-se borrifando mas ele é que os topava, que já no tempo dele era a mesma coisa e toda a gente queria era ter e parecer e não interessava nada SER e SABER.
Como é que eu digo à minha Cèlinha para ver menos o "Caras Notícias" e o "Big Brother Famosos" e ver o National Geographic e o Panda e o Mezzo que tem música boa? E para ler aqueles livros bonitos do Senhor António Mota, o Alexandre Honrado, a Senhora Dona Sophia (de Mello Breyner Andresen) que é mãe daquele jornalista todo jeitoso que é o Miguel Esteves Cardoso, perdão, que esse tem as mãozinhas gorduchas, eu queria dizer é o Sousa Tavares que é muito mais elegante. Quando eu entrava no supermercado até me assustava que ele estava sempre ali todo sorridente e parecia mesmo que ia vir ter comigo e dizer "Boa tarde, dona Vi, passou bem?" E depois é que eu vi que era só uma fotografia mas gigante, assim em tamanho natural que parecia mesmo que estava vivo, o raio do rapaz!
E há tantos escritores que escrevem livros que eu gostava que a minha Cèlinha lesse, mas ela gosta é das revistas das estrelas mas as estrelas portuguesas muitas são lâmpadas de 25 watts e menos, e é preciso é ter pilim e ter conhecimentos (antigamente chamava-se padrinhos, mas depois veio o Dom Corleone e já não se chama padrinhos que parece mal). E a gente vai a uma festa e sai na revista e já é famosos. E aparece num programa de televisão nem que seja sentado na cadeira lá do fundo e já dá autógrafos na rua, como o rapaz aqui do prédio do lado que passou a sair com óculos escuros - não sei se é para não ver as pessoas ou para fingir que é estrela.
E é por isso que acabou o "Acontece" e eu estou danada porque era o melhor programa que dava quando eu ia lavar a loiça do jantar e não tinha legendas e eu podia ir ouvindo enquanto lavava a loiça (ando a "namorar" o Arnaldo a ver se ele me oferece uma máquina de lavar loiça no Natal mas se calhar não vai dar porque o carro tem que ir à revisão e o esquentador está quase a "pifar" e o décimo terceiro não chega para tudo). E agora já não posso ouvir o Carlos Pinto Coelho que falava sempre tão bem e tinha aqueles convidados todos interessantes e eu fiquei um bocadinho mais culta por causa dele. Obrigada, senhor Pinto Coelho! Acontece que eu gostava muito de o ouvir, mas as pessoas votam em políticos que só se interessam pela saúde da economia - deles, porque o povo não consegue economizar cheta! - e a cultura que se lixe, porque isso eles acham que não dá dinheiro. Mas é mentira, vejam lá o Saramago, e a Dulce Pontes, e a Senhora Dona Eunice Muñoz que dão cultura da boa e ganham para se governar e mais aquele senhor brasileiro que é Coelho qualquer coisa e vende montes de livros no mundo inteiro. E a Dona Alice Vieira que tem livros traduzidos em tantos países e está farta de ganhar prémios.
Afinal comecei a falar do Eça, e do Camões e do Padre Vieira e ainda bem que eles já cá não estão senão tinham uma coisinha má com o estado a que a (má) Língua Portuguesa chegou. As conversas são como as cerejas, e o que vale é que o meu Galo de Barcelos não se queixa de eu misturar os assuntos.
Vou é ter saudades do "Acontece". Tenho que ligar o rádio e descobrir a que horas é que vai dar o Carlos Pinto Coelho na TSF.
E disse!

P.S. Senhor Ministro: agora que já acabou o "Acontece", quando é que vem o bilhetinho? Gostava de fazer uma viagem já não digo à volta do mundo, mas à volta de Portugal já era bom que só fiz uma viagem na vida que foi a Badajoz mas não gostei muito dos espanhóis que têm uma língua muito arrevezada - mas tratam melhor o Cervantes deles do que cá tratam o Camões; e qualquer dia ainda dizem que o Saramago nasceu lá, na Clínica Dermo-estética de Madrid, como a Lili Caneças que parece que nasceu lá outra vez quando foi passar as rugas a ferro.

 

(escrito originalmente aqui em 2 de Outubro de 2003)



Uma Sarrafada de: Vitriólica às 23:05
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