Espólio Sarrafeiro
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

 

É o assunto do momento. Não há tweet, blog, link, site, jornal, televisão, rádio, agência de informação que não fale da WikiLeaks e do seu fundador, o australiano Julian Assange. É quase uma epidemia à escala planetária, a qual a OMS (Organização Mundial da Saúde) não previu e para a qual não arranjou a vacina correspondente. É praticamente impossível não se esbarrar com o assunto, a não ser que se seja concorrente das casas dos segredos ou dos big brothers deste mundo.

Aliás, o assunto assume proporções desta dimensão porque as pessoas adoram segredos. Por coscuvilhice ou, simplesmente, por gostarem de conhecer a verdade (toda a verdade!), o certo é que a publicação de documentos oficiais abriu uma espécie de caixa de pandora que levou a liberdade de expressão a um nível, provavelmente, nunca antes visto. Embora me cause alguma espécie o facto de não saber (ainda não vi esclarecida essa dúvida) qual é o verdadeiro motivo da missão de Assange, não me interessa se o que faz está certo ou errado, enquadrado ou não na preciosa segurança de Estado dos países directamente envolvidos nas denúncias. Os Estados Unidos podem estar mais na ordem do dia e serem os que mais têm a perder com o contínuo sucesso da WikiLeaks, mas até isso é sintomático. É o preço de se ser o polícia do Mundo.

Por que haveriam de estar fora do escrutínio público mundial? Assange é o Ricardo Araújo Pereira dos norte-americanos: esmiúça os segredos de Estado. E quem advoga a irresponsabilidade na publicação de tão sensíveis informações, também deveria estar preocupado com a realidade que os conteúdos revelam. Maquiavélico é pensar-se que todos os meios justificam os fins.

Aliás, Assange conseguiu provar a prática leninista do governo de Washington: a verdade é tão preciosa que devia ser racionada. Racionar até racionaram, mas o problema é que nada parece estar estar a salvo, a não ser quem realmente matou John F. Kennedy. Como se não bastasse, e inspirados por essa figura ímpar do Partido Socialista português, de seu nome Jorge Coelho, os norte-americanos pensaram: «Quem se mete com os Estados Unidos, leva!» E na primeira oportunidade, Assange viu-se a braços com uma denúncia (curiosa coincidência) de abuso sexual a duas suecas. Numa decisão extraordinária, entregou-se às autoridades britânica em Londres. Ao saber da novidade, o secretário de Estado da Defesa norte-americano, Robert Gate, comentou: «Ainda não sei disso, mas a mim parece-me uma boa notícia».

Será mesmo assim?

Detido e sem possibilidade de pagar fiança (explicado pelo juiz com o perigo sério de fuga) Assange parece-me estar no bom caminho para se tornar uma espécie de mártir das pátrias em nome da liberdade de expressão. Só que este mártir não se vai entalar na porta do castelo pela honra e muito menos deixar-se crucificar. O martírio terá um preço e a uma das facturas já foi enviada ao pagador atempadamente, antes mesmo da detenção: o Bank of America. Como dizia um amigo meu, deve haver alguns engravatados fechados em autênticas Panic Rooms à espera que caia a desgraça. Ainda não foi divulgada qualquer informação, mas a verdade é que no dia em que Assange referiu o nome do Bank of America, as acções do banco caíram 36 cêntimos de dólar.

O cerco aperta-se à WikiLeaks. O Departamento de Estado começou a ladrar e houve quem tivesse medo de ser mordido. A PayPal cortou a possibilidade de se fazer pagamentos à organização e a seguir foram as cadeias Visa e Mastercard a fazerem o mesmo. Mas há o reverso da medalha. Em resposta aos inúmeros ataques cibernéticos que o site das revelações tem sofrido, quase da noite para o dia, o número de mirrors multiplicou-se como cogumelos. A última contagem ia em 1298, ontem ao final do dia. Até o Bloco de Esquerda se juntou ao movimento e alojou uma réplica da WikiLeaks em Portugal!

Um novo desafio parece surgir ao mais falado site dos últimos tempos. Com o seu fundador atrás das grades, conseguirá a WikiLeaks sobreviver à orfandade? Qual é o peso de Assange no movimento? Será mesmo ele o 'mensageiro' como se auto-proclama? Irão retrair-se as fontes com os últimos acontecimentos?

Uma coisa é certa. Na faculdade, aprendi algo que cada vez mais se afigura como verdade inquestionável e que, a meu ver, resume tudo o que possa ter a ver com a WikiLeaks: INFORMAÇÃO É PODER.

 



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 18:55
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