Espólio Sarrafeiro
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

 

E depois uma pessoa pensa, mas a 6.80 até eu emprestava dinheiro ao Estado. Até a 5%. A 10 anos? Força nisso. E podiam emitir títulos de dívida pública, obrigações do tesouro a 10 anos a 5% que já poupavam. E uma coisinha mais moderada, 3% a 5 anos. A comparar com o que os bancos pagam é um bom investimento. É. Para mim, para si. Mas não é. Porque a resposta a porque é que não sou eu a emprestar dinheiro ao Estado Português acima de 6.5%? é: na verdade é. Parte dele. Pois, eu sei que não recebe juros de 6.5% de lado nenhum, esse é, com sorte, o valor de um juro que paga. Mas empresta, você, eu, tu, ele, nós povo, vós empresas e empresários, eles banca.

 

Acontece é que provavelmente eu, tu, você, ele investimos e arriscamos pouco cada um e de cada vez. Eles que com o dinheiro deles ou com o nosso no caso da banca podem, investem muito e podem arriscar mais, seja porque o risco é de uma parte irrelevante do bolo, seja porque depois se pode recuperar em IRC's e demais com jiga-jogas contabilísticas, seja precisamente porque o dinheiro com que se está a jogar é... o nosso, o tal que é emprestado a juro pornográfico e nos é "devolvido" a taxa soft-core.

 

Acontece sobretudo porque não dá jeito. Aqui entre nós que falamos sem rodeios, se você conseguir emprestar-me dinheiro a quase 7%, diga-me um bom motivo para querer mesmo emprestar-me mais a um juro inferior, com a garantia de que ninguém mais o fará. Não há. Você não é parvo. Você não quer que eu lhe pague um juro menor mas sim garantir que eu tenho forma de lhe pagar o que já me emprestou, vai emprestando e espera vir a emprestar. Se me vir em dificuldades para cumprir o acordo é claro que vai tentar ajudar-me. Quer garantir que eu tenho forma de lhe pagar. Mas ajudar-me não passa por suavizar o juro, não enquanto eu tenha outros recursos. Eu sou mesmo só eu. Você pode fazer o papel de Banco? Obrigado. Eu sei que nesse caso passo a ser uma insignificância para si comparando que o que empresta e investem os mais afortunados (no literal sentido do termo), as grandes empresas... enfim, o que nós chamamos ordinariamente (aqui fico indeciso no sentido do termo) de "os ricos". Mas o dinheiro, esse tem todo o mesmo valor, vai todo para o mesmo bolo. Depois o bolo corta-se em fatias e vai passear de Fundo em Fundo, de off-shore em off-shore, daqui para ali, dali para aqui. Em cada paragem alguém come uma fatia do bolo, pelo que ou ele é assim um grande bolo alemão, tão grande que dá uma fatia jeitosa para cada comensal ou, se é um pequeno bolinho regional português, tem que ser muito apetitoso para que dar só uma dentadinha valha a pena.

 

Pode ser que tenhamos mandado vir demasiado champanhe e que agora os alemães tenham dinheiro para pagar a conta e nós e os gregos e ali mais ao fundo da mesa os espanhóis e os irlandeses até não tenhamos dinheiro para a pagar. Mas ninguém daqui do restaurante, excepto talvez os alemães, os ingleses, os franceses e uns senhores de fato e gravata ali ao fundo estão realmente preocupados com isso. Toda a gente sabe que alguém há-de pagar a conta. Os que se preocupam não é que a conta não seja paga mas sim que tenham eles que nos ajudar a pagar. Ninguém gosta de penduras. Confessemos enfim que estamos aflitos para pagar a conta do restaurante. Fazem-nos um desconto? Claro que não! Não temos outra forma de pagar? Multibanco? Cartão de crédito? Cheque? Um amigo ou familiar que possa fazer o Sacrifício e vir cá trazer? Vender o carro? A casa? Há que fazer sacrifícios! Ou será que ainda não percebeu que os patrões aqui do restaurante irão chupá-lo até ao tutano para garantir o máximo de lucro que lhes permita continuar a jogar a Volta ao Mundo em 80 Especulações?

 

Percebeu, claro que percebeu. Todos perceberam. Mas ele, Estado e respectivos apêndices dependem daquele restaurante para comer. Podiam vir jantar a minha casa ou à sua? Podiam, mas não é que não fosse a mesma coisa, é que não convém. Porque dava cabo do jogo. E muita gente ia ficar zangada se os jogadores começassem a subverter as regras do jogo. Já viu o que acontecia se eu passasse a comer em casa em vez de ir ao restaurante? Passava a pagar só 3, 4, 5 em vez de quase 7. De que iam viver os jogadores da Volta ao Mundo em 80 Especulações que se alimentam destes 7 que eu pago? De que se iam alimentar todos os jogadores intermédios que se alimentam desta diferença de 5 para 7 que seja? Podia pôr o jogo em risco. E isso não interessa a ninguém. Nem mesmo a quem lhe pede que faça sacrifícios e pague lá mais um bocadinho em impostos, que trabalhe até a maneuldeoliveirice, que corte aqui, reduza ali. Porque enquanto eu e você conseguirmos (sobre)viver (ou passivamente aceitar) esta inevitabilidade como sendo verdade, permitimos que o jogo continue - enquanto houver peões no tabuleiro as peças grandes podem ficar sossegadas - "nós" que temos a conta do restaurante para pagar também alinhamos, não vão os nossos amigos que prometeram apoiar-nos naquela eleição para o "Quem quer ser o próximo governo" irritar-se connosco e retirar-nos a ajuda de casa, os 50/50 sem o que não conseguimos ganhar a ajuda do público.

 

Percebeu? Podíamos sim ser eu e você a emprestar dinheiro ao Estado. Não se desse o caso de que já emprestamos, só que não recebemos nem perto de metade do juro que o Estado paga "nos mercados" porque é um jogo onde todos ganham - excepto eu e você, claro. Nós financiamos. É um paradoxo mas no fundo a banca somos nós e as nossas vidas - e quem havia de querer que o jogo acabasse? Excepto eu e você, claro, mas nós nem estamos com muita paciência para chatices, pois não?



sinto-me: o moita flores da economia

Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 16:31
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2 comentários:

Catarina Campos @ 22:40

13/10/10

Tudo muito bem e gostei do post. Mas tu podes investir em obrigações.
http://dn.sapo.pt/bolsa/Interior.aspx?content_id=1290631


Francisco @ 17:14

14/10/10

É dar uma xbox a cada um e fecha-los num quarto escuro

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