Espólio Sarrafeiro
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

[ou Post onde se troca a política por moedas de 5 cêntimos, para totós que não são os que mais parecem]


Hoje, dia seguinte ao centenário da República e sem ter nada a ver, mas só para situar a data historicamente, deu-se um facto curioso: em vários jornais e no meio de notícias de agoiros do FMI sobre a situação económica do país, aviões a voarem de cartolas de compras do Estado e o líder da oposição a queixar-se que o OE é "mau", apareceu a expressão "futuro líder do PS" a acompanhar as declarações de António José Seguro. Este possível sucessor de José Sócrates atreveu-se a dizer que “é inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos portugueses, não sejam todos, em particular aqueles que mais têm, a dar esse exemplo e a fazer mais sacrifícios”. Assim, trau, a seco. E os jornais a agarrarem a frase e a aplicarem-lhe logo o logotipo -> Olháqui o novoChefe.


Isto é o facto político mais importante da próxima década. Porquê, perguntam as caras leitoras e mais os lurkers que nunca me comentarão (esses não perguntam mas eu respondo à mesma): porque das duas uma: ou António José Seguro está a pedir que o defenestrem do PS (uma volta pelos comentários à notícia e o tom era o mesmo: "epá tens razão mas tás lixado que te fazem a folha num instante" e eu gosto muito dos comentadores dos jornais: são uns cromos termómetro do povão) ou então, muito mais provavelmente que me parece ser um rapaz sério e ponderado, já reflectiu tudo e este é o primeiro passo para defenestrar ele o período socratiano da nossa história. E isso contribui para a nossa felicidade como? Bem, não contribui em nada, claro, que a felicidade não são valores materiais e cada vez mais nos temos que convencer disso e viver de acordo com uma espiritualidade mais coiso e menos consumista mas isso são outros trezentos e apenas um parênteses Paulo Coelho para o gajedo não fechar a janela do blog. Adiante.


Não contribui para a nossa felicidade, mas contribui para o enquadramento do futuro político português. Porque, minhas amigas (e meus caros e silenciosos leitores), o José António Seguro é o Passos Coelho do PS. É igualzinho, tirando que é mais giro. E, fosse ele feio, era igual. Não igual a PPC, mas era igual para o que aí vem: porque, vamos lá a ser realistas: não obstante o desgoverno que nos caiu na rifa, não se pode dizer que a diferença em sondagens/percentagens seja já o fosso das favas contadas para o PSD. A coisa, a ser, está renhida e o ênfase tem sido sempre na diferença do líder. Porque nas políticas, vamos ali e já voltamos, o centro é todo o mesmo, mais imposto, menos investimento, mais escola aqui, menos hospital ali. O resto é, conforme vamos sentindo na pele e na conta bancária, conversa: o país (sem extras colonais) nunca foi rico e agora está a modos que pobre. O que é uma grande chatice e nem digo que a maior chatice seja o facto em si; as pessoas é que não se convencem disso e vão consolando a crise com mais um LCD, um par de sapatos, uns aviões, um TGVzinho, uma ponte, coisas assim.


Voltando à diferença da liderança. Eu até gosto de PPC, gosto e não é por ser girinho, que nem faz o meu género. Gosto porque é sangue novo, é ingénuo e bem intencionado e sério: ou pelo menos parece. Aplicando o teste, emprestavas 100 euros ao gajo? Na boa, com a certeza que mos pagaria assim que pudesse. O que, convenhamos (embora isto seja triste) é quase um teste do algodão não engana, coisa rara, gente honesta. E tem sido esta imagem que o PSD tem vendido senão vejamos: se fosse para vender ideias, então a MFL que afinal tinha toda a razão quando agoirava desgraças, agora reapareceria montada num cavalo branco a pisar pétalas de flores e sob uma enorme ovação; mas não vi ninguém ir lá buscá-la do baú das recordações. É a imagem de PPC que vende: o tipo novo aqui, que tem uma cara política lavada e vai trazer a salvação. O homem nem sequer se queima na AR, manda dizer o que tem para dizer e vai dizendo ele mesmo à comunicação social. Quando é ele a falar, a coisa safa-se bem; quando são os seus turquinhos, já a coisa nem sempre corre da melhor forma e se o Miguel Relvas não deita mão àquilo, está tudo lixado. E, perguntam as caras leitoras que ainda aqui estão a ler isto, quem é o Miguel Relvas? Pois é o único que consegue ter mão na rapaziada. PPC tem uma outra enorme vantagem: é esperto e soube rodear-se muito bem. Vá-se a ver o Professor, não, não é o das notas: é o António Nogueira Leite, esse com maiúscula que não dá notas, dá cartas (azes, valetes, orçamentos alternativos, posts e desconfio que mais trunfos).


Parece ser uma equipa ganhadora. Até hoje. Hoje há um possível futuro líder do PS e tem nome e cara e aposto que se vai desmarcar muito do actual líder. Para além de ficar mesmo curiosa de saber que para que lado se viram agora os pêéssinhas (devem estar todos baralhados), é uma incógnita política. E as incógnitas são perigosas, porque nunca se sabe o que vai sair dali depois. Se eu sacasse agora da minha bola de cristal e lesse umas folhas do ice tea, diria assim qualquer coisa como: uma posição muito firme do PSD sobre o orçamento mau e feio, era capaz de sim, criar uma crise política e daí? Vai andar tudo mais que ocupado a contar o tostão e uma crise alavanca a coisa: se PPC avançasse, da forma que as coisas estão, se não fizesse grande espingarda, também não se lhe pediria muito mais; além de que, a fazer merda, é tão novo que daqui a dez anos podia ter mais uns trinta de futuro político brilhante. Se esperar muito, aparece um novo D. Sebastião, desta feita do PS. E, como todos nós sabemos, isto do nevoeiro, esse já cá está, mas choverem Dons Sebastiões já não serve para nada. 

[post em stereo no 100nada]



Uma Sarrafada de: Catarina Campos às 23:53
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