Espólio Sarrafeiro
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011

Do discurso do nosso bem-amado Presidente, ficou-se-me no cérebro uma frase: porque fala directamente de mim, mas não sei bem em que qualidade...

"Temos a obrigação de defender o regime democrático, a nossa economia e o bem-estar dos cidadãos e das suas famílias."

Vai daí, tou-me pràqui a cogitar (adoro usar palavras caras pra fingir que sou uma intelectual assim tipo Doutor Pacheco Pereira), tou a cogitar, dizia eu, sobre o meu estatuto: sendo eu portuguesa - nada e criada neste rectângulo à beira-mar quase-afundado - , farei parte da categoria cidadão, ou da categoria familiar de cidadão?
E a pertencer à categoria familiar de cidadão: sou familiar do meu marido, o Arnaldo Serôdio? ou da minha filha, a Cèlinha Rosiva Serôdio??? ou ainda da Lizandra, minha irmã mais velha e, por assim dizer, a chefa da família desde que Mãe Máxima se foi por força da idade? ou ainda, de um ponto de vista um 'cadinho mais marialva, serei familiar do mano Hipólito - o irmão rapaz mais velho, embora o terceiro a nascer?

 

Ou seja: daqui até às eleições, em vez de me preocupar a analisar os programas dos partidos, ouvir aqueles debates chatos-de-partir-pedra nas TVs, vou estar ocupadíssima a tentar perceber qual é, afinal, o meu papel neste cosmos...

Parafraseando o Doutor Pacheco no seu maravilhoso programa de humor "Ponto Contra Ponto" isto sim, é verdadeira Dinamite Cerebral!

E disse!

 

P.S. Pra quem não viu/ouviu o discurso de Sua Excelência o Senhor Presidente da República Professor Aníbal Cavaco Silva, fica o linquezinho.



Uma Sarrafada de: Vitriólica às 22:00
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

 

 

 

 

E depois há aquela coisa da “foda à coelho”. Nada de por aí além, coisa até para envergonhar o comum dos mortais. Não fora a ninhada que origina, e que origina a ninhada. Never ending story. Que o diga o desgraçado Bartolomeu Perestrelo nos idos de 1428.

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 23:01
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Pois o que é justo é justo, e se eu não escrevesse isto tava a cometer uma grande injustiça, oh se tava!!!

 

Primeiros: aplauso (clap, clap, clap) prà Sôdona Catarina por ter recontado a história da Bela Adormecida mas ao contrário, resolvendo acordar este blog-príncipe sonolento em modo hibernatório. Isto foi um verdadeiro beijo da vida, carago, senhores!!!

 

Segundos: neste quase-mês-de-Abril, nada mais apropriado pra título de post; sobretudo agora que os nossos bem-amados deputados da Nação, aqueles os mesmos aos quais cada um de nós paga com os seus - muitos, variados e desvairados - impostos um chorudo salário mais ajudas-de-custo, ajudas-de-viagens, ajudas-de-assessoria várias e sabemos nós lá que outras ajudas complementares...
Dizia eu, esses mesmos devotados servidores da Nação resolveram que não celebram o 25 de Abril na AR. Mordem a mão que os alimenta, que se não fosse o 25 de Abril tavam praí num qualquer e obscuro escritório de advocacia ou coisa pior; alguns conspirando pelos cantos - vigiados de mais ou menos perto por uma PIDE do séc XXI, sujeitos à bufaria de um qualquer vizinho rancoroso ou colega ressabiado...

 

Permita-me assim, minha amiga Cat, um rasgado elogio ao seu certeiro sentido de oportunidade. Eu sei que a sua natural modéstia a vai fazer corar e protestar "Ai, Vi, nada disso... Que exagero, minha boa amiga!!!"
Mas uma mulher que é frontal não pode ser frontal em part-time, diz o que pensa em qualquer situação, prò melhor e prò pior, e agora calhou o melhor!

 

Temos assim, trinta e sete anos depois, uma nova tomada do poder: catarinense, impulsiva, voluntariosa e generosa e alargadamente democrática; à imagem e semelhança do nosso Otelo de Saias; contra ninguém, apenas contra o marasmo e o acomodamento de cada um(a) de nós.

 

É isto que cada um(a) de nós precisa de fazer na sua própria vida: acordar o seu inner Belo Adormecido, sacudir a poeira e passar à acção!

 

Pra não esquecer o objectivo deste post: Ganda Título, Sôdona Catarina!!!

 

E disse!

 

P. S. Quem não me conhece pode, ao ler este post, pensar que tou a dar graxa, lamber as (elegantes) botas, ou beijar a (elegante e delicada) mão da Sôdona Catarina; nada disso - nem ela é mulher de aceitar esse tipo de parvoíces, nem eu tão parva que a pratique. Isto é, tão somente, a minha maneira tosca, porém verdadeira, de exprimir a admiração que sinto pela Sôdona Cat - tal como penso, sem enfeites, rodriguinhos ou salamaleques.


sinto-me: Abrilina, Catarinante
música: You Are The Sunshine of My Blog

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 20:46
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Maioria alargada é exactamente o quê???

Quis-me cá parecer no meu entendimento que é o mesmo que uma maioria absoluta que pediu ajuda ao Querido, Mudei a Casa pra ter um aspecto diferente dentro das mesmas velhas paredes-mestras...

 

Se falhei no meu fraco entendimento político, alguém tenha a bondade de me corrigir e explicar; se não falhei, se não passa de uma nova expressão pra "Quero governar sem ter que negociar ou fazer concessões com os meus partidos-colegas (e não colegas de partido)", então passem bem obrigada!

 

Cá eu, se mandasse neste país, não dava maioria absoluta a ninguém, ai nem que se pintassem! Se os partidos não são capazes de tentar entender-se uns com os outros para servir o país governando-o (e não governando-se), então não me merecem nenhuma confiança.
Viu-se o que, até agora, fizeram os governos de maioria absoluta... oh se viu!!!

 

A meu ver, com os políticos que temos, uma maioria absoluta não passa de um governo ditador democraticamente eleito de quatro em quatro anos.

 

Pronto. Hoje acordei em esquerda radical mode. Algum problema? Queixem-se à Sôdona Catarina - aprendi com ela a dizer exactamente o que penso, e tenho carta branca pra me exprimir à minha guisa: carta essa assinada pela própria e com assinatura reconhecida.

E disse. Prontos!


sinto-me: Assim tipo coisa, e atão?

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 07:38
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Não sabe ainda como vai ser, desde que levou um coice de uma vaca louca há uns seis anos nunca mais foi a mesma.

Ah, mas quem resiste ao furacão de energia que é a Sôdona Cat (aliás, a distinta Catarina Campos)? Esta mulher é uma verdadeira força da natureza (eu tamém - mas mais prò meditativo, enquanto ela é mais activa), e resolveu reabrir as janelas quase-fechadas deste magnífico blog.

 

Tudo isto pra dizer que tá na altura de sacudir esta capa cinzenta de poeira que se me tem acachapado sobre o cérebro, e soltar a franga (aliás, o Galo) do pensamento - ao qual, disse o Poeta, não há machado que corte a raiz...

 

Tábem, muito bonito mas não diz nada; e depois? Usando esta técnica muita gente ocupou altos cargos dirigentes neste (e provavelmente noutros) país(es). Por esse lado, tudo bem; sou só mais uma, com uma vantagem - saio barata: não preciso de carro com chófer, nem de telemóvel pago, cartão de crédito ou chorudas ajudas de custo.

Ao contrário das empresas e fundações do Estado, vivo os tempos normais como se houvesse crise, e a crise como se fosse outro tempo qualquer. Não gasto mais do que tenho, não compro o que não preciso, não me empenho pra comprar o que não me faz mesmo falta para viver.

Prestações só do carro e da casa, cartão de crédito só pra comprar algumas coisitas na Internet; logo, não tenho culpa nenhuma da porcaria da dívida, mas pago-a em grande como todos os outros portugueses; não sei onde fica Cancún, roupas de marca gosto mais de vê-las no manequim da montra da loja. Jantar fora só se for na varanda, que pra comer mal (e pagar "bem") como na minha casa - já dizia a minha mãe, e eu não podia concordar mais!

 

E prontos, antes que meta os pés pelas mãos e comece a misturar alhos e bugalhos ("Não, não sou a únicaaaa!"), vou parar por aqui com ma citação desse monstro sagrado da representação cinematográfica e da política amaricana chamado Arnold Schwarzenneger:

I'll be back!


sinto-me:
música: Tô voltaaaando

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 00:33
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Terça-feira, 29 de Março de 2011

O 31 da Sarrafada foi um projecto muito acarinhado pelos seus autores. Aqui construímos um espaço aberto a toda a gente, de todas as cores, que conseguiram escrever uma data de coisas, muitas vezes opostas umas às outras, sem andar à estalada.

 

Há uns tempos, por razões várias, saí do Sarrafada. Mas enerva-me que esteja assim, a morrer aos poucos, o blog, o twita, o FB. Havia coisas de edição com as quais concordei, outras menos, mas dei sempre a primazia ao fundador do blog. No entanto, o blog e o projecto sempre foram muito mais do que apenas uma pessoa (que deu muito dele, obviamente): são todos os autores, todos os leitores, todos os comentadores, aqui ou nos outros lados, onde estamos.

 

Como é evidente e se nota (lol) sempre tive as chaves do Sarrafada, embora não as usasse. Saí porque achei que não tinha que ficar neste blog. Mas, visto que - aparentemente - o lugar de editor se encontra vazio, pois, ocupo-o com todo o descaramento. É um take-over? É. Mas é para o transformar em cooperativa verdadeira, sem sarrafeiros de 1ª e sarrafeiros de 2ª, a ver se NÓS TODOS damos um novo gás a este projecto. Nós e quem mais acharmos que tem espírito do contra e quer escrever alguma coisa nesse sentido. Ou até a favor, quem sabe.

 

Vamos andar com isto para a frente que o país não se compadece nem com meios termos nem com meios blogs. Isto agora é NOSSO (mas eu mando mais :DD...oops, desculpem, não resisti ;))

 

 

(Catarina campos)



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 23:36
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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

 

 

 

O Parlamento votou... e o país vai a votos. Houve, até ao cair do pa no, a ansiedade de que poderia aparecer algum golpe de asa de última hora para que o humoristicamente denominado Plano de Estabilidade e Crescimento (versão 4, muito à frente do iPad!) passasse na Assembleia da República. O aviso já tinha sido dado por Sócrates e Passos Coelho respondeu com a mesma determinação. O problema é que o líder do PSD não percebeu a mensagem do Primeiro-ministro. Sem PEC batia com a porta, mas não a deixava fechada. Era mais um vou ali... e volto já. Ouvi na TSF que na AR ainda se esboçou um aplauso com o chumbo do PEC, mas alguém deve ter entendido a tempo que era o país que saía a perder. Não havia razão para se bater palmas.

 

Sócrates fez um ar de velório e foi a Belém anunciar ao PR o que Cavaco já sabia. Mas já lá vamos. O prato principal fica para depois das entradas. Sócrates foi, depois, à Cimeira da UE num estado que os brasileiros (sem Acordo Ortográfico) genialmente chamam de "cachorro sem dono". Imagino-o cabisbaixo, a pedir miminhos a Angela Merkel, com a chanceler alemã a afagar-lhe o ego com declarações destas à imprensa. Aposto que na São Caetano à Lapa devem ter pensado: mas quem é que a Angela pensa que é? Que manda na Europa?

 

O mais engraçado é que têm de ser os mesmos que andam a cortar no rating nacional e que já fizeram os juros dos títulos da dívida pública triplicar em 12 meses a dar a receita para o sucesso. Já escrevi isso há 15 dias, mas só mesmo no burgo é que não se percebe isso.

 

 

E aqui entra o prato principal. Que os partidos não se entendam, já é crónico. O que não se entende é que o Presidente da República esteja na bancada VIP de Belém a vir o circo a arder e pareça estar até deliciado com o fogo fátuo. Esteve mais preocupado em apagar o fogo com gasolina (desperdícios só ao alcance do Estado, que tem combustível mais barato) do que tentar uma solução. Deve estar pronto para, um dia destes, em tom catedrático, vir dizer ao povo: "Eu bem avisei, concidadãos".

 

Em Belém morava um tipo muito mais Fitch se, em vez de reunir isoladamente com os dois partidos do arco governativo, os chamasse aos dois e tentasse fazê-los ver que o que de facto o país precisa é de entendimentos. Mas não. Isso dá muito trabalho. A magistratura activa do segundo mandato é para dissolver a AR e marcar novas eleições. Isso sim, é trabalho. De secretaria, senhor professor. No fundo, encarna o velho estereótipo do funcionário público do Estado Novo. Na próxima visita de Estado que faça, vou sugerir que lhe ofereçam mangas de alpaca. É nestes pormenores que se vêem os estadistas que marcam a história ou se perde nela.



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 02:15
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011

VENDE-SE: Estádios, Pontes, projecto de novo aeroporto ( ainda exclusivo), projecto de TGV ( não exclusivo, mas muito bonito), Km's de Auto-estrada, com pouco uso, como novos. Oceano, com provadas dadas ( com tendência a aumentar o nível de agua).. ilhéu, em África, já com ditador, Bom para testar armas, bombardeamentos e zonas de exclusão aérea.
2 Submarinos... Novos, com um leve problema de "aerodinâmica", perfeitos para uso em mares, longe do atlântico. oferece-se fotocopiadora.

2 Blindados para transporte de forças policiais, por estrear (motivo: Povo demasiado Sereno)

 


Contactar PS/PSD


sinto-me: Comerciante Magrebino

Uma Sarrafada de: calvas às 13:14
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

 

Oremos. Já ninguém duvida que uma boa parte da população está em sofrimento. Um drama ao qual o Governo diz ser sensível e tudo estar a fazer para minorar o impacto que as necessárias e exigidas (pelos parceiros europeus) medidas de austeridade terão nos cidadãos em condições de maior fragilidade. O benefício da dúvida dá quem quer.

 

Com o anúncio de um novo PEC (versão 4, que faz parecer o Plano de Estabilidade e Crescimento uma autêntica saga do Rambo), a situação política tornou-se um autêntico drama de Beckett, cujas personagens, na esperança de lhes ser aliviado o sofrimento, ficavam à espera de Godot.

 

O impasse é claro. Sócrates quer mais um cheque em branco do seu mais directo adversário, arrastando o PSD e Passos Coelho para mais uma vinculação (nem que seja pela abstenção) a medidas pouco populares que se avizinham, agitando de novo a bandeira de uma crise já está instalada há muito tempo. O Primeiro-ministro espera, assim, pelo que Passos Coelho apresentará como estratégia política, independentemente do que as figuras que à sua volta gravitam possam dizer. É da boca de Passos Coelho que terá de sair a posição do seu partido.

 

Encostado às cordas, o líder do PSD parece não saber bem se a insatisfação nacional está já no ponto rebuçado. Aquele em que lhe permite deixar cair o Governo, forçar eleições antecipadas e poder assumir o poder, como pretende. É uma dúvida quase existencial. Em política, os timings são determinantes e um erro de calendário poderá deitar tudo a perder. Não é fácil tomar decisões desta natureza, mas é nestes momentos que os homens certos se revelam. E há até quem, próximo de Passos Coelho, acredite que uma decisão firme e vertical já vem tarde. Aliás, não é por falta de aviso que Passos Coelho deixará de arriscar. A questão é que também Passos deve estar à espera. À espera que seja Cavaco Silva a fazer alguma, já que o Presidente da República falou num segundo mandato de magistratura mais interventiva. E para ter saído de Belém tão confiante a irredutível é porque a conversa foi proveitosa.

 

Cavaco Silva não vai fazer nada. Porque nem vai precisar. Vai, também, ficar à espera que Sócrates cumpra o prometido e lançar o país em mais um desgastante processo eleitoral, no qual o PSD se vai assumir como alternativa, com as garantidas críticas do PS de terem criado uma crise numa altura em que o país devia ter estado unido (como se alguma vez a classe política tivesse dado o exemplo). No fundo, ficaram todos à espera uns dos outros, enquanto o povo aguardava a solução que os tirasse do sofrimento. E eleições não é certamente a resposta.



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 18:13
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011

 

Este será na melhor das hipóteses um excelente momento de despertar consciências, se não as políticas, pelo menos alguma consciência cívica, tão amorfa entre nós. Cabe-nos a nós TODOS aproveitá-lo
As mudanças radicais não são possíveis no Portugal actual. Mais que não seja por total falta de opções, estando mais perto de um deserto de alternativas como a Líbia do que um Egipto onde um ainda "duvidoso" exército gozava e soube capitalizar bem a credibilidade da opinião pública (aparte existirem já muitos grupos de resistência organizada, o que cá não há e entende-se porque ainda assim a existência de liberdade retira-nos essa necessidade de resistência a algo).

É impossível pedir uma total mudança de regime. Que outros políticos (ou não) teríamos para colocar no lugar dos actuais? Penso contudo que podemos, sim, fazer exigências: que se cumpra a constituição, que o Estado se comporte como uma pessoa de bem, que os políticos e governantes se rejam pelos valores da ética, boa moral, bons costumes, lisura, honestidade; que sirvam o país em nome da causa pública e nenhum outro valor pessoal ou partidário.
A nós, devemo-nos a obrigação de zelar para que assim seja, e fazer o Estado (país, nação, pátria) sentir que reclamaremos se não forem estes os valores pelos quais somos governados.

Eu sou e estou optimista. Não num futuro imediato, mas que me parece estar a chegar mais depressa do que eu pensaria ou poderia esperar.
O mundo move-se rápido para que estas revolução não alastrem mais. Eu acredito que esta revolta é imparável. Que estamos no início de uma mudança de paradigma civilizacional. Que do Médio Oriente alastrará a África, à China, à Europa, com surtos de contestação a começarem a verificar-se em alguns países de leste (como já acontece na Sérvia), Escandinávia (já se verifica na Islândia), Reino Unido (onde penso começará de facto a agitação social em massa na Europa devido a insatisfação de sindicatos, estudantes e, sobretudo, forças armadas, um real e actual problema no UK de onde poderão surgir surpresas já nas próximas semanas, Europa central mais tarde - por influência dos novos fluxos migratórios do Magrebe para a Europa - num efeito cascata que por fim chegará a Espanha e Portugal.

Haverá muito sofrimento nos tempos futuros, sem dúvida. Subida dos preços dos alimentos, fome, agravamento das dificuldades financeiras... mas infelizmente também estou convicto de que só este sofrimento poderá tirar as pessoas do estado de torpor, dos dia-a-dia de luta por (sobre)viver e despoletar a revolta social. Pacífica, assim saibamos nós - todos - ser o exemplo dos valores que defendemos e reclamamos.

Não sei se idealismo meu mas creio de facto que vivemos tempos de mudança. Que o mundo vai mudar. Para melhor. E que cá podemos começar já a exigir mudanças, de atitude, mais que não seja e já seria muito, por parte de todos: políticos, governantes, empresários, banca, finança, justiça mas também nós, cidadãos, que para exigir teremos que estar dispostos a dar algo em troca: o nosso esforço, o nosso empenho. Nada, comparado com exemplos que vemos onde é a própria vida que estão dispostos a dar em troca do direito a uma vida digna.

 



Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 11:02
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011
 
O meu primeiro pensamento foi fazer greve à Liga Europa. Por nenhuma razão em especial, apenas porque estava (e estou!) preguiçoso para escrever. Provavelmente, mais valia ficar-me pelo direito à greve, ainda que sem motivação justificativa. Até porque ando atrasado nas minhas leituras e ainda não acabei a edição 2000 do Expresso, prestes a fazer 15 dias. É a vida. E a minha greve até poderia servir de antevisão ao que depois de amanhã se vai passar na manifestação, com todo o crédito que a geração à rasca possa ter. Seria, no entanto, um mero oportunista.
 
Mas não seria o único.
 
 
Porém, houve algo na revista especial comemorativa da edição 2000 do Expresso que me chamou a atenção: os mega processos judiciais que marcaram estes 38 anos de vida do semanário. No fundo, todos eles faces ocultas de ajustes políticos (internos ou adversários) que servem, quase exclusivamente, para marcar uma vergonhosa agenda partidária de vinganças iniciadas por alguma caixa de pandora aberta em desespero de causa de alguém. Nem vale a pena citar os nomes dos processos, muito menos os visados, já que todos são do conhecimento público. A seguir foi o efeito bola de neve. Ou como diz o anúncio das batatas fritas Pringles: quando se faz pop, já não há stop!

 
O problema é que a justiça deixou-se instrumentalizar. Por culpa das fugas de informação. Sofreu com isso. Degradou ainda mais o que já tinha de pouco abonatório, pela demora nas apreciações dos processos: a sua imagem pública. Perdeu a justiça, ganhou a imprensa. Os portugueses dividiram-se ainda mais e parece-me que não é com divisões que se chega a algum lado. Mourinho, de Madrid, diria que mais do que animar a malta, o que é preciso é blindar o balneário, mas sabem lá os políticos o que isso significa.
 
 
Os tempos são outros, é certo, mas também a referida revista falava do Bloco Central promovido por Mário Soares e Mota Pinto (1983). Os tempos podiam ser outros, mas a crise não era tão grave como a actual. E desta vez não há escudo para desvalorizar. Esta semana foram mais mil milhões em dívida com juros a bater recorde . De que vale a procura ser maior que a oferta, se estamos a ser esfolados no mercado? É o próprio secretário de Estado do Tesouro que o diz: estes juros são insustentáveis. Como diria o nosso sarrafeiro de Setúbal: NO SHIT?!

 
Ao contrário do que já vi escrito em blogs e mesmo na imprensa, parece-me que a única situação viável (e já a curto prazo) é tão-só os únicos dois partidos do eixo da governação entenderem-se e fazerem um pacto de regime. Pensarem o país com perspectiva de futuro, ouvir quem têm de ouvir e fazer as reformas que se arrastam há anos. Sobretudo no próprio Estado, já que é ele o mais obeso (a despesa pública em 2009 representou 51% do PIB).
 
Parece aquele gordo a quem o médico diz que se não emagrecer terá certamente um AVC. Jura que vai fazer um esforço, mas chega ao restaurante e depois de comer uma feijoada e lambusar-se com um pudim abade de priscos, mete adoçante no café com um sorriso de vitória pela consciência das medidas restritivas que tomou.
 
 
Assim, mais vale arranjar um daqueles desfibriladores portáteis que há nos estádios de futebol. A qualquer momento, o país precisará de tratamento de choque.
 
Imagem: "Lifepak 20eAttribution Some rights reserved by Physio-Control, Inc.


Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 17:57
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Quinta-feira, 3 de Março de 2011
 
 
Não houve ninguém que não tivesse apelidado a ida de José Sócrates e Teixeira de Santos à Alemanha como um autêntico voo ao castigo. 
 
Onde estava desta vez Ana Gomes para se queixar de viagens aéreas com destino à tortura? Puxões de orelhas, avisou-se logo. Ainda o homem não tinha aterrado em Berlim e já as tinha quentes. Deve ter dado jeito, para o frio que deve fazer por lá. Espanta-me, por vezes, a linguagem demasiado taberneira para este tipo de situações. Nesta taberna, aceita-se. Não em restaurantes gourmet. Podemos estar, geograficamente falando, atirados para o canto da Europa, mas as orelhas de burro, para já, só encaixaram na cabeça dos gregos e dos irlandeses.
 
Continuo a achar que o homem está a fazer um esforço para que não sejamos os clientes seguintes. A azáfama é tanta que ao toque da corneta, lá foram (duvido que na low cost Air Berlin) mostrar os TPC's, nem que para isso tivesse sido preciso apressar os resultados do mês. Só espero que não tenham colocado a informação numa pen! Até isso já devem ter aprendido.
 
 
Pelos vistos, não houve puxão de orelhas (sabe-se lá o que fizeram nos 45 minutos que durou o encontro), mas o nosso Primeiro puxou dos galões dos 800 anos de história e da não subserviência. Por pouco não dizia que ainda a germânia era uma terra de bárbaros e de guerras tribais e nós já tínhamos as nossas fronteiras definidas. Não disse, mas imagino que pensou. Assim como os alemães também devem ter ficado com a ideia que os papéis, sarcasticamente, se inverteram. Para eles, somos nós agora os bárbaros, que andamos em constantes guerras tribais. Coincidências. Mas gostei da exaustiva repetição «O meu país..., o meu país..., o meu país...». Gostava que o tivesse dito com o punho fechado a bater no coração. Pinderiquices estéticas.
 
 
Dos puxões aos empurrões.
 
 
Não há outra explicação: há hospitais que empurram doentes para outros hospitais. O ping sem pong entre São Marcos (Braga) e São João (Porto) é lamentável, não tanto como a troca de acusações entre os respectivos conselhos de administração e direcções clínicas. Dá aquela triste ideia de se varrer a poeira para baixo da carpete, só que desta vez... para a do vizinho. Linguagem taberneira, eu sei. Para defesa da honra (que se lixem os doentes), a questão vai parar aos tribunais.  Um factor curioso nesta equação é que o hospital bracarense é gerido ao abrigo de uma PPP. Antes isso que um KKK. Digo eu.
 
Imagem:"German Sausages"  AttributionShare Alike Alguns Direitos Reservados por -l.i.l.l.i.a.n-


Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 17:45
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Ao ler o que escreve Mário Soares no DN sobre o anunciado protesto a que foi dado o (infeliz) nome "Geração à Rasca" fico com a sensação de que há uma outra geração que começa a ficar "à rasca". A que nos deixou o país neste estado e a quem agora pedirmos conta de um passado desperdiçado, de um futuro hipotecado. A que continua a não perceber que são eles quem continua a manter o fascismo/salazarismo vivo não nós. Agradecemos a liberdade a quem no la deu - e não foi o senhor Soares em França ou o senhor Alegre na Argélia, foram os Homens que se revoltaram e tomaram uma atitude, não os que chagaram no dia seguinte para colher os louros e começar a brincar ao "vamos governar um país" e quem mantêm vivos os fantasmas do passado acreditando que ainda nos assustam. Não assustam, nós somos já uma geração de liberdade e por muito que queiram não temos culpa de não termos lutado contra o fascismo ou não termos sido perseguidos pela PIDE... eu peço desculpa por isso, mas tinha 6 anos em 1974.

Agora esta geração começa a perceber que o "perigoso niilismo" de que fala o senhor Soares é o estado actual em que sob a capa da teórica liberdade - que se há a de expressão, muitas outras faltam e opressão estatal é uma realidade - começam os donos de Abril e da liberdade e da moral e de Portugal e dos AllGarves a ficar à rasca, sim, porque tudo o que não se percebe assusta. Assusta o ROCK dos Deolinda, porque se os jovens ouvem, é rock; assustam pessoas que se juntam sem ser em partidos ou sindicatos ou outra qualquer organização infiltrável e controlável; assusta a possibilidade de ter que prestar contas sobre o passado; assusta aquela incerteza de futuro (e se assusta, então sabem o que nós sentimos, só que não sabem que sabem... porque tudo isto, NÓS, é novo para a Geração Soares).

O próprio senhor Soares anda um pouco baralhado, começando por escrever sobre a música de Deolinda e, sem a conhecer opinar, depois conheceu e não gostou do que leu... Temos pena. Já agora ouvia também, partindo do princípio que conseguirá distinguir rock do estilo musical que os Deolinda interpretam (que entretanto o senhor promovei de pop a rock) e depois confundindo o "Protesto da Geração à Rasca", que não é um blogue, é um evento, livre, vai quem quer - o que ele chama de "antidemocráticos" portanto. Com certeza alguém poderá explicar ao senhor a diferença entre um blogue e um protesto e já agora falem-lhe no Facebook e nas redes sociais e ele verá que o mundo tem vindo a mudar desde Abril de 74.

De facto "Não se trata de anarquistas. Nem, muito menos ainda, de marxistas, nem sequer de islâmicos radicais." quem agora recusa calar a indignação (categorizemos assim as pessoas e depois demos vivas à liberdade, não é senhor Soares?). Tampouco somos niilistas. Temos sido até agora, sim, quietos, calados, encarneirados. Agora não queremos mais um país sem rumo. Porque vocês que nos têm governado são perigosos, antidemocratas, niilistas. Parece que esperam que alguém (Alemanha, EUA, URSS, etc.) lhes indique um caminho. Mas qual e quem? A isso respondo: não, muito obrigado! Já tivemos disso 36 longos anos e não queremos mais…

Percebe, senhor Soares? Os "vossos" 48 anos são para nós já quase 37, livres, sim, mas desperdiçados. Ao contrário do que pensa(m), na verdade nós queremos enfim cumprir Abril. Não era essa a ideia?

 



Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 10:04
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Não gosto muito de despedidas, até porque todos nós "vivemos" noutro blog qualquer ali ao lado; pelo que isto é simplesmente um "vou para ali e já não estou aqui".

 

O Sarrafada foi e é um projecto do caraças. Tenho imenso orgulho de ter participado, diverti-me imenso, gostei mesmo muito. Pela minha parte, agradeço aos sarrafeiros, autores e leitores, porque todos são o Sarrafada. E continuarei a ser leitora assídua e entusiasta. Bem haja e até outro lado qualquer :)

 

 



Uma Sarrafada de: Catarina Campos às 20:46
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Imagem daqui



Uma Sarrafada de: FF às 17:57
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Os devidos e merecidos parabéns a toda a equipa do SAPO que faz hoje 5 anos de idade. 

 



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 17:51
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Parece que o probleeeeema é que vem aí o fundamentalismo islâmico quando o probleeeema é que 30 anos de governos de partidos da Internacional Socialista não criaram qualidade de vida às populações de forma a afastar o fundamentalismo. Antes pelo contrário. Oligarquias familiares, saque e corrupção, e a função social do Estado inexistente, e habilmente preenchida por movimentos com o Hamas, o Hezbollah ou a Irmandade Muçulmana. Os fundamentalistas aprenderam mais connosco do que nós com eles. E tudo isto é novidade. E o gozo é mesmo esse: estava toda a gente formatada para apontar o dedo aos partidos comunistas e à cumplicidade com os totalitarismos a Leste e eis senão que... os mencheviques conseguem ser mais perversos que os bolcheviques.

 

E o supra sumo do cinismo é dizer que a Europa pode ter papel determinante no futuro político dos países árabes e do Magrebe pós-revoluções - igual ao que teve nos últimos 30 anos? - quando o nosso secret wish era termos um novo Adriano. Essa é que era.

 

(Em stereo)

 

(Imagem via Associated Press)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 00:23
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