Espólio Sarrafeiro
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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

 

 

Fiz quase uma espécie de juramento que não iria escrever sobre as presidenciais. Contudo, ontem aconteceu algo que não podia deixar passar, pelo simples facto de que pode ser perigoso habituar o povo às naturais consequências políticas quando alguma coisa corre mal. Assim, até dão a ideia que vivemos numa democracia madura e em perfeitas condições de funcionamento.

 

Reeleição do inquilino de Belém à parte, a verdade é que a trapalhada que se verificou com os cartões de cidadão no dia das eleições tem dado que falar. O assunto foi noticiado em larga escala (conseguiu colocar mesmo para segundo plano as declarações habituais dos protagonistas num dia em que muito pouco teriam a dizer - até ao encerramento das urnas, obviamente) e amplamente debatido nas redes sociais do costume.

 

Como não podia deixar de ser, houve logo quem tivesse pedido a demissão do ministro Rui Pereira, mas acabaram por ser dois directores-gerais (da administração interna e da administração eleitoral) a despedirem-se dos respectivos cargos.

 

Em circunstâncias normais, a decisão seria encarada como natural. O problema é que num país onde a culpa morre sempre solteira, desta vez não pode haver excepção à regra e mesmo com o pedido de demissão de Paulo Machado e Jorge Miguéis, o ministro ainda está a ponderar se neste caso a culpa muda de estado civil.

 

Compreendo a relutância de Rui Pereira. Afinal de contas, é um perigo para o 'normal' funcionamento da nossa imatura democracia, abrir tão grave precedente. Aceitar o duplo pedido de demissão seria reconhecer a culpa dos directores-gerais e isso, no futuro, sabe-se lá que caixa de Pandora poderia abrir.

 

Já não bastou o então ministro das Obras Públicas, Jorge Coelho, ter feito o mesmo na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios. O mais curioso - se chegaram a abrir o primeiro link - é que a mesma pessoa que exigiu agora o saída de Rui Pereira, se este tivesse vergonha na cara (acrescentou a mesma figura é bom que se relembre!), foi o mesmo que, tantos anos depois, veio manifestar a sua incompreensão pela demissão de Jorge Coelho, por ter tido, e passo a citar, uma «responsabilidade muito indirecta» no assunto.

 

Neste caso do cartão do cidadão, o Governo acabou por sofrer um choque tecnológico, ainda que de baixa voltagem. Afinal, com tamanha percentagem de abstenção, que mal tem uns eleitores (número indefinido e que não se saberá nunca ao certo) terem ficado sem a possibilidade de exercerem o seu voto? Da próxima corre melhor. É preciso é seguir em frente.

 

Porque quanto às demissões, veja lá senhor ministro, se passa um pano por cima disso - esse preto (do uso) que têm por aí, para estas ocasiões -, para não nos habituarem mal. Normal em Portugal é ninguém ter culpa de nada. Nem que para isso se tenha de mentir. Mas só depois de se ter bebido uns copos de água da Polícia Judiciária, claro!

 

Imagem: "Ten BoxesAttributionNoncommercialShare Alike Alguns Direitos Reservados por jspad

 

 



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 10:23
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

 

O juiz Carlos Alexandre alertou para o facto de ser preciso traduzir mais de mil páginas, para dar a conhecer a decisão aos dois arguidos alemães. O tribunal já pediu um orçamento, mas a tradução não deverá ser para breve, pois não há dinheiro.

 

Fonte: Rádio Renascença

 

Como Portugueses não podemos ficar de baixos cruzados! Proponho que se escreva um mail para o Tribunal Central de Instrução Criminal a perguntar como podemos ajudar. Não há por aí tradutores que queiram fazer este serviço público?

 

Imagem: "Birkenhead - German U Boat" AttributionNoncommercialNo Derivative Works Alguns Direitos Reservados por admanchester



Uma Sarrafada de: FF às 17:26
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

O silêncio dos OCS em relação aos votos brancos é ensurdecedor. Deu-lhes uma branca ou é uma discussão que só interessa aos cidadãos?



Uma Sarrafada de: FF às 20:04
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Quando a via eleitoral esgotou por falência dos partidos políticos e das suas propostas e a via armada não é sequer hipótese a equacionar, a alternativa passa pela desconstrução do passado e do presente através da paródia, da sátira, do nonsense, do copy/ paste, do ridículo e da profanação. Questionar tudo, atacar tudo, desorganizar tudo, ignorar (que não no sentido de “ignorância) deliberadamente todos as os significados e ideologias estabelecidas, entrar em choque com o mainstream instalado de forma a despertar o inconsciente, que não é erudito nem judicioso nem doutrinado, e que toda a gente tem um.

 

¡Ya basta!

 

(*) Capa de Dada n.º 3, 1917

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 18:28
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O Papa pede aos jovens para não criarem perfis falsos no Facebook. Até parece que Jesus, o filho de Deus, não se disfarçou durante 33 anos de filho de carpinteiro.

 

Guilhotine Inês na nossa página de Facebook acrescenta:

"Na Bíblia bem diz: "Não comentarás a foto de perfil da mulher do próximo" Matthew (ch. VII, v. 12) e "Não criarás um perfil falso no Facebook" Ecclesiastes (ch. IX, v. 10)."

 

Imagem: "Pope BenedictAttributionNoncommercialShare Alike Alguns Direitos Reservados pela Igreja Católica de Inglaterra e País de Gales



Uma Sarrafada de: FF às 09:58
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Se o que se passou com o Cartão Único nestas presidenciais se passasse em eleições legislativas a reacção seria a mesma, isto é, nenhuma? Ou ia gerar-se um movimento para anular as eleições e repetir as mesmas?



Uma Sarrafada de: FF às 15:56
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Sábado, 22 de Janeiro de 2011


Uma Sarrafada de: FF às 20:56
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Para 5 anos de mandato 24 horas de reflexão.

Como diria Vasco Santana: “Compreendi-te!”

 

(Imagem)

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 02:23
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011


Uma Sarrafada de: FF às 10:45
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

 

 

Uma das coisas mais extraordinárias em Portugal é a quantidade de comentadores que aparecem em todos os meios de comunicação. Aliás, não é à toa que os programas de participação directa nas rádios e nas televisões têm tanto sucesso. Não há nenhum fórum em que não fiquem participantes de fora pelas próprias obrigações de emissão. Todos têm sempre alguma coisa a dizer. É bom. Somos feitos de uma massa crítica e, afinal, como se fartam de dizer os políticos num tom entre o cínico e o orgulhoso, foi essa uma das grandes conquistas de Abril. No entanto, parece-me que aqui se aplica bem o velho ditado popular de que 'em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão'.

 

Ninguém é um exagero. Alguém haverá de ter um fundo de verdade no que diz, até porque isto também não é um país de mentecaptos. Bem pelo contrário. Há gente de grande valor e arrisco-me a dizer que são a esmagadora maioria. Se assim não fosse, porque têm os portugueses tanto sucesso quando vão para o estrangeiro, nem que seja para desempenhar funções de empregados de limpeza. Nunca encarei o facto de os portugueses serem trabalhadores apreciados no estrangeiro como um mito urbano. Tirando raras excepções, porque as há em todo o lado, a verdade é que sempre ouvi reconhecer as qualidades profissionais dos portugueses lá fora, independentemente das funções que possam exercer, desde o mais simples humilde empregado da construção civil ao mais qualificado economista, como é caso de Horta Osório. Não creio que que os ingleses estejam de acordo em pagar-lhe um ordenado à Cristiano Ronaldo, só pelo seu ar de manequim da Hugo Boss.

 

Muitas das vezes, quando deixamos os nossos filhos em casa de amigos, desdobramo-nos em recomendações, ainda no carro, antes de os deixar em casa de estranhos, a principal para que se portem bem e para que não façam asneiras. No fundo, para que não nos deixem ficar mal. Fica-se sempre com o coração nas mãos. Sabe-se lá o que farão, já que em casa temos maneira de controlar a situação de outra forma. O espanto aparece quando os vamos buscar. Correu tudo lindamente e regressamos a casa com o orgulho de outros pais acharem que temos uns anjinhos em casa. Quem tem filhos pequenos, reconhece esta história.

 

Voltemos, pois, a saltar para a dimensão nacional. A questão que se coloca é simples: se somos assim tão bons, porque não o somos dentro de casa? Porque é precisamente dentro de casa que sentimos o à-vontade de sermos precisamente quem somos. Não precisamos de fingir que somos bem comportados e só quando temos um pai ou uma mãe de regras rígidas e inflexíveis a toda a linha é que percebemos que nem dentro de casa podemos vacilar. É por isso que não me espanta o facto de haver, ainda, quem tenha saudades da ditadura, onde nem dentro de casa havia hipótese de sermos quem somos. É talvez por isso que a saudade seja considerada um sentimento tão português. Pudera, lá fora não é a mesma coisa que cá dentro. É como se o nosso país representasse a eterna juventude, os tempos em que se podia fazer tudo e tudo era justificado pela tenra idade...

 

Não me parece viável pedir a governantes escandinavos que venham fazer uma perninha aqui ao Sul da Europa, porque a população continuaria a sentir-se em casa e os resultados não seriam os melhores. Também não pedimos aos pais de nenhum dos amigos dos nossos filhos que venham lá a casa ficar umas noites para tomar conta da criançada. Voltar à ditadura, então, está completamente fora de hipótese (agora digo eu, foi para isso que serviu o 25 de Abril!). Logo, a solução mesmo é colocarmos o povo a fazer um Erasmus de cidadania no estrangeiro. Tenho a certeza que a União Europeia concordaria, apoiando como um projecto de verdadeira integração. Para aprendermos a ser bons cidadãos lá fora. Porque isto de criticar só os governos também tem muito que se lhe diga. É que parece-me que a nossa classe política é apenas um reflexo do país que somos.

 

Imagem: "Dala HorseAttributionNoncommercialNo Derivative Works Alguns Direitos Reservados por testpatern



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 14:32
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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

 

 

 

 

 

Porque fica mesmo em frente da Itália que é uma das frentes da Europa, e ao lado da Argélia que é ao lado de Marrocos que é como quem diz mesmo aqui mesmo ao lado, ou pela mais importante de todas que é porque vive lá gente que também é filha de Deus, como sói dizer-se, e mais o caos e o vazio de poder e o fundamentalismo, motivos por (quase) todos conhecidos e já milhares de vezes e(a)nunciados e que não vale a pena aqui e agora estar de novo a e(a)nunciar, não podia estar mais de acordo com o que escreve Ferreira Fernandes no Diário de Notícias. Eu teria acrescentado mais uma: José Sócrates que andou a vender e a comprar investimento e parcerias no Magrebe, teceu rasgados elogios ao terrorista de Estado ditador tunisino do partido há 23 anos no poder, e que pertence à Internacional Socialista, do Partido Socialista português, do PSOE de Zapatero e do Labour de Miliband, entre outros.

 

As FARC na Festa do Avante! e o Bernardino Soares na Coreia do Norte. Pois.

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 11:24
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011

 

 

 

 

 

Mesmo que sejam pouco mais que uma centena, como hoje em Famalicão e na Póvoa do Varzim, sobe para cima do carro. Passa a imagem, para as televisões e perante os jornalistas mansos amorfos, do candidato submerso numa maré de povo. E assim se cria uma maré-cheia. É dos livros.

 

Desde Nuremberga em 1934 que já foi tudo inventado.

 

(Imagem)

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 22:38
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Podiam levar o candidato Cavaco Silva ao programa de falar com os mortos para ver se algum ente querido lhe diz onde está a escritura da casa.

 

(Na imagem “Phantom of the corridor, the chilling power of a ghostly figure” via Getty Images)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 00:53
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

 

Os Shorty Awards têm o valor que têm mas não perdem nada em votar no José Besteiro na categoria comida e no José Afonso Furtado - que ganhou o ano passado - na categoria publishing. Para votar é só ir aqui e ter uma conta no Twitter.



Uma Sarrafada de: FF às 17:33
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

 

 

 

 

 

 

 

Tudo começou aqui...


 

Bom, na verdade não foi bem aqui, já que o vídeo original do sem-abrigo norte-americano com a voz que encantou o Mundo já se deve ter perdido pelo TuTubo*.

 

Vi-o no dia em que a SIC Notícias passou o pequeno filme de cerca de dois minutos e a contabilidade foi verdadeiramente assombrosa. Se não repare-se: quando, à hora do almoço, vi pela primeira vez a notícia, a informação era que já tinha ultrapassado as 3 milhões de visualizações. Fui à Internet pouco depois e vi que já ia nas 3,5 milhões. No trabalho, ao final da tarde, mostrei a uns colegas e o contador já marcava 5,3 milhões. Ao final da noite, já em casa outra vez, voltei a ver e já ia nos 7,1 milhões. É esta a velocidade a que corre a informação nos dias de hoje. À conta disso, tal como o próprio Ted Williams desejou, choveram propostas de trabalho e, da noite para o dia, o homem deixou de ser sem-abrigo para passar a ser uma estrela, conhecido não só no seu país como no resto do Mundo.

 

Não consigo imaginar o mesmo a acontecer em Portugal. Aliás, provavelmente em mais lado nenhum aconteceria um episódio destes. Só mesmo nos Estados Unidos ou não fosse aquilo a Terra das Oportunidades. E dos sonhos. Há duas semanas, uma das personagens da política norte-americana a ser entrevistada no 60 Minutes foi o republicano John Boehner, o novo presidente da Câmara dos Representantes.

Basicamente, o homem que, agora, tem o poder de baralhar as contas de Barack Obama. No entanto, a imagem que passou para o público foi a de um pieguinhas, de lágrima fácil, que se emociona com a mesma rapidez com que Ted Williams passou de pedinte num cruzamento de auto-estrada à voz mais requisitada da América. Diz Boehner, sem lenço para se assoar, que quer continuar a fazer o povo acreditar no milagroso 'American Dream'

 

 

 

Não precisa de se esforçar muito. Ted Williams que o diga. Porém, imagino que se o homem com a preciosa voz se fizesse à estrada e andasse a bater de porta em porta à procura de trabalho, duvido que alguém estivesse minimamente interessado nos seus dotes vocais. Era o preconceito vestido com a nova roupa da moda, chamada crise. Mas os milhões de visualizações no TuTubo e o interesse da imprensa deram um empurrãozinho. Quem não gosta de uma boa história da Gata Borralheira? Então quando há verdadeiro talento envolvido, o argumento passa a ser hollywoodesco.

 

Este caso podia ser analisado dos mais variados pontos de vista, mas para mim só há um que interessa. Independentemente de se ter passado nos Estados Unidos e correndo o risco de ser considerado um lírico, a lição pode ser válida para todos, salvaguardando as respectivas dimensões: é preciso não deixar nunca de sonhar. Ou como diria JM Barrie na obra do Peter Pan, BASTA ACREDITAR.

 

Imagem: "Peter Pan" NoncommercialNo Derivative Works Alguns Direitos Reservados por toddwshaffer



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 11:44
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

 

É fácil sentirmo-nos perdidos nos tempos que correm. Por muitas certezas - e nunca podem ser assim tantas - que possamos ter em relação ao que queremos da vida, há sempre o factor aleatório a entrar na equação, no qual devemos incluir tudo aquilo cujo desfecho não está nas nossas mãos, apesar de nos afectar directa ou indirectamente.
Há um sentimento de injustiça a invadir as pessoas. Digo eu, pela quantidade de notícias que deviam fazer corar qualquer um com os níveis mínimos de dignidade e moral. Há quem as considere, simplesmente, estrume onde cresce a flor do humor, bem aproveitadas para a denuncia ser servida em moldes caricaturais. Sempre a houve e isso é saudável. Mas a verdade é que a real dimensão dessas notícias tem custos e a factura vai sempre parar às mesmas moradas.
Não vou aqui descrever os casos porque, para além da lista já ir demasiado extensa (e pelos vistos não vai parar tão cedo), o propósito deste texto não é esse. Portanto, conversa da treta de lado e vamos ao tópico revolucionário do dia. Curiosamente, apanhado de um pequeno apontamento do habitual espaço semanal de Nuno Rogeiro na revista Sábado, denominado Relatório Minoritário.
O título é giro e vai dar jeito mais à frente: "Despertares violentos"
Rogeiro escreve que a grande questão que tem agitado os "cientistas sociais" nos últimos dois anos é uma pergunta simples, mas com resposta complexa: porque é que, face à crise global do capitalismo (ou do capitalismo global) -  adorei o trocadilho! - não houve ainda revoluções nem revoltas internacionais em grande escala e consequências?
E passo a transcrever as conclusões pela delícia da terminologia:
"Pode dizer-se que o falhanço - às vezes sangrento - do socialismo (real ou imaginário) impede que este se erga como alternativa. Pode dizer-se que a existência de sistemas eleitorais livres, e tribunais independentes, e imprensa indiscreta e poderosa, retira motivos e apetites aos candidatos a revolucionários. Pode dizer-se que a colectivização das lideranças, ou a sua fragilidade, impede que haja fúrias concentradas num chefe absoluto, senhor dos triunfos e das desgraças. Pode dizer-se que, de séculos de barbárie, os povos se cansaram da morte: mesmo a Al-Qaeda, dez anos depois do 11 de Setembro, é uma marca em crise. Mas há atrocidades (e reguadas) que não se prevêem, nem anunciam"
No fundo, por mais descontente que possa andar o povo, a verdade é que parece não haver alternativa ao status quo em vigor ou ao sistema de pelo qual as sociedades modernas se regem. Como disse Churchill, a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.
Pegando no título escolhido por Nuno Rogeiro e na parte final do seu texto, sabe-se lá quando haverá um despertar violento? Há reguadas que não se prevêem e não é preciso recuar muito no tempo para se perceber que a régua já deu sinais de vida.
Confesso-me totalmente contra qualquer tipo de violência. Detesto armas e acho que a força só faz perder a razão. Mas nem todos pensam como eu e acredito que haja muito boa gente arrependida do romantismo de Abril se ter manifestado com cravos nas pontas das G-3.
Yo no credo en brujas, pero que las hay, las hay!
Imagem: "Gun-FlowerAttribution Alguns Direitos Reservados por Robert Couse-Baker

 

 



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 17:51
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Carta Aberta à ACAPOR


Este texto foi escrito noutro contexto, para explicar, em privado, a minha opinião sobre este assunto a um amigo. Perdoe-se, por favor, o carácter informal do texto, e a fraca formatação.

 

Actualização: esta carta aberta entra agora em consideração com a informação extra disponibilizada no artigo do Jornal Público][1].


A ACAPOR anuncia no seu site[2] que vai "apresentar 1000 denúncias por pirataria online". Várias pessoas me têm perguntado a minha opinião sobre este anúncio, apesar de ele já ter sido comentado amplamente pela Internet fora. Ainda assim, aqui fica a minha análise do anúncio da ACAPOR:

 

1) não há em lado nenhum o texto da denúncia para poder analizar;

 

(2,3,4) "A esmagadora maioria dessas denúncias (970) reportam-se a utilizadores da internet, com IP nacional, que estiveram a partilhar, sem a devida autorização, obras cinematográficas, cometendo assim o crime de usurpação de direitos, punido pela legislação portuguesa com pena até 3 anos de prisão." -> Como é que eles têm provas que aqueles IPs estavam a partilhar sem autorização essas obras? Como é que eles inferem que isso é prova de crime de usurpação? Segundo o artigo d'O Público, eles denunciam mesmo - como dizem - utilizadores, mas sim apenas endereços IP. Mesmo que tenham provas que um crime foi cometido a partir de determinado IP, conseguir-se-à daí inferir que o crime foi efectuado por determinada pessoa?

 

5) "As restantes 30 denúncias estão relacionadas com o crime de violação de correspondência ou telecomunicações e envolvem cidadãos que partilharam e-mails da nossa Associação, e-mails esses que tinham sido ilegalmente subtraídos da nossa página WEB numa operação internacional auto-denominada “Operação Payback” realizado pelo grupo Anonymous." - o crime de violação de correspondência ou telecomunicações foi cometido, poder-se-à alegar, por quem fez essa violação, e não por quem partilhou esses e-mails...

 

6) "A ACAPOR compromete-se ainda a realizar, todos os meses, 1000 (mil) denúncias crime com o mesmo substrato colocando desta feita um ponto final na impunidade reinante neste tipo de crime." - como é que eles vão obter essas 1000 provas? E como é que podem ter a certeza disso?

 

7) "A partir de hoje a população portuguesa passa a tomar consciência de que os actos ilícitos cometidos através da internet, em concreto os uploads/downloads ilegais, estão a ser vigiados e denunciados e assim será por tempo indeterminado." -> o que são "downloads ilegais"?

 

8) "Não deixamos no entanto de lamentar que, estando em causa um crime público, tenha que ser uma entidade privada a assumir o impulso processual e que, até à data, absolutamente nada tenha sido feito pelas entidades competentes para reduzir os 50 milhões downloads que são feitos anualmente por clientes das operadoras nacionais de internet." -> quando um cliente de uma operadora nacional efectua um download, qual é o "crime público" que está a ser cometido?

 

9) "A indústria do audiovisual está a ser pilhada na internet." -> Ah sim? O que é que foi pilhado à dita indústria do audiovisual?

 

10) "A ACAPOR convida todos os senhores jornalistas a comparecerem na Procuradoria-Geral da República, no próximo dia 5 de Janeiro de 2011 pelas 10 horas da manhã, afim de testemunharem a entrega destas 1000 denúncias e poderem igualmente colocar todas as questões que entenderem relevantes aos representantes da Associação." -> Pena que só esteja disponível a ouvir os jornalistas, e que continuem a ignorar as pertitentes questões que foram levantadas aqui, agora mesmo, em 10 simples pontos.

 

[1] http://www.publico.pt/Tecnologia/acapor-entrega-quartafeira-mil-queixas-na-pgr-por-pirataria-na-net_1473400
[2] http://www.acapor.pt/site/index.php?option=com_content&view=article&id=70:acapor-apresenta-1000-denuncias-por-pirataria-online&catid=1:latest-news&Itemid=55


Esta é a opinião pessoal de Marcos Marado. Se quiser comentar, esteja à vontade para entrar em contacto comigo. Este texto é disponibilizado com uma licença Creative Commons Atribuição 2.5 Portugal.



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 19:42
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

 

 

 

 

 

A época exigia que cantássemos

E cortava-nos a língua.

A época exigia que fluíssemos

E repetia mentiras.

A época exigia que dançássemos

E dava-nos calças de ferro.

E no fim de tudo a época recebeu

O tipo de merda que exigiu.

 

Ernest Hemingway, Der Querschnitt Magazin, Fevereiro de 1925

 

(Em stereo)

 

(Imagem)

 

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 11:36
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