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Sábado, 27 de Novembro de 2010

 

... e depois de ouvir o Duarte Marques e o Carlos Eduardo Reis ontem à noite, votava em Carlos Eduardo Reis.

 

 

PS: Alguém que diga ao deputado Leitão Amaro que não fica bem a deputado da nação falar daquilo que não sabe.

 

PS2: Era para estar em Coimbra mas estou com uma virose

 

PlayStation: Ainda bem que não sou da JSD.

 

Imagem: sem_nome, sob uma licença Creative Commons Attribution Non-Commercial No-Derivative-Works (2.0) via o flickr de Andrew_B)

 




Uma Sarrafada de: FF às 15:38
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010



Uma Sarrafada de: FF às 21:11
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

"Informo por outro lado que a AMI, enquanto instituição

absoluta e rigorosamente apolítica,

não se imiscuirá neste assunto,

estando completamente à margem deste processo."

 

Fernando Nobre, 17 Fevereiro 2010

 

 

 

 


 

Fernando Nobre, Novembro2010

 

E a imagem nem sequer é de Fernando Nobre mas pertence sim ao Arquivo do JN.



Uma Sarrafada de: FF às 20:32
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Bem sei: título fraquinho. A verdade é que o trocadilho cai que nem ginjas no tema da Liga Europa de hoje. Vai ser fácil de perceber, vão ver.

 

Admito que estou dividido. À primeira vista, numa análise mais superficial e imediata, confesso que fiquei (mais uma vez) desapontado com a medida governamental que tive oportunidade de ler num site exclusivamente dedicado a apresentar aos cidadãos seniores europeus oportunidades de gozarem a sua velhice na plenitude das suas capacidades financeiras, sem se preocuparem com aquilo que os impostos podem levar das reformas para as quais trabalharam durante uma vida inteira. Estes é que são do bom tempo, porque quando chegar à minha altura, e pelo andar da carruagem, terei que trabalhar até que a espondilose me doa. Isto se não morrer antes, o que para o Estado deve ser um alívio:"olha, menos um a delapidar a caixa de aposentações" (se nessa altura houver). Já faltou mais, se é que este pensamento já não passou pela cabeça de alguém...

 

A notícia, se ainda não foram cuscar o link, apresenta Portugal como um dos paraísos fiscais para a terceira idade mundial dados os benefícios que o Governo da República Portuguesa (não sei se sabem, mas é assim que o nosso país é denominado na Constituição, Portugal é para os amigos) estão a dar aos reformados estrangeiros que queiram fixar residência neste cantinho soalheiro e com baixo custo de vida.

 

Diz o artigo que nos primeiros 10 anos há o bónus de isenção de imposto, tentando assim cativar os reformados a trocar o cinzento e chuvoso Reino Unido ou a fria e nevada Alemanha por Portugal. Sim, porque são estes reformados e não aos da Albânia ou de Malta a quem o governo deve estar a piscar o olho e a flectir o indicador, como se de clientes se tratassem.

 

Como expliquei de início, primeiro senti-me desiludido. Então fazem isto aos estrangeiros... e os portugueses? E os que contribuíram a vida toda para que o país tivesse o que tem hoje? Imagino que esta medida seja uma espécie de dívida de gratidão para com os cidadãos das economias dominadoras europeias pelos seus precosos fundos comunitários, que inundaram este país de alcatrão e de centros comerciais, sob a batuta do actual Presidente da República. Mas como dizem os Homens da Luta: E o povo, pá? Não dá para estender a medida aos nossos reformados? Não têm direito? Ou está-se, subrepticiamente, a dizer-se-lhes para procurarem abrigo fora de portas?

 

Esta foi a minha análise a quente, como a nossa meteorologia. Depois veio a brisa nórdica. Calma. Isto até tem alguma lógica. Acena-se aos cotas ricos endinheirados com uma isençãozita de impostos, eles caem no ALLgarve (ainda mais) e à volta dos campos de golfe por esse país fora como moscas para de seguida, segundo os ensinamentos do Tio Sam, desatarem numa corrida desenfreada de consumismo no país, aumentando assim o PIB:

fonte PorData

 

Parece uma equação difícil de errar no resultado, verdade?

Se os objectivos se concretizarem, pode ser que nessa leva de imigrantes seniores venha alguém, ainda, com vontade de dar uma perninha na governação.

 

E à boa maneira da dialética socrática (do verdadeiro, o grego!), depois da tese e da antítese, vem a síntese. Ficamos num ponto intermédio, mas sem equilíbrio. É uma ideia com bons fundamentos e a finalidade até pode trazer benefícios, mas em última análise só revela mais do mesmo: uma perfeita desconsideração pela população, que tem todo o direito de se sentir discriminada com estas medidas. Por muito nobre que seja construir um estádio na Palestina, de que vale a nobreza quando se aumenta a carga fiscal sobre os medicamentos num país onde existem doentes que os vão deixar de poder comprar? Faz-me lembrar as praias de certos resorts de luxo espalhados por esse mundo fora: só para turistas. Proibida a entrada a autóctones.

 

Em resumo: este país, afinal, é para velhos, mas não para os da casa!

 

Já agora, este post não dispensa a leitura da notícia original (em inglês)

 

Imagem: David Dennis em Creative Commons



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 11:39
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Com os recibos estamos fodidos

 

Sim, estou de baixa e a culpa é da Greve Geral e do consumo elevado de televisão. Aliás, a culpa é dos Franceses. Passo a explicar.

 

Um tipo ouve falar de Greve Geral e de imediato o imaginário remete para multidões na rua, o país paralizado, sem gasolina, uns carros a arder nos bairros mais desfavorecidos. A verdade é que quando se ouve falar de greve geral a mente viaja logo para França e as expectativas ficam por ali a pairar como o cheiro de um croissant com creme acabadinho de saír do forno que chama por nós.

 

Ontem já a caminho de casa parei para beber um café e estava a rever as fotografias que tinha tirado quando, um casal francês que estava ao meu lado me perguntou "Quando é que é a greve geral?" ao que eu respondi "Foi hoje". O "Ahhh..." que recebi como resposta - com reticências e tudo - bateu-me no peito como um prato de nouvelle cuisine que tem um nome com pelo menos 20 palavras mas afinal é apenas uma peça minúscula de carne com uma rodela de cenoura em cima. Ou seja, fiquei furioso.

 

E fiquei furioso não com os franceses, que sabem fazer uma greve geral como deve ser, mas sim com a letargia reinante neste país onde toda a gente rezinga no café, na mercearia, nos restaurantes mas depois, quando chega o dia de se mostrar esse descontentamento em massa o pessoal não aparece. Tem mais que fazer. Prefere ficar na pastelaria a comer o tal do croissant.

 

No Rossio estavam umas 300 pessoas, se tanto. Um grupo de 60 associações de artistas, trabalhadores precários e flexíveis mais um grupo de trabalhadores das Páginas Amarelas e vários deputados do Bloco de Esquerda juntou 300 pessoas fazendo-me lembrar a famosa #ManifAr onde um grupo de 85 blogs juntou 150 pessoas em frente à Assembleia da República. Entre essas associações de artistas a ZDB (Galeria Zé dos Bois) que deveria era começar a pagar decentemente aos artistas que lá actuam.

 

Um repórter de imagem confessava que ali no Rossio era onde tinha visto mais gente junta durante todo o dia, ali num Rossio vazio com duas gruas a montarem a iluminação de natal à volta da estátua do Dom Pedro V com o barulho do ferro contra ferro a ser feito soar por quem trabalhava sobrepunha-se aos discursos vazios e sem inspiração de quem fazia greve.

 

Seria de esperar da comunidade artísitica Portuguesa mais imaginação, mais garra e mais irreverência para não falar de mais poder de mobilização que claramente não tem. Mais ainda, seria de esperar de todos aqueles que apelaram à greve, que apelaram a que se mostrasse inequívocamente a este governo que já chega de trapalhadas que saíssem à rua e realmente parassem o país, doesse a quem doesse, fosse preciso o que fosse preciso.

 

"A greve faz-se pela ausência" dizia-me um fotógrafo da France Press. E mais uma vez pensei em todas as imagens de milhares de pessoas a descerem pela ruas de Paris, durante dias a fio até conseguirem forçar a mão do Governo. Também pensei que não se teria perdido nada se em vez de termos assimilado aquela maneira chata de fazer filmes e teatro Francesa tivessémos antes assimilado o espírito reenvidicativo.

 

Manuel Alegre acordou com um pássaro a saudar a greve. Sócrates não acordou com ninguém à frente da sua casa a gritar. O Largo do Rato era um deserto. Em frente à Assembleia da República ninguém. No Rossio foi o que se viu.

 

Gorado nas expectativas criadas e a precisar de tomar o terceiro Prozac da manhã, hoje estou de baixa e a culpa é dos Franceses.

 

 



Uma Sarrafada de: FF às 10:30
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Os rapazes ali do lado celebram 4 anos hoje. Estão todos de parabéns em especial aqueles que cada vez mais se parecem com os seus arqui-rivais Abrantes pelo estilo truculento que se sobrepõe à falta de ideias. Deve ser chato pertencer a um blog assumidamente político e de direita quando os dirigentes dessa mesma direita só mandam tiros nos pés , nos submarinos e nos presentes de Natal. Muitos parabéns Annies! A seguir ao link um pequeno presente retirado de outro lado que isto não dá para andar a endividar o nosso blogue com presentes para os outros.

 



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 08:13
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Parece que o Rodrigo Moita de Deus, ontem andou a fazer mais um estudo de mercado para um case study junto aos grevistas.


RMD?


Uma Sarrafada de: FF às 08:01
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Uma Sarrafada de: FF às 07:59
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Em formato Storify, tudo o que se vai lendo e vendo sobre a Greve Geral.



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 04:19
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

 

Estive nos últimos dois dias a pensar no que escrever sobre o "Pensar Fora da Caixa" e em que formato. Depois esqueci-me.

 

O que aconteceu o fim-de-semana passado em Coimbra é, sem dúvida, a prova de que é possível organizar um evento sem uma estrutura imensa: basta haver vontade. E (boa) vontade é coisa que não me pareceu que faltasse ao João Barros, à Telma Rodrigues e ao Telmo de Figueiredo bem como aos restantes envolvidos na organização deste evento que estão, desde já todos de parabéns.

 

Houve boa vontade e houve muito trabalho que se traduziu em dois dias com o Pavilhão Centro de Portugal em Coimbra cheio para ouvir os convidados.

 

Fui a Coimbra para falar de cidadania activa, de como usar as redes sociais para chamar a atenção para determinados temas e quando saí de Coimbra já sabia que algumas das pessoas presentes se estavam a organizar no Facebook. Por vezes basta mostrar que é possível para que as pessoas se motivem e os meus objectivos foram mais que cumpridos.

 

Não terei que ser eu a dizer se os objectivos gerais foram cumpridos ou não mas gostaria de deixar aqui algumas notas sobre o que observei.

 

A ter em atenção para edições futuras:

 

1. O espaço não era dos melhores - demasiado claro para se realizarem projecções - o que dificultou bastante algumas apresentações.

 

2. A escolha do orador inicial criou um momento Xanax, opaco que em nada ajudou o kick-off da conferência.

 

3. Penso que o público entrou formatado para este "Pensar Fora da Caixa" e por mais provocações que João Barros fizesse nunca se conseguiu, pelo menos no Sábado que foi quando eu estive presente, quebrar o modelo tradicional e criar um diálogo real entre oradores e participantes.

 

Hoje em dia começam-se a criar novos modelos de conferência que passam muito pela quase obrigatoriedade de participação activa que implica que os participantes não partam do princípio que quem está em cima do palco é o dono da verdade ou do conhecimento absoluto.

 

No meu caso pessoal o diálogo estabeleceu-se depois o que é positivo mas tem a desvantagem de não ter sido partilhado com todos os outros presentes.

 

Resta-me apenas agradecer ao João Barros & Co. a maneira como fui recebido em Coimbra. Para "miúdos" vocês são GRANDES! Espero notícias em breve sobre o PFC2011 ;-)

 



Uma Sarrafada de: FF às 21:53
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Todos os gráficos disponíveis para download aqui



Uma Sarrafada de: FF às 21:51
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Uma Sarrafada de: FF às 18:41
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

 

A declaração de Bento XVI sobre o uso de preservativos abre as portas à entrada do Vaticano neste mercado. Deixamos aqui a sugestão que poderá servir para combater as perdas financeiras que a Santa Sé tem vindo a registar.

 

Imagem retirada daqui e daqui



Uma Sarrafada de: FF às 14:44
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Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Aníbal: "Estou aqui enrascado... que diacho vou eu oferecer ao Obama?"

Maria: "Um galo de Barcelos..."

Aníbal: "Já têm uns 40 lá na Casa Branca..."

Maria: "Deixa lá ver, ele não têm um cão de água português?"

Aníbal: "Tem..."

Maria: "Manda fazer uma escultura do cão, assim quando ele morrer já têm a escultura para o recordar"

Aníbal: "Grande ideia Maria, um bocadinho mórbida, mas grande ideia"

Maria: "Já podemos voltar a ver a novela?"

 

Cavaco vai oferecer escultura de "Bo" a Obama



Uma Sarrafada de: FF às 21:34
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Não preciso de dizer mais nada. Lembram-se todos, com certeza, do porta-contentores inglês que encalhou a 16 de Fevereiro de 1980 no Tejo, mesmo em frente ao ministério da Marinha (ele há com cada coincidência!) e que, dois dias depois, virou-se ainda mais, ficando de casco (vermelho) à mostra, tornando-se um perigo para a navegação. Mas, como sempre, os portugueses têm uma apetência especial para ver coisas boas na desgraça e até houve quem ficasse com o naufragado navio na memória como um dos monumentos nacionais de eleição. Aliás, descobri até que parte do material do famoso navio serve de decoração a um bar chamado "A Casa do Leme".

 

A coisa também não era para menos. Foram três anos (acabou por ser removido somente a 2 de Dezembro de 1983, após várias tentativas falhadas) que aquela peça metálica, mais parecida com um futurista parque de skate, esteve à vista de todos, chegando mesmo a alimentar as tardes de muitos reformados. Grande parte da terceira idade lisboeta perdeu largas horas sentada nos bancos de pedra do muro do Terreiro do Paço junto ao rio a mandar os seus palpites sobre a melhor forma de virar e remover facilmente o navio. Isto, claro está, durante as várias tentativas infrutíferas que iam sendo feitas. Imaginam-se os comentários: «Obviamente que assim não vão a lado nenhum...»

 

Por fim, lá veio uma equipa do estrangeiro para finalmente tirar dali o que já era visto como uma vergonha nacional. Havia mesmo quem dissesse que o barco, dali, já não saía.

 

Lembrei-me do Tollan, por associação de ideias à discussão do último Orçamento de Estado e da possível entrada do FMI. Mais outra parvoíce como outra qualquer. Está visto que, por mais voltas que a democracia portuguesa dê, a alternância de poder está no mesmo ponto em que se encontrava a monarquia no final dos seus tempos. O rotativismo de então, entre regeneradores e progressistas, só deu lugar ao actual rotativismo entre socialistas e social-democratas. Qual é a diferença? Não pagamos adiantamentos ao rei, mas pagamos (e bem) os adiantamentos (a fundo perdido) que outros fizeram para construirem resorts de luxo em Cabo Verde.

 

Enquanto isso, o país, encalhado, assiste a tentativas de virar a situação (e só lá vai mesmo com uma rotação de 180 graus), cheia de 'reformados' (não em bancos de pedra, mas nas cadeiras das televisões, em talk shows) a mandar os seus palpites em como seria simples e eficaz dar a volta à desgraça, quando a solução poderá ter mesmo de chamar novamente a rapaziada de fora (FMI) para dar conta do recado.

 

Ninguém se entende. Trocam-se acusações (olha que novidade!), trocam-se carros topo de gama como quem contrata assessores, trocam-se robalos por favores, trocam-se frutas por arbitragens, trocam-se nacionalidades e até o país pela Europa. Por prestígio, apenas. Trocas e baldrocas de quem faz orelhas moucas ao que se passa fora dos gabinetes de São Bento. Às vezes até fico na dúvida se sabem mesmo o que se passa ou se pensam que o povo é sereno e é só fumaça!

 

O Tollan continua encalhado, meus caros. E pelo andar da carruagem vai continuar assim por muito tempo.

 

Já agora, deixo um excerto d'Os Maias, que ando a reler, muito curioso...

 

O Cohen colocou uma pitada de sal à beira do prato, e respondeu, com autoridade, que o empréstimo tinha de se realizar «abruptamente». Os empréstimos em Portugalconstituíam hoje uma fonte de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministros era esta - «cobrar imposto» e «fazer o empréstimo». E assim havia de continuar...

Carlos não entendia nada de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.

- Num golpezinho muito seguro, e muito directo - disse Cohen sorrindo - Ah, sobre isso, ninguém tem ilusões, meu caro senhor. Nem os próprios ministros da Fazenda!... A bancarrota é inevitável: é como quem faz uma soma...

 

Foto de ALFREDO CUNHA/LUSA PRT Lisboa LUSA © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 08:58
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Uma Sarrafada de: FF às 01:03
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

 

Anda por aí tudo a falar do valor de €20.400 pagos pelo INPI ao ISCTE para gerir a sua conta de Twitter. Ao ler a notícia no Correio da Manhã - who else? - fica-se com a sensação de que se pagou essa quantia para proceder à abertura da conta; ao se ler a reacção do INPI fica-se a saber que afinal os €20.400 pagos cobrem o período de um ano e que estão envolvidas duas instituições - o ISCTE e a uma empresa chamada "5ª Potência" - que são responsáveis por criarem os conteúdos e gerirem a conta do INPI bem como produzir uma newsletter mensal.

 

Diz a Alda Telles que do que viu superficialmente "parece-me uma timeline cuidada e diversificada, orientada para os objectivos enunciados, e de quem sabe utilizar a ferramenta." Eu discordo totalmente nesta parte mas não me parece que o valor em causa seja escandaloso: afinal dividindo os €20.400 por duas entidades por ano, dá €850 por mês a cada uma.

 

Se é sabido que anda por aí muito boa gente a fazer uma fortuna com isto das redes sociais e a pagar miseravelmente a quem de facto faz o trabalho também é sabido que preparar conteúdos que consigam gerar o tal do engagement que está tão na moda não é tarefa simples.

 

E aqui a conta do INPI falha total e redondamente, isto é, quem gere de facto a conta falha total e redondamente. Porquê?

 

1.  No último mês a conta do INPI gerou 1 RT - se excluirmos os RTs feitos hoje ao desmentido - o que diz claramente que as poucas pessoas que seguem a conta não acham o conteúdo o interessante o suficiente para o espalharem pela sua respectiva rede.

 

2. Nenhum dos tweets inclui uma ou mais # que os fariam cair no radar de quem não segue a conta mas esteja interessado nas temáticas abordadas.

 

3. Não existe um cuidado - como o exemplo da imagem acima - no que está a ser enviado. O twitter não é um concurso de speed typing especialmente quando se está a ser pago para isso e se está a representar uma instituição ou marca.

 

Este caso do INPI é interessante por duas razões distintas:

 

1. O valor pago pelo serviço não é escandaloso, antes pelo contrário.

2. O INPI adjudicou o serviço a quem não percebe absolutamente nada de Twitter, tornando o preço pago um escândalo.

 

Até pode haver aqui um tacho, um boy ou girl favorecidos - com €850 por mês - mas o que é um facto é que o INPI adjudicou um serviço a ser prestado durante um ano por €20.400. Como no INPI ninguém percebe nada de Twitter - senão não tinha feito outsourcing - os seus responsáveis nem sequer souberam estabelecer objectivos para a conta o que se traduz no número de seguidores da mesma e no seu alcance real após um mês de funcionamento.

 

Isto mal comparado é contratar uma pessoa para nos engomar 100 camisas por €50 e depois as camisas serem entregues todas mal passadas ou queimadas e não podermos fazer nada. O preço até estava em linha com o que praticam outras engomadeiras mas o resultado final custou muito caro.

 

E esse é o facto realmente escandaloso em toda a esta história.



Uma Sarrafada de: FF às 20:49
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

 

 

Quando eu andava a estudar e fazia parte da redacção do Jornal Universitário, houve uma camarada minha que tinha para fazer um trabalho para a última página sobre um simpósio de astronomia promovido pela universidade. Uma daquelas iniciativas que tínhamos mesmo que cobrir, para garantirmos a continuidade dos apoios (leia-se verbas!) dados pela reitoria. O problema é que o assunto era uma tremenda seca, ninguém ia ler, e era logo para a última página que, ao contrário do que o comum dos leitores pode pensar, é a mais nobre num jornal... a seguir à primeira, claro!

 

O assunto foi discutido entre todos, mas não havia volta a dar. A malta universitária tinha mesmo que levar com aquela 'encomenda' e na última página. Recordo que a tiragem do jornal, na altura, fazia corar de vergonha muitos diários de hoje. Mas em frente. A Paula, aluna de Psicologia e responsável pela reportagem, tranquilizou-nos de uma forma desconcertante. «Não se preocupem que eu tenho uma solução». Ficámos de pé atrás. Porém, demos o benefício da dúvida. Na verdade, a reportagem foi bastante comentada e grande parte do universo estudantil a leu, ou pelo menos o primeiro parágrafo. A foto era uma constelação de estrelas e o título era «Sexo, sexo, sexo». Assim mesmo. Três vezes a palavra sexo. Depois começava: «Agora que já despertámos a tua atenção, teve lugar no auditório o simpósio de astronomia...» e por aí fora.

 

O título deste post não utiliza a mesma técnica (nota do editor: mas a imagem sim), até porque aquilo a que assisti no programa Negócios da Semana da semana passada não é mais do que a revelação de uma autêntica pornografia económico-financeira no que diz respeito às tão faladas (má fama e, pelo vistos, péssimo proveito para o Estado, logo para os contribuintes portugueses) parcerias público-privadas. Os convidados foram Carlos Moreno (juiz do Tribunal de Contas) e Ventura Leite (economista ligado ao Partido Socialista).

 

O rumo da conversa chegou a um tal ponto que a certa altura José Gomes Ferreira (jornalista) diz o seguinte a Ventura Leite: «O senhor, que é socialista, diz isso do governo socialista?» Ao que o economista responde: «É evidente. Antes de ser socialista sou patriota e português e foi assim que me comportei no parlamento. O actual governo não tem condições para gerir o país neste momento difícil da pátria». Aqui sim, meu caros, o programa cativou-me. Percebi que Sócrates só pode mesmo ser de direita, porque se tivesse ao menos uma costela de esquerda, este Ventura Leite tinha o mesmo fim que o 'renovador' Carlos Brito teve no PCP. Fiquei para ver o que viria a seguir, pois a coisa prometia. Até pensei na nossa sarrafeira Catarina Campos e nas suas magníficas crónicas do mundo financeiro público e privado trocado por miúdos.

 

O melhor estava para vir. As cenas picantes da pornografia vieram logo a seguir. Denunciou o indignado Ventura Leite: «É preciso dizer aos accionistas das grandes empresas que este esforço que está a ser pedido aos portugueses tem de ser repartido por todos. Não é admisível que a EDP tenha uma cláusula de garantia de lucros aos seus accionistas no caso dos consmidores reduzirem o consumo para se defenderem da crise. Há uma cláusula que permite aumentar o tarifário que permite compensar os accionsitas dessas perdas. Isto é uma coisa absurda». Neste momento fiquei sério. Pensei: «Alto lá e pára o baile. Então se todos os meus vizinhos gastarem menos electricidade para poupar dinheiro na factura, a EDP pode aumentar o tarifário (que também me afecta a mim) só para recuperar as perdas de receita dos accionistas? Mas desde quando é que existem no mundo negócios com lucros garantidos? Pelos vistos, a electricidade passou a ser um refrigerante, que a malta pode cortar em casa e viver sem ela e eu ainda não dei conta disso...». José Gomes Ferreira nem sabia dessa cláusula e até perguntou duas vezes como é que a coisa funcionava mesmo...

 

Mas o hard-core de 3.º escalão não demorou. Desta vez pela boca de Carlos Moreno: «É claro que é possível renegociar [as parcerias público-privadas], mas é necessário e urgente parar. É que há concessões neste preciso momento a renegociar para que seja aumentado, mesmo com esta crise, o volume de negócio. Há concessões com portagens reais que estão a ter prejuízos e estão a renegociar para passarem a ser subconcessionárias das Estradas de Portugal, que passará a receber as portagens e depois, por sua vez, pagará uma renda fixa próxima das revisões optimistas pela disponibilidade e pelo serviço. Estou a falar, por exemplo, da Douro Litoral e da Litoral Centro». Nova paragem cerebral. Minha, claro. «Alto lá outra vez! Então o sector privado entra num negócio, a coisa corre mal, passa o prejuízo para o Estado, mas assegura-se que mantém a sua rendazinha fixa, como se aquilo desse lucro?» Lembrou José Gomes Ferreira e muito bem «Então, o que é feito do risco?»

 

Não há risco nenhum, meus caros. O povo paga. Não passa nas auto-estradas? Não tem mal, paga indirectamente nos impostos, como se lá passasse e está tudo feito.

 

Olha, aumenta-se o IVA do leite 'achocolatado', parafraseando Assunção Cristas. «Mas isso pode ser impedido?», perguntou José Gomes Ferreira. «Eu sozinho não posso, mas todos juntos podemos», respondeu Carlos Moreno.

 

Pronto, está aberto o caminho para uma nova revolução, pensei. Afinal, o Tridente ainda vai fazer jeito. Só espero que, desta vez, usem cravos, mas de ferro, para selar os contentores que se usem para enviar para o exílio os actores deste filme pornográfico. Pode ser que a excitação, um dia destes, acabe...

 

Imagem por Lucky Girl Lefty via Flickr sob uma licença Creative Commons



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 18:30
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

 

É um facto que estamos ali a uns meros 26 p.b dos fatídicos 7% de preço da dívida publica, que é o número-chave para o FMI vir logo a correr e essa coisada toda, de acordo com o MF que, como todos nós sabemos, nunca se engana (só acima de € 800 milhões de erratas), donde o que ele diz sobre a meta dos 7% claro que se aplica, certo?

 

E também claro que toda a gente sabe que a subida da taxa de juro da dívida foi por causa de ter passado um péssimo OE na AR: ou seja, apesar de ter passado, os mercados, esses mauzões, olharam para Portugal e disseram "aquilo mesmo assim não vai lá, portanto carrega nos gajos!". Até pode ser possível que isto não vá lá e os mercados mauzões carreguem para ter uns ganhos melhores, porque não são sensíveis - feios! - aos apelos do nosso MF, para que deixem de ser mercados e sejam bonzinhos só connosco, só agora, porque estamos precisadinhos.

 

Não obstante, desenganem-se os comentadores "the doom day is upon us". Estar está, mas não é por causa disso. Calha é que, coincidindo com a aprovação por passagem administrativa do OE na AR, do lado de lá do Atlântico, naturalmente animado pela notícia que agora o Obama já mandava menos, desde que terça feira perdeu o Congresso para os republicanos, o FED resolveu dar um valente empurrão no consumo (curiosamente os EUA, tendo aquela dimensão toda que funciona com uma grande dose de consumo interno, quando querem empurrar a economia, empurram o consumo que aumenta a produção que cria mais riqueza e por aí fora). Vai daí, empurrou com o anúncio da compra de 600 mil milhões de dólares, baixando dessa forma as taxas de juro, o que vem permitir uma maior facilidade de endividamento para gastar em consumo interno e etc etc, como já expliquei antes.

 

Entretanto os mercados internacionais, fartinhos de estarem parados a olhar para o Canal Parlamento a passar na Reuters, olharam para o ecrã do lado e viram uma coisa que lhes pareceu simpática. De repente, as acções começaram a subir. Ora ele há dois mercados (até há muitos mais, mas para efeitos de simplificação, consideremos só dois): a Bolsa de acções e o mercado obrigacionista. E os recursos para investir, sendo sempre escassos, por muitos que sejam, metem-se no cesto que está a pagar mais. E hoje o cesto que estava a dar era o das acções. Maiores compras de acções, menos procura de obrigações (entre as quais as da dívida portuguesa), daí que as obrigações desvalorizam e os juros sobem. Não foi só a dívida portuguesa que sofreu, mas como está débil, sofreu mais.

 

É a porra do bater de asas da borboleta, embora o FED seja mais uma louva-a-deus com asas e a teoria do caos funciona sempre. Já a umbiguice de achar que foi só por causa de nós, sinceramente para os mercados internacionais, nós não somos nada senão uma forma de ter algumas mais-valias. E se fossem vocês lá a clicar nas ordens de compra e venda fariam exactamente a mesma coisa.

 

 

[imagem de Toban Black sob uma licença CC]



Uma Sarrafada de: Catarina Campos às 22:49
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Lembro-me que no início da década de 1990, veio cá ao burgo um iluminado (e não, não estou a ser irónico), de seu nome Michael Porter, como consultor do governo de sua excelência, o professor Anibal Cavaco Silva. Basicamente, veio dizer-nos a que é que a malta se tinha de agarrar para sermos competitivos no mecado global que estava a surgir à força toda.

 

Para além do tabu, surgiu, então na altura, algo a que o povo já se pode ter esquecido, que era uma coisa muito bonita chamada clusters. Admito que me pareceu mais uma marca de bolachas e até pensei que seria esse o salto que a fábrica Nacional pudesse dar para competir com a Cuetara e com a Kraft (da Oreo). Mas não. Clusters eram apenas e tão-só as áreas estratégicas nas quais valia a pena investir, se quisessemos sonhar, sequer, em andar lá fora à turra e à massa com os ciganos do Mundo.

 

E quando digo que Porter era iluminado, é porque era mesmo. O homem tem um MBA e um doutoramento em economia empresarial pela Universidade de Harvard, onde é professor, embora tivesse tirado a licenciatura em Princeton, mas em engenharia mecânica e aeroespacial. Não é, propriamente, um tipo saído das Novas Oportunidades. No entanto, as suas conclusões pareceram-me um bocadinho curso técnico-pofissional... tirado à noite. Então veio o homem de tão longe, estudou tanto o nosso país, levou uma parte dos nossos (escassos) recursos financeiros para dizer o que o país inteiro sabia? Bom, podem dizer que foi uma espécie de ovo de colombo da economia nacional, mas mesmo assim é fraquinho. Imaginem que Porter concluiu que, um dos nossos clusters, era o mar. Quem haveria de dizer. Até os habitantes do Quirguistão devem saber isso, já que não o têm.

 

Mas vamos ao que interessa, que o lençol já vai longo.

 

Pois outro dos clusters que Porter assinalou foi o vinho. No entanto, parece-me que ninguém com responsabilidade no assunto leu o relatório do homem. Porque, qual não é o meu espanto, quando na minha ronda internacional, deparo-me com esta pérola. A verdade no vinho, meus caros.

 

Lá longe, nessa pobre e sem expectativas de crescimento localidade chamada Hong Kong, esperam e desesperam por vinho português. Mas não é um vinho qualquer. Pelos vistos, zurrapa já mandamos nós para lá. Por isso é que as nossas quotas de mercado (180.000 litros por ano), quando comparadas com as da França (7.560.000) e com as da Austrália (6.660.000), tornam-se como as figuras dos políticos a queixarem-se da perda de poder compra: patéticas.

 

Austrália? Por amor de Deus! Quer dizer, então agora vamos passar a ser grandes exportadores de material de surf? É isso? Cada macaco no seu galho, companheiros.

 

Tudo isto porquê? Bom, se os pedintes de Hong Kong reclamam o melhor das nossas uvas, é sinal que na relação de negócio entre Porter e Portugal, só um ficou a lucrar. E quem contou as notas por último foi ele e não nós. Ficamos contentes com a enorme revelação económica que fez, mas como já todos sabíamos, pelos vistos, deixou-se estar como estava.

 

Até compreendo que os portugueses queiram ficar com o melhor que a terra nos dá e mandar os restos lá para. O Mateus Rosé até pode ser, ainda, um sucesso de vendas (conhecem lá os bifes outra coisa), mas a globalização traz, também, gostos mais refinados.

 

Portanto, rapaziada do Douro, de Palmela, do Dão, do Ribatejo e do Alentejo, que sei que frequentam (e muito) este blogue, apanhem o próximo avião para Hong Kong e tornem-se ricos. É que quanto mais pomada vocês colocarem à mesa dos chineses, mais hipótese temos deles nos comprarem títulos da dívida pública. Qualquer dia, só mesmo bem atascados é que alguém o faz.



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 11:40
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