Espólio Sarrafeiro
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Muda de vida se a troika não está satisfeita
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, a troika não deve ser contrafeita
Muda de vida se há algo em ti para sacar

 

Ver-te sorrir, não é para ti
E a cantar, eu nunca te quero ouvir
Será de ti ou pensas que tens... que pode ser assim

 

Muda de vida se a troika não está satisfeita
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, a troika não deve ser contrafeita
Muda de vida se há algo em ti para sacar

 

Ver-te sorrir, não é para ti
E a cantar, eu nunca te quero ouvir
Será de ti ou pensas que tens... que pode ser assim

 

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como uma alegria que tu terás direito a viver

 

Olha que a vida é e deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

 

Muda de vida se a troika não está satisfeita
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, a troika não deve ser contrafeita
Muda de vida se há algo em ti para sacar

(rever em 2012)


Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 09:45
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Sábado, 14 de Maio de 2011

 

 

Sempre acreditei que o exemplo vem de cima. Com as devidas diferenças (ou talvez não, já que política e futebol não são assim tão diferentes), como podem os presidentes dos clubes querer que os adeptos não façam asneiras se são os primeiros a instigar as massas com mensagens de ruptura em nome de rivalidades que não deviam passar de saudável competitividade?
 
A constante insistência de todos os líderes partidários em deixar José Sócrates de fora de um eventual entendimento pós-eleitoral - porque é disso que o país precisa, como até já a Troika fez questão de dizer... - faz prever a continuidade da crise política, independentemente dos resultados na noite de 5 de Junho. Não adianta mendigar-se maiorias absolutas porque as grandes reformas do Estado não se fazem sem dois terços do Parlamento e para isso há sempre que haver... entendimentos.
 
Até porque, do ponto de vista democrático, não me parece viável deixar de fora o líder de um dos dois partidos que, na volta da maré, é chamado pelos eleitores a formar governo. Pelas sondagens que já começam a circular podem dar-se as voltas que se quiserem, mas não creio que seja possível, simplesmente, ignorar o resultado do PS. Este, para não ficar refém de posições mais extremistas não disse - e penso que não dirá - que não irá querer conversa com qualquer um dos outros partidos. À esquerda ou à direita.
 
Entretanto, se a pré-campanha tem sido o que temos visto, estou desejoso de ver e ouvir o que virá quando as caravanas forem para a estrada. O PSD já fez saber que não vai à Madeira fazer campanha, ainda que comece a peregrinação nos Açores. Anunciou igualmente, que não colocarão cartazes, mas haverá "muita rua". Os brindes vão reduzir-se a canetas e - aqui o toque de classe - cartões em formato de "santinho" com a cara de Pedro Passos Coelho. Miguel Relvas dixit.
 
A minha fé inabalável neste santinho é que, com humildade, depois das eleições e se sair vencedor - ainda que em minoria - o líder do PSD não cumpra o que prometeu em recusar entender-se com José Sócrates. Que esteja atento aos recados do PR no Facebook, e que saiba ler os resultados eleitorais como um político que aspira a estadista. Tenho a certeza que se acontecer o contrário será ouvido... até o seu partido o manter como líder. Seja lá o tempo que isso for.

 

Agradecimento a Pedro Sales


sinto-me: Vigilante

Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 02:19
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

 

 

Agora que já todos sabemos qual o programa do Governo para os próximos três anos, com a cortesia da equipa do cobrador de fraque internacional que, afinal, veio poupar uns quantos neurónios dos staffs políticos dos partidos do arco da governação, pergunto-me o que será feito da caixinha de sugestões do PSD para se cortar na despesa pública. É certo que as ideias eram para o Orçamento de Estado para 2011, mas boas ideias nunca são de se deitar fora.
 
Enquanto a imprensa foi dando eco do andamento da iniciativa, imagino que na São Caetano à Lapa o laboratório social-democrata foi recebendo, registando e analisando com satisfação as sugestões de qualquer comum cidadão, no que deveria ser trabalho de estafa dos próprios candidatos a governo. Poderia ter sido considerado como a mais directa forma de participação activa do povo na gestão da mercearia nacional, mas dois factos relevantes aconteceram para desgraça da iniciativa.
 
O primeiro é que o OE foi aprovado sob o desígnio dos PECs. O segundo, alguns meses depois, foi a chegada da troika. Quem é que se haveria de lembrar das sugestões do povão, se acabavam de chegar os profissionais do corte? Logo na página inicial, José Manuel Canavarro, Director do Gabinete de Estudos Nacional do PSD (adoro a denominação do cargo) dá conta da iniciativa, mas foi precisamente num comentário a um dos órgãos de comunicação social que fez um dos balanços que prestou a melhor das declarações:
 
"Algumas [propostas] seguramente merecerão atenção e outras merecerão também ponderação e provável inclusão naquilo que for a proposta do partido e a discussão que fará em sede parlamentar sobre as matérias orçamentais."
 
É claro que, nestas circunstâncias, estas palavras teriam que vir acompanhados de um asterisco, explicando claramente: salvo se o FMI aterrar na Portela.
 
Duvido que Eduardo Catroga tenha apresentado alguma destas sugestões de iniciativa popular na reunião que teve com a troika, mas já não tenho tanta certeza se não usou o verso das folhas das sugestões para escrever algumas das cartas que enviou ao governo.
 
A última contagem de visitas no site www.cortardespesas.com estava nas 137.246. Tecnicamente, ainda são aceites sugestões. Mas o PSD deve ter deixado de as analisar quando recebeu uma mensagem de Jurgen Kröger, representante da Comissão Europeia e chefe da troika, a dizer: ESTAMOS A CHEGAR.
 
O mesmo sentimento de frustração devem ter tido os funcionários públicos que participaram no concurso promovido pelo Estado, que premiava as melhores sugestões para afinar o funcionamento da máquina administrativa. Quer dizer, quem ganhou os 500 euros não deve ter ficado. Na altura. Agora deve estar a pensar que os cortes que aí vêm podem muito bem afectá-los. Tem que calhar a alguém.

 

P.S.: Agradecimento especial à camarada Vi


sinto-me: encaixotado

Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 03:17
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

 

Dear Mrs. Merkel, Dear Mr. Sarkozy, Dear Mr. Cameron, Dear Mr. Barroso (ok, José Manuel for you), Dear Islanders, Dear fellow (?) citizens of the other twenty six countries of the European UNION,

 

Do you know what the real problem is with Portugal? Let me tell you: our problem is that we are deeply, profoundly and irreparably stupid, as a people, as a whole, I mean. We've always been, always will be.

The problem, our problem, is that we weren’t in this for the money. We're used to be poorer than you guys and can cope with living with that. No, for us, Portuguese people, it wasn't a business, it was - now call us stupid, we know - because we believed we were to be all European. European citizens. You know, somehow like neighbours, like friends. We tend to believe.

We are very, very stupid.

 

Please do punish us accordingly.

 

Your humbly

 

A Portuguese citizen

 


sinto-me:
música: Human League - "Open Your Heart"

Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 10:15
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Local: Pingo Doce

Hora: 10:00

Todas as mesas do bar ocupadas; toda a gente a tomar o piqueno almoço.

Olhei em volta: a crise não tava a passar por ali...


sinto-me: Azamboada
música: Titanic

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 06:28
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Lembro-me da cadeira de Estudos Europeus na faculdade como uma das matérias mais secantes dos tempo de universitário, mas tenho-me lembrado do assunto nos últimos tempos demasiadas vezes. Andava com o Tratado de Roma (em livro) debaixo do braço para trás e para a frente (ainda o guardo numa estante), mas o nome de Robert Schuman (e também Jean Monet) foi o que mais me ficou na memória. Talvez por ser o mais emblemático e sonhador de um continente que gostava de ver unido, a quem o Parlamento Europeu (do qual foi o primeiro presidente) declarou carinhosamente como o «Pai da Europa».

 

O pós-guerra também terá contribuído (e muito!) para a fermentaçao da ideia de uma Europa sem conflitos e o sonho começou a ganhar forma. Sabia-se que o percurso seria longo, mas como diz António Machado no seu poema: o caminho faz-se caminhando. E assim nasceu, em 1952, a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço).
 
Não quero espetar uma seca a ninguém, mas a história ensina sempre muito do presente e a nota introdutória serviu apenas para facilitar a ligação entre o sonho de Schuman e o pesadelo egoísta que o velho continente está a viver. Os passos foram sendo dados e com a CEE, mais tarde rebaptizada União Europeia, imaginou-se que já se tinha ultrapassado o chamado ponto-do-não-retorno. Houve toda uma geração de políticos (anos 80 e 90) que regaram bem a semente de Schuman e mesmo contra alguns eurocépticos foram fazendo acreditar que a Europa, mesmo com toda a sua diversidade cultural, podia funcionar como um bloco forte e compacto.
 
Só que jamais seria na bonança que se revelaria a consistência da coesão europeia, se é que alguma vez existiu. A crise global (porque a globalização é para bem e para o mal) acabou por revelar a imensa manta de retalhos que é esta velha Europa, pessimamente preparada para as adversidades de um mercado que já não tem só no bloco norte-americano e no Japão (e outros países satélites asiáticos) um rival. Há países (já não emergentes) que marcam (e controlam) a agenda económica, alguns dos quais nem se fazia a mínima ideia que pudessem chegar onde estão (como o Brasil).Este recente episódio (e era aqui que queria chegar) da possível recusa da Finlândia em contribuir para o resgate financeiro de Portugal é só mais uma brecha na (des)União Europeia, que mostra não ter a mínima ideia do que quer para si mesma, não só agora, como num futuro a médio e longo prazo. É certo que as circunstâncias históricas também não jogam a favor. Para além de uma crise mundial grave, esta geração de políticos está longe de ter a estrutura mental, ideológica e mais importante ainda, a perspectiva de futuro que tiveram outros que os precederam, que os catapultaram da simples categorização de políticos à de verdadeiros estadistas. Daqueles para quem a História guarda sempre um lugar de honra. Veja-se, por exemplo, a diferença entre Angela Merkel e Helmut Kohl.
 
Que em Portugal não se perceba que esta é a hora de colocar de lado as diferenças ideológicas e partidárias e combinar esforços para mudar o rumo do país, não me espanta. Afinal, desde sempre que nunca nos soubemos governar nem deixámos que nos governassem (esta segunda parte já teve que mudar)! Agora que o mesmo se passe no resto da Europa, já me custa. Já nem os políticos escondem os seus umbiguismos, que facilmente resvalam para a estupidez. Há uns tempos foi Cavaco Silva que ouviu do presidente da República Checa um ralhete em público pelas escandalosas derrapagens dos défices de alguns países europeus, numa clara alusão ao caso português. Curiosamente agora foi apanhado a surripiar uma caneta no Chile. Mais recentemente foi um turista 'acidental' finlandês que, na Madeira, disse abertamente a Passos Coelho que só esperava não ter que ser ele a chegar à Finlândia e a pagar aquele jantar.
 
É verdade que o respeito ganha-se, mas também se deve beber chá em pequenino e, pelo vistos, na Finlândia e na República Checa, não se deve ter esse hábito. Até porque o senhor deve esquecer-se que uma parte do seu jantar também teve a contribuição dos telemóveis Nokia que os portugueses compram. E é assim que vai a Europa... Mude-se o hino da Nona de Beethoven para a Lacrimosa do Requiem do Mozart. É mais apropriado.


sinto-me: Lacrimoso

Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 00:46
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

 "Fala do Homem Nascido", poema de António Gedeão, com música de José Niza - do EP "Cantar de Emigração", 1971

 

 

 

Faz hoje sessenta e nove anos que nasceu, no Porto, o Adriano Correia de Oliveira. Só quem o ouviu sabe o que isto quer dizer.
Eu "conheci-o" há quarenta e tal anos, através dos discos que eram tocados às escondidas e em surdina, (a noite, na areia da praia, num pequeno gira-discos portátil) e aquela voz cantava coisas que traziam o desespero do povo sem liberdade nem direitos que éramos todos nós, portugueses, antes de Abril Cravo de Abril. Aquela voz trazia também a revolta - e a esperança, que só chegou muitos anos depois.

A voz do Adriano é uma VOZ; as letras e poemas que cantava diziam coisas importantes - importantes naquele tempo, e importantes hoje também, neste tempo em que os governos e as ultra-grandes empresas do mundo nos querem transformar a todos em rodas da engrenagem sem direitos, nem voz nem liberdade.

Vão conhecer esse homem que era grande por fora e muito maior ainda por dentro, e que como todos os que são bons foi embora cedo demais. Procurem e oiçam os discos dele, as canções que gravou e que hoje o tornam presente.
E disse.

(nota: este texto foi originalmente publicado aqui há sete anos; mas a voz do Adriano, as palavras de Gedeão e a música de José Niza que tão bem serve ambos não têm idade e por isso não envelhecem)

 



Uma Sarrafada de: Vitriólica às 22:52
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O que é mais preocupante: ver quem votou contra o PEC 4 a aplaudir a chegada do PEC 4 elevado ao cubo sob a forma de “ajuda europeia”, ver quem sempre manifestou indisponibilidade para governar com o FMI recandidatar-se ao cargo de primeiro-ministro sabendo à priori que vai governar com o FMI encapuzado de éfe-é-é-éfe, ou não me recordar de alguma vez ter votado num candidato chamado Jean-Claude Juncker?

 

(Em stereo)

 

(Na imagem fotograma de The Good, the Bad and the Ugly)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 14:29
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Percebo que o momento da política nacional dava vários olhares críticos, mas decidi fazer uma pausa. O pedido de ajuda externa é suficientemente grave e humilhante para quem, ao longo destes anos, teve a responsabilidade de ir encontrando soluções para um problema que parece histórico e afecta como as marés. É a constatação de que, de facto, a carta de um governador romano a César, já nessa altura estava certíssima, agora com uma actualização vergonhosa: estranho povo que não se governa e é obrigado a deixar-se governar.
 
A minha reflexão desta semana vai para outro estranho povo. Fico pasmado com o abnegado estoicismo dos japoneses, registado na sequência dos tristes acontecimentos de Fukushima. Eles, mais do que ninguém, deveriam conhecer os malefícios do nuclear, anos após (não muitos) de Hiroshima e Nagasaki, vendido e distribuído em forma de energia em nome do progresso. E ninguém tem dúvidas do progresso do Japão. Renascido de verdadeiras cinzas da II Guerra Mundial, voltou ao grupo das mais fortes economias mundiais, criando e produzindo o que de mais avançado tecnologicamente surge no mundo.
 
De todos os países com centrais nucleares, tenho a certeza que o Japão não estava no topo das preocupações de ninguém. Alguém imaginaria a catástrofe que se abateu por ali? O caso torna-se ainda mais estranho quando não se conhecem manifestações de pânico, fugas em massa, protestos por claras opções políticas que trouxeram, mais uma vez, a desgraça ao povo japonês. Não consigo entender a aparente passividade (sabe-se lá o que vai na alma daquela gente...) com que a população encara a sua sorte, quando muitos devem perceber que o pior está ainda para vir.
 
O que pensará, agora, por exemplo, Mira Amaral em defesa da energia nuclear? Aplique-se o princípio das agências de rating: passou de seguríssima e limpa para razoavelmente segura e aceitavelmente asseada (com tendência negativa).

 

Imagino que os amantes das estatísticas dirão logo a correr que os ganhos continuam a ser exponencialmente vantajosos. Quantas centrais nucleares existirão no Mundo? Quantos acidentes ocorrem? A relação pode determinar uma eficácia tremenda, isto se não levarmos em linha de conta os prejuízos que as centrais originam de cada vez que há um "azar". E não me refiro a custos materiais e sim humanos. E naturais. Quem vai comer peixe do mar de Fukushima, com níveis de iodo radioactivo superiores em cinco milhões de vezes ao que é normal? Pouco saboroso sushi...
 
Para os mais esquecidos (confesso que nem tinha conhecimento!), a minha camarada sarrafeira Vitriólica deu-me uma preciosa ajuda ao lembrar o que Portugal protagonizou quando se começou a falar em energia nuclear por aqui, na década de 1970. Ferrel, em Peniche, é um nome que pode avivar algumas memórias, mas há também os gritos de alerta da Lena d'Água ou a intervenção mais doce e terna do Fausto.

 

Não me recordo dos japoneses protestarem contra o que quer que seja. Mas como cantava bem a Lena d'Água: mais vale ser activo hoje do que radioactivo amanhã. Agora é fácil perceber que há protestos que não são estéreis: Nuclear? Não, obrigado


sinto-me: Activo com rádio na Radar FM

Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 01:05
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Direito à greve? Claro que sim, agora talvez mais que nunca desde 74. Mas, e  direito a greves justas? Esse não temos? Porquê?
Qual a lógica de fazer greves que apenas prejudicam quem as faz e os utentes dos serviços em greve e nunca as entidades e atitudes contra as quais se protesta? Que ganham os trabalhadores em greves que, uma após outra nada resolvem, em ter ainda a opinião pública contra eles? Por comodismo, falta de solidariedade, compreensão... será. Mas uma realidade. Ninguém gosta de não ter transporte para o trabalho por causa de uma greve.
Podia ser diferente? Eu acredito que sim. Sempre pensei e ouvi "porque é que não fazem greves que atinjam as entidades patronais e não os utentes?". Sempre ouvi "lamentamos mas não há outra forma". Há. Greves de zelo. Se em Março os trabalhadores da empresa de transportes X anunciarem que no mês de Abril não irão ser verificados os títulos de transporte, dando um claro e seguro sinal - não vale depois mudar a meio, porque isso sim é uma luta - de que "em Abril não se paga", quanto vai doer isso em milhares de passes e bilhetes por vender? Talvez não servisse de nada quando no sector público o solícito estado correria a tapar esses eventuais buracos... com o nosso dinheiro... Hoje não pode. Não tem. Iria "doer", sim.
Porque conseguem negociar com as administrações os operários de uma fábrica? Porque os patrões precisam da fábrica a laborar para ter lucros. Só. Pela mesma razão são inócuas as greves da função pública. O patrão Estado já não tem lucro, que mais dá uma greve se até reduz custos?



Uma Sarrafada de: arcebisposarrafeiro às 10:10
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É a loucura no Twitter cada vez que há um acontecimento político (e até económico) relevante para o nosso país. Há ainda o Prós e Contras, que não cabendo em nenhuma das alíneas anteriores, açambarca as duas tornando-as num lindo naperon de sala de estar: todos gostam de ver, mas quando viram as costas já ninguém se lembra dele.
 
Foi assim na comunicação do excelentíssimo PR à nação esta noite. Já todos sabiam o que o inquilino de Belém iria dizer, mas o impacto estava nos comentários do antes, durante e depois do universo tuiteiro. Mas não é isso que me traz aqui hoje, nem tão-pouco a pobreza franciscana da acção frenética de Cavaco Silva. Como é enérgico o nosso Presidente da República. Dá gosto vê-lo trabalhar!
 
No exacto dia em que o PEC 4 foi chumbado (ou não aprovado, conforme as leituras psicossomáticas), Sócrates nem esperou pelo desfecho da contagem. Saiu a correr a Belém apresentar a carta de demissão. Já havia quem esfregasse as mãos de contentamento, ainda que por baixo de uma capa de poesia política com o alto patrocínio da Microsoft que isto de abrir janelas tem muito que se lhe diga!

 

O problema é que ainda nem o sistema operativo laranja está instalado no computador governamental e já dá os famosos blue screens de erro! A ideia de se aumentar o IVA, logo no dia a seguir ao chumbo do PEC foi de génio. Diz Passos Coelho que será só em desespero. Mas, afinal, não é mesmo essa a situação em dizem que o país se encontra?

 

A seguir piscam o olho aos professores. São mais de 100 mil cidadãos, com mais de 18 anos e, logo, eleitores! Mas a coisa pode não correr bem. Para começo de festa, o programa social-democrata está a precisar de um 'restart'. De tal forma, que já há dentro do partido quem avise que é preciso ter cuidado com o que se diz. Não se vá hipotecar o futuro com honestidade a mais...

 

Mas a pérola veio mesmo esta noite, pela boca de Miguel Macedo, líder da bancada parlamentar do PSD. Na reacção às declarações de Cavaco Silva, Macedo diz algo de extraordinário como isto: apesar de ser de gestão, o Governo tem todas as condições para resolver os problemas. Não haja dúvida. Aliás, agora sim é que isto anda para a frente. Sem poder para aumentar impostos e apenas com margem de manobra para cortar na despesa, agora é que o obeso Estado se vai ver obrigado a emagrecer compulsivamente. Agora sim, podem aumentar mais os juros da dívida pública. Afinal, que diabo, nós podemos pagar!

 

P.S. Foi precisamente ao Wall Street Journal que Passos Coelho justificou a minha teoria do amuo para o PSD ter feito cair o PEC IV e, consequentemente, o Governo. Está aqui, bem explicadinho!



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 02:40
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011

Do discurso do nosso bem-amado Presidente, ficou-se-me no cérebro uma frase: porque fala directamente de mim, mas não sei bem em que qualidade...

"Temos a obrigação de defender o regime democrático, a nossa economia e o bem-estar dos cidadãos e das suas famílias."

Vai daí, tou-me pràqui a cogitar (adoro usar palavras caras pra fingir que sou uma intelectual assim tipo Doutor Pacheco Pereira), tou a cogitar, dizia eu, sobre o meu estatuto: sendo eu portuguesa - nada e criada neste rectângulo à beira-mar quase-afundado - , farei parte da categoria cidadão, ou da categoria familiar de cidadão?
E a pertencer à categoria familiar de cidadão: sou familiar do meu marido, o Arnaldo Serôdio? ou da minha filha, a Cèlinha Rosiva Serôdio??? ou ainda da Lizandra, minha irmã mais velha e, por assim dizer, a chefa da família desde que Mãe Máxima se foi por força da idade? ou ainda, de um ponto de vista um 'cadinho mais marialva, serei familiar do mano Hipólito - o irmão rapaz mais velho, embora o terceiro a nascer?

 

Ou seja: daqui até às eleições, em vez de me preocupar a analisar os programas dos partidos, ouvir aqueles debates chatos-de-partir-pedra nas TVs, vou estar ocupadíssima a tentar perceber qual é, afinal, o meu papel neste cosmos...

Parafraseando o Doutor Pacheco no seu maravilhoso programa de humor "Ponto Contra Ponto" isto sim, é verdadeira Dinamite Cerebral!

E disse!

 

P.S. Pra quem não viu/ouviu o discurso de Sua Excelência o Senhor Presidente da República Professor Aníbal Cavaco Silva, fica o linquezinho.



Uma Sarrafada de: Vitriólica às 22:00
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

 

 

 

 

E depois há aquela coisa da “foda à coelho”. Nada de por aí além, coisa até para envergonhar o comum dos mortais. Não fora a ninhada que origina, e que origina a ninhada. Never ending story. Que o diga o desgraçado Bartolomeu Perestrelo nos idos de 1428.

 

(Em stereo)

 

 

 

 

 

 

 



Uma Sarrafada de: Mr Simon às 23:01
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Pois o que é justo é justo, e se eu não escrevesse isto tava a cometer uma grande injustiça, oh se tava!!!

 

Primeiros: aplauso (clap, clap, clap) prà Sôdona Catarina por ter recontado a história da Bela Adormecida mas ao contrário, resolvendo acordar este blog-príncipe sonolento em modo hibernatório. Isto foi um verdadeiro beijo da vida, carago, senhores!!!

 

Segundos: neste quase-mês-de-Abril, nada mais apropriado pra título de post; sobretudo agora que os nossos bem-amados deputados da Nação, aqueles os mesmos aos quais cada um de nós paga com os seus - muitos, variados e desvairados - impostos um chorudo salário mais ajudas-de-custo, ajudas-de-viagens, ajudas-de-assessoria várias e sabemos nós lá que outras ajudas complementares...
Dizia eu, esses mesmos devotados servidores da Nação resolveram que não celebram o 25 de Abril na AR. Mordem a mão que os alimenta, que se não fosse o 25 de Abril tavam praí num qualquer e obscuro escritório de advocacia ou coisa pior; alguns conspirando pelos cantos - vigiados de mais ou menos perto por uma PIDE do séc XXI, sujeitos à bufaria de um qualquer vizinho rancoroso ou colega ressabiado...

 

Permita-me assim, minha amiga Cat, um rasgado elogio ao seu certeiro sentido de oportunidade. Eu sei que a sua natural modéstia a vai fazer corar e protestar "Ai, Vi, nada disso... Que exagero, minha boa amiga!!!"
Mas uma mulher que é frontal não pode ser frontal em part-time, diz o que pensa em qualquer situação, prò melhor e prò pior, e agora calhou o melhor!

 

Temos assim, trinta e sete anos depois, uma nova tomada do poder: catarinense, impulsiva, voluntariosa e generosa e alargadamente democrática; à imagem e semelhança do nosso Otelo de Saias; contra ninguém, apenas contra o marasmo e o acomodamento de cada um(a) de nós.

 

É isto que cada um(a) de nós precisa de fazer na sua própria vida: acordar o seu inner Belo Adormecido, sacudir a poeira e passar à acção!

 

Pra não esquecer o objectivo deste post: Ganda Título, Sôdona Catarina!!!

 

E disse!

 

P. S. Quem não me conhece pode, ao ler este post, pensar que tou a dar graxa, lamber as (elegantes) botas, ou beijar a (elegante e delicada) mão da Sôdona Catarina; nada disso - nem ela é mulher de aceitar esse tipo de parvoíces, nem eu tão parva que a pratique. Isto é, tão somente, a minha maneira tosca, porém verdadeira, de exprimir a admiração que sinto pela Sôdona Cat - tal como penso, sem enfeites, rodriguinhos ou salamaleques.


sinto-me: Abrilina, Catarinante
música: You Are The Sunshine of My Blog

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 20:46
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Maioria alargada é exactamente o quê???

Quis-me cá parecer no meu entendimento que é o mesmo que uma maioria absoluta que pediu ajuda ao Querido, Mudei a Casa pra ter um aspecto diferente dentro das mesmas velhas paredes-mestras...

 

Se falhei no meu fraco entendimento político, alguém tenha a bondade de me corrigir e explicar; se não falhei, se não passa de uma nova expressão pra "Quero governar sem ter que negociar ou fazer concessões com os meus partidos-colegas (e não colegas de partido)", então passem bem obrigada!

 

Cá eu, se mandasse neste país, não dava maioria absoluta a ninguém, ai nem que se pintassem! Se os partidos não são capazes de tentar entender-se uns com os outros para servir o país governando-o (e não governando-se), então não me merecem nenhuma confiança.
Viu-se o que, até agora, fizeram os governos de maioria absoluta... oh se viu!!!

 

A meu ver, com os políticos que temos, uma maioria absoluta não passa de um governo ditador democraticamente eleito de quatro em quatro anos.

 

Pronto. Hoje acordei em esquerda radical mode. Algum problema? Queixem-se à Sôdona Catarina - aprendi com ela a dizer exactamente o que penso, e tenho carta branca pra me exprimir à minha guisa: carta essa assinada pela própria e com assinatura reconhecida.

E disse. Prontos!


sinto-me: Assim tipo coisa, e atão?

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 07:38
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Não sabe ainda como vai ser, desde que levou um coice de uma vaca louca há uns seis anos nunca mais foi a mesma.

Ah, mas quem resiste ao furacão de energia que é a Sôdona Cat (aliás, a distinta Catarina Campos)? Esta mulher é uma verdadeira força da natureza (eu tamém - mas mais prò meditativo, enquanto ela é mais activa), e resolveu reabrir as janelas quase-fechadas deste magnífico blog.

 

Tudo isto pra dizer que tá na altura de sacudir esta capa cinzenta de poeira que se me tem acachapado sobre o cérebro, e soltar a franga (aliás, o Galo) do pensamento - ao qual, disse o Poeta, não há machado que corte a raiz...

 

Tábem, muito bonito mas não diz nada; e depois? Usando esta técnica muita gente ocupou altos cargos dirigentes neste (e provavelmente noutros) país(es). Por esse lado, tudo bem; sou só mais uma, com uma vantagem - saio barata: não preciso de carro com chófer, nem de telemóvel pago, cartão de crédito ou chorudas ajudas de custo.

Ao contrário das empresas e fundações do Estado, vivo os tempos normais como se houvesse crise, e a crise como se fosse outro tempo qualquer. Não gasto mais do que tenho, não compro o que não preciso, não me empenho pra comprar o que não me faz mesmo falta para viver.

Prestações só do carro e da casa, cartão de crédito só pra comprar algumas coisitas na Internet; logo, não tenho culpa nenhuma da porcaria da dívida, mas pago-a em grande como todos os outros portugueses; não sei onde fica Cancún, roupas de marca gosto mais de vê-las no manequim da montra da loja. Jantar fora só se for na varanda, que pra comer mal (e pagar "bem") como na minha casa - já dizia a minha mãe, e eu não podia concordar mais!

 

E prontos, antes que meta os pés pelas mãos e comece a misturar alhos e bugalhos ("Não, não sou a únicaaaa!"), vou parar por aqui com ma citação desse monstro sagrado da representação cinematográfica e da política amaricana chamado Arnold Schwarzenneger:

I'll be back!


sinto-me:
música: Tô voltaaaando

Uma Sarrafada de: Vitriólica às 00:33
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Terça-feira, 29 de Março de 2011

O 31 da Sarrafada foi um projecto muito acarinhado pelos seus autores. Aqui construímos um espaço aberto a toda a gente, de todas as cores, que conseguiram escrever uma data de coisas, muitas vezes opostas umas às outras, sem andar à estalada.

 

Há uns tempos, por razões várias, saí do Sarrafada. Mas enerva-me que esteja assim, a morrer aos poucos, o blog, o twita, o FB. Havia coisas de edição com as quais concordei, outras menos, mas dei sempre a primazia ao fundador do blog. No entanto, o blog e o projecto sempre foram muito mais do que apenas uma pessoa (que deu muito dele, obviamente): são todos os autores, todos os leitores, todos os comentadores, aqui ou nos outros lados, onde estamos.

 

Como é evidente e se nota (lol) sempre tive as chaves do Sarrafada, embora não as usasse. Saí porque achei que não tinha que ficar neste blog. Mas, visto que - aparentemente - o lugar de editor se encontra vazio, pois, ocupo-o com todo o descaramento. É um take-over? É. Mas é para o transformar em cooperativa verdadeira, sem sarrafeiros de 1ª e sarrafeiros de 2ª, a ver se NÓS TODOS damos um novo gás a este projecto. Nós e quem mais acharmos que tem espírito do contra e quer escrever alguma coisa nesse sentido. Ou até a favor, quem sabe.

 

Vamos andar com isto para a frente que o país não se compadece nem com meios termos nem com meios blogs. Isto agora é NOSSO (mas eu mando mais :DD...oops, desculpem, não resisti ;))

 

 

(Catarina campos)



Uma Sarrafada de: 31 da Sarrafada às 23:36
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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

 

 

 

O Parlamento votou... e o país vai a votos. Houve, até ao cair do pa no, a ansiedade de que poderia aparecer algum golpe de asa de última hora para que o humoristicamente denominado Plano de Estabilidade e Crescimento (versão 4, muito à frente do iPad!) passasse na Assembleia da República. O aviso já tinha sido dado por Sócrates e Passos Coelho respondeu com a mesma determinação. O problema é que o líder do PSD não percebeu a mensagem do Primeiro-ministro. Sem PEC batia com a porta, mas não a deixava fechada. Era mais um vou ali... e volto já. Ouvi na TSF que na AR ainda se esboçou um aplauso com o chumbo do PEC, mas alguém deve ter entendido a tempo que era o país que saía a perder. Não havia razão para se bater palmas.

 

Sócrates fez um ar de velório e foi a Belém anunciar ao PR o que Cavaco já sabia. Mas já lá vamos. O prato principal fica para depois das entradas. Sócrates foi, depois, à Cimeira da UE num estado que os brasileiros (sem Acordo Ortográfico) genialmente chamam de "cachorro sem dono". Imagino-o cabisbaixo, a pedir miminhos a Angela Merkel, com a chanceler alemã a afagar-lhe o ego com declarações destas à imprensa. Aposto que na São Caetano à Lapa devem ter pensado: mas quem é que a Angela pensa que é? Que manda na Europa?

 

O mais engraçado é que têm de ser os mesmos que andam a cortar no rating nacional e que já fizeram os juros dos títulos da dívida pública triplicar em 12 meses a dar a receita para o sucesso. Já escrevi isso há 15 dias, mas só mesmo no burgo é que não se percebe isso.

 

 

E aqui entra o prato principal. Que os partidos não se entendam, já é crónico. O que não se entende é que o Presidente da República esteja na bancada VIP de Belém a vir o circo a arder e pareça estar até deliciado com o fogo fátuo. Esteve mais preocupado em apagar o fogo com gasolina (desperdícios só ao alcance do Estado, que tem combustível mais barato) do que tentar uma solução. Deve estar pronto para, um dia destes, em tom catedrático, vir dizer ao povo: "Eu bem avisei, concidadãos".

 

Em Belém morava um tipo muito mais Fitch se, em vez de reunir isoladamente com os dois partidos do arco governativo, os chamasse aos dois e tentasse fazê-los ver que o que de facto o país precisa é de entendimentos. Mas não. Isso dá muito trabalho. A magistratura activa do segundo mandato é para dissolver a AR e marcar novas eleições. Isso sim, é trabalho. De secretaria, senhor professor. No fundo, encarna o velho estereótipo do funcionário público do Estado Novo. Na próxima visita de Estado que faça, vou sugerir que lhe ofereçam mangas de alpaca. É nestes pormenores que se vêem os estadistas que marcam a história ou se perde nela.



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 02:15
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011

VENDE-SE: Estádios, Pontes, projecto de novo aeroporto ( ainda exclusivo), projecto de TGV ( não exclusivo, mas muito bonito), Km's de Auto-estrada, com pouco uso, como novos. Oceano, com provadas dadas ( com tendência a aumentar o nível de agua).. ilhéu, em África, já com ditador, Bom para testar armas, bombardeamentos e zonas de exclusão aérea.
2 Submarinos... Novos, com um leve problema de "aerodinâmica", perfeitos para uso em mares, longe do atlântico. oferece-se fotocopiadora.

2 Blindados para transporte de forças policiais, por estrear (motivo: Povo demasiado Sereno)

 


Contactar PS/PSD


sinto-me: Comerciante Magrebino

Uma Sarrafada de: calvas às 13:14
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

 

Oremos. Já ninguém duvida que uma boa parte da população está em sofrimento. Um drama ao qual o Governo diz ser sensível e tudo estar a fazer para minorar o impacto que as necessárias e exigidas (pelos parceiros europeus) medidas de austeridade terão nos cidadãos em condições de maior fragilidade. O benefício da dúvida dá quem quer.

 

Com o anúncio de um novo PEC (versão 4, que faz parecer o Plano de Estabilidade e Crescimento uma autêntica saga do Rambo), a situação política tornou-se um autêntico drama de Beckett, cujas personagens, na esperança de lhes ser aliviado o sofrimento, ficavam à espera de Godot.

 

O impasse é claro. Sócrates quer mais um cheque em branco do seu mais directo adversário, arrastando o PSD e Passos Coelho para mais uma vinculação (nem que seja pela abstenção) a medidas pouco populares que se avizinham, agitando de novo a bandeira de uma crise já está instalada há muito tempo. O Primeiro-ministro espera, assim, pelo que Passos Coelho apresentará como estratégia política, independentemente do que as figuras que à sua volta gravitam possam dizer. É da boca de Passos Coelho que terá de sair a posição do seu partido.

 

Encostado às cordas, o líder do PSD parece não saber bem se a insatisfação nacional está já no ponto rebuçado. Aquele em que lhe permite deixar cair o Governo, forçar eleições antecipadas e poder assumir o poder, como pretende. É uma dúvida quase existencial. Em política, os timings são determinantes e um erro de calendário poderá deitar tudo a perder. Não é fácil tomar decisões desta natureza, mas é nestes momentos que os homens certos se revelam. E há até quem, próximo de Passos Coelho, acredite que uma decisão firme e vertical já vem tarde. Aliás, não é por falta de aviso que Passos Coelho deixará de arriscar. A questão é que também Passos deve estar à espera. À espera que seja Cavaco Silva a fazer alguma, já que o Presidente da República falou num segundo mandato de magistratura mais interventiva. E para ter saído de Belém tão confiante a irredutível é porque a conversa foi proveitosa.

 

Cavaco Silva não vai fazer nada. Porque nem vai precisar. Vai, também, ficar à espera que Sócrates cumpra o prometido e lançar o país em mais um desgastante processo eleitoral, no qual o PSD se vai assumir como alternativa, com as garantidas críticas do PS de terem criado uma crise numa altura em que o país devia ter estado unido (como se alguma vez a classe política tivesse dado o exemplo). No fundo, ficaram todos à espera uns dos outros, enquanto o povo aguardava a solução que os tirasse do sofrimento. E eleições não é certamente a resposta.



Uma Sarrafada de: Pedro Figueiredo às 18:13
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